<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850</id><updated>2011-10-03T00:05:48.163+01:00</updated><category term='Eurásia 2008'/><category term='Europa Ocidental 2005'/><category term='Marrocos 2006'/><category term='Marrocos 2005'/><category term='Alengarve'/><category term='Trans-Extremeña'/><title type='text'>Pequeno Ponto Azul</title><subtitle type='html'>Crónicas de aventuras pelos recantos do planeta</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Deus</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11744099383690703125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_c4KNfZ8C4Mo/Sjwz2ngUZQI/AAAAAAAAAAM/Vb7tsHlbR9o/S220/deus1.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>75</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-5914522967931382337</id><published>2008-07-29T23:20:00.009+01:00</published><updated>2010-05-24T16:59:03.174+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eurásia 2008'/><title type='text'>Olkhon</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Acordo cedo. O Sol ergue-se preguiçosamente por detrás da nebulosidade espessa.&lt;br /&gt;Por momentos pergunto-me se a chuva irá surgir e tentar comprometer o plano do dia: caminhar.&lt;br /&gt;Relembro as palavras do Evren: «em Olkhon nunca chove!». Curiosamente, é quase verdade! Em Olkhon, chove muito pouco. Os valores anuais de precipitação são comparáveis a climas semi-desérticos, como o sul de Marrocos ou o Sahel no norte de África. Contudo nada nesta paisagem, verdejante e húmida, lembra tais locais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Kate ainda dorme. A esta hora da manhã, não se vê vivalma nas ruas de Khuzhir. Tanto melhor assim, ainda não começou o frenesim turístico.&lt;br /&gt;Saio sozinho e dirijo-me calmamente para o &lt;a href="http://www.magicbaikal.com/burkhan.php" target="_blank"&gt;cabo Burkhan&lt;/a&gt;. Conhecido também como rochedo Shaman(Xamã), este é um dos locais mais sagrados de toda a Ásia, venerado deste tempos imemoriais pelo &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Xamanismo" target="_blank"&gt;Xamanismo&lt;/a&gt; como a residência do mais forte dos deuses celestiais (tengiies). Por isso, parece-me um bom local para se estar só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desço o promontório até às águas calmas do lago, sobre uma pequena praia de minúsculas pedras roliças. As poucas árvores, agora falecidas, estão adornadas com centenas de fitas coloridas, um dos elementos da prática do Xamanismo ainda bem viva. Pego na garrafa e encho-a pela primeira vez no lago. É fresca e incrivelmente cristalina. O sabor... enfim, nunca bebi uma água que me soubesse tão bem.&lt;br /&gt;Sento-me num tronco à beira da água e demoro-me em pensamentos. Quanto vale um minuto destes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sol rompe promissor por entre as nuvens altas, criando uma cortina de luz sobre a extensa praia a nordeste do cabo. É para lá que seguirei.&lt;br /&gt;Regresso aos aposentos e a Kate já acordou. Tomamos calmamente o pequeno almoço, no Nikita's, e começamos a nossa jornada ao longo da costa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/o-lago.html"&gt; &lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; Continua...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-5914522967931382337?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/5914522967931382337/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=5914522967931382337&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/5914522967931382337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/5914522967931382337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/olkhon.html' title='Olkhon'/><author><name>Deus</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11744099383690703125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_c4KNfZ8C4Mo/Sjwz2ngUZQI/AAAAAAAAAAM/Vb7tsHlbR9o/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-1841148192891660674</id><published>2008-07-28T22:30:00.000+01:00</published><updated>2009-07-17T00:51:47.889+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eurásia 2008'/><title type='text'>O Lago</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;9h30. Ouço ao longe o sussurro suave duma voz feminina que chama por mim. Durante algum tempo escuto inerte, anestesiado, sem reacção a este chamamento longínquo. Subitamente, emerjo desorientado sobre a cama estreita e desarrumada. Na penumbra, é a Nadia que chama por mim.&lt;br /&gt;«Acorda Miguel. Vais perder a &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Marshrutka" target="_blank"&gt;marshrutka&lt;/a&gt;!» - de movimentos amortecidos pelo álcool, reajo sem demora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrumo a bagagem, agora espalhada pelo chão. Poucas horas antes, o quarto fora "invadido" por um novo grupo de hóspedes, acabados de chegar de Moscovo de madrugada. Dada a minha condição fisiológica nessa noite, tinha inadvertidamente deixado os pertences espalhados um pouco por todo o lado, principalmente sobre as camas vazias... agora ocupadas.&lt;br /&gt;Procuro reunir tudo sem os incomodar. Sei o quanto devem precisar de uma cama imóvel e silenciosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No hall, a Kate luta com a mochila para conseguir acondicionar todos os seus pertences. Por mais que tentemos encontrar uma fórmula perfeita, o equilíbrio adequado entre conforto, necessidade e leveza,  é sabido que estes têm uma tendência incontrolável para "dilatar", assim que confinados ao espaço exíguo de uma mochila. Por mais que tentemos viajar leves, os poucos itens imprescindíveis que seleccionamos acabam sempre por tomar todo o espaço.&lt;br /&gt;Dou-lhe uma mãozinha a acondicionar o saco-cama dentro da mochila e, com esforço, conseguimos correr o fecho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despedimo-nos da Nadia e saímos em direcção ao coração de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Irkutsk" target="_blank"&gt;Irkutsk&lt;/a&gt;. Faltam 15m para as 11h, hora combinada para nos encontrarmos com o chauffer da marshrutka que nos levará a Khuzhir, na lendária &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_Olkhon" target="_blank"&gt;Ilha Olkhon&lt;/a&gt;, em pleno &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lago_Baikal" target="_blank"&gt;Lago Baikal&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;A curta viagem até ao Central Market, primeiro de autocarro, depois de eléctrico, custa-nos praticamente meia hora. Depois, por entre a agitação caótica de compradores e vendedores e a azáfama incessante das marshrutkas conseguimos, com dificuldade, encontrar aquela que por nós ainda esperava.&lt;br /&gt;Eram 11h30. O chauffer, um caucasiano robusto, bem aparentado e na casa dos quarenta,  acolhe-nos a bordo da sua moderna e confortável carrinha. Ainda estamos sós, mas não seria certamente por muito tempo. A curta distância que nos separava do terminal rodoviário  foi percorrida sem mais demoras.&lt;br /&gt;Já no local, outro russo centraliza a angariação de mais passageiros, turistas e locais, e foi preciso mais uma hora para preencher todos os 13 lugares da marshrutka. Cada passageiro paga 700Rb ao angariador. Nós, já tínhamos combinado 500Rb com o condutor. A Nadia tratou-nos bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ritmo que o denso tráfego permitia, deixámos a centro de Irkutsk. Depois, os seus suburbios sombrios e delapidados, numa estrada bem asfaltada quase sempre rectilínea, até que nada mais que extensas planícies verdejantes, intercaladas por suaves colinas de taiga, preenchiam o nosso campo de visão. E que visão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal consigo conter a ansiedade. Antecipo as cores, a atmosfera, o cheiro e as gentes. No rosto da Kate, vejo uma calma impaciente que me tranquiliza. Inunda-me o espanto e a maravilha que ainda estarei para sentir. O privilégio de poder aqui estar, deste ar respirar. Sinto-me como se regressásse a uma terra há muito prometida, onde outrora já havia estado. Em sonhos, talvez? Inegável é estar prestes a concretizar um dos sonhos de uma vida. É estranho, é familiar... é indiscritivel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que vencemos os quilómetros da P-418, e nos afastamos de Irkutsk, sentímo-nos cada vez mais perto daquela Sibéria rural e misteriosa, a terra do Baikal e dos &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Xam%C3%A3" target="_blank"&gt;xamãs&lt;/a&gt;, cuja magia e influência espiritual ainda ecoam nestas colinas e florestas. Em Bayanday, um pequeno vilarejo perdido nas bermas da P-418, viramos para Este, pouco depois acaba-se o asfalto e entramos no estradão de terra. Mas nem por isso a velocidade, ou o estilo de condução, se alterou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A marshrutka "voa" sobre as corrugações do estradão. Por vezes, a trepidação é tão intensa que o chocalhar metálico dos componentes da viatura torna-se ensurdecedor. Aqui nada é poupado, tudo anda no seu limite. Uma imensa coluna de pó ergue-se atrás de nós. No céu, extensas nuvens aveludadas contrastam com o imenso azul. Neste carrossel de altos e baixos, curvas e contra-curvas, declives e inclinações, sentimos a cada momento que pouco mais que a gravidade mantêm esta marshrutka junto ao solo, como se esta planasse rasteira numa dança apressada e esguia, serpenteado pela massa continental a fora em direcção às profundezas abissais do grande lago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes, por entre as verdejantes colinas que se erguiam no nosso caminho, vislumbrávamos fugazmente a imensidão azul do Baikal. O céu, tão imponente quanto altivo e intocável, parecia estender-se ao infinito, ampliando de tal forma a grandiosidade da Natureza que ninguém nesta marshrutka conseguia conter o único sentimento possível, libertando periodicamente um exclamativo uníssono... «wooow!!».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois, chegávamos as margens do lago junto à localidade de Sakhyurta, no estreito que separa Olkhon do continente. No cais há marshrutkas, vários autocarros e muitos automóveis, que entopem a exígua entrada da plataforma de acesso ao pequeno ferry.&lt;br /&gt;Apesar das inúmeras agências especializadas no ocidente, e dos pacotes turísticos transiberianos, Olkhon permanece pouco explorada e a afluência aqui ainda é fundamentalmente interna. Famílias inteiras chegam num ou vários carros, transportando tendas e mantimentos, prontas para se instalar ao longo das praias da ilha, em busca de umas agradáveis férias balneares. Estamos a milhares de quilómetros do oceano, em qualquer direcção. O Baikal é o que de mais perto se assemelha a um grande oceano, por estas vizinhanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da presença autoritária dos dois ou três elementos encarregues do embarque, envergando fardamenta camuflada, não se mostram muitos interessados em manter a ordem no recinto, o que conduzia a algumas exaltações e disputas enquanto as viaturas se iam apertando freneticamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subo ao cume da colina adjacente e finto demoradamente aquele mar de águas doces e cristalinas. Do outro lado do estreito, a pouco mais de um quilómetro, um pequeno recanto da ilha serve de cais ao mini-ferry. A azáfama era semelhante. Pouco depois, uma coluna de fumo negro denunciava a partida da pequena embarcação.&lt;br /&gt;Regresso ao cais e sento-me junto da Kate. À nossa volta, além das dezenas de veículos, há barracas improvisadas de madeira e tela plástica, a servir bebidas e comida rápida, indícios de uma crescente afluência turística ao lago. Tudo é temporário, sazonal, construído precariamente para aproveitar da melhor forma o afluxo extraordinário de turistas proporcionado pela curta época balnear. Dentro de poucas semanas, tudo regressará à tranquilidade, isolamento e frio gélido do rigoroso Inverno siberiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois, o ferry chega e desembarca as viaturas e pessoas. Acorremos ao local, expectantes que o nosso chauffer consiga embarcar com a marshrutka já nesta viagem. Assim sucede.&lt;br /&gt;De Verão, este pequeno ferry gratuito liga a ilha ao continente, proporcionando aos siberianos uma estância de férias acessível e, a muitos níveis, paradisíaca. Nos rigores do Inverno, o lago transforma-se, criando uma crosta gelada com cerca de um metro de espessura que permite aos veículos circulem sobre a sua superfície. Mas, de meados de Dezembro a meio de Janeiro, e de meados de Abril a meio de Maio, a Ilha Olkhon fica isolada do resto do mundo. O gelo fino e instável não permite a circulação marítima nem sustenta as viaturas, pelo que a única via de acesso à ilha - se a houvesse - seria aérea.&lt;br /&gt;Os habitantes nativos, o povo Buryat, convivem com esta realidade desde sempre e de alguma forma tem sido este isolamento o principal responsável pelo estado (quase) imaculado e primitivo da ilha. A electricidade chegou muito recentemente, em 2005, trazendo consigo uma maior abertura ao turismo, o que começa a deixar algumas marcas na paisagem. Não existe processamento local do lixo nem infraestruturas de saneamento básico.(1)&lt;br /&gt;A luz suave e amena deste fim de tarde projectam-se delicadamente por entre as nuvens, incidindo sobre o espelho translúcido das águas calmas. A bordo do "дорожник" (Dorojnik), aproximamo-nos lentamente de Olkhon, a terra sagrada dos xamãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegámos. Após o desembarque da marshrutka, reunímo-nos e prosseguimos viagem. Fizemos depois mais de três dezenas de quilómetros, através do estreito caminho de terra batida, até Khuzhir, a maior povoação da ilha com cerca de 1200 almas. Apesar do crescimento recente e da proliferação da oferta comercial, as habitações permanecem rudimentares, separadas das ruas de terra por elevadas cercas de madeira. A grande maioria da população masculina ainda se dedica à pesca. As mulheres encontraram novas ocupações ligadas ao turismo para aportarem um rendimento adicional, quer através da hospedagem, quer através da venda de artesanato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nikita. Este é um nome que toda a gente conhece nesta ilha. Nikita Bencharov é um antigo campeão de ténis de mesa russo que encontrou aqui a sua casa e o seu propósito. Desde então, tem sido a força motriz por detrás do desenvolvimento turístico desta povoação. Ele centraliza o turismo e distribui o benefício, alojando os recém-chegados no seu "&lt;a href="http://www.olkhon.info/en/" target="_blank"&gt;homestead&lt;/a&gt;", ou em casas particulares, viabilizando o formato de alojamento e pensão indispensável à generalidade dos visitantes estrangeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirigimo-nos ao "homestead", localizado na extremidade norte de Khuzhir junto da falésia. Já tinha falado com o Nikita dois dias antes, por telefone, dando conta da minha chegada.&lt;br /&gt;No átrio da recepção, deparámo-nos com uma quantidade significativa de estrangeiros. Confesso que não esperava outra coisa. Mas, ainda assim, não pude deixar de ficar surpreendido com os números. O "homestead" estava cheio e, como uma chamada, fomos confirmados para ficar numa casa particular, no centro da localidade. A Tania fez-nos companhia e mimou-nos com a sua simpatia, enquanto nos conduziu pelas ruas enlameadas pelas recentes chuvas até à casa da nossa anfitriã. O tempo está fantástico. Olkhon e o Baikal saúdam-nos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um chocalho barulhento agita-se conforme empurro a pesada portada de madeira que nos separa do quintal. Uma &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Babushka" target="_blank"&gt;babushka&lt;/a&gt; rechonchuda, de compleição baixa e forte, de rosto adorável e voz doce, dirige-se a nós. Cumprimenta-nos calorosamente.&lt;br /&gt;«Kapitalina! Menya zovut Kapitalina!» - apresenta-se.&lt;br /&gt;«Kate, Аvstraleeyskeey. Miguel, Portugalskeey!» - respondemos!&lt;br /&gt;Mostra-nos os cantos da casa e somos ambos recebidos como parte da família. O marido da Kapitalina é pescador no Baikal. O filho adolescente ainda estuda, mas está de férias nesta altura e ajuda o pai.&lt;br /&gt;Instala-nos num dos quartos recentemente erguidos nas traseiras. Também há um WC "natural" (uma fossa séptica), devidamente afastado da zona residencial, e também uma banya! Prometi a mim mesmo que teria de a experimentar.&lt;br /&gt;Depois de instalados, regressámos ao Nikita's em busca de qualquer coisa para comer. Lamentavelmente, a sorte já não estava do nosso lado. Do Omul servido ao jantar, nem o cheiro! Apenas restavam algumas batatas cozidas que acompanhámos com umas fatias de pão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São 22h e o Sol esconde-se apressadamente detrás das colinas que bordejam as margens aveludadas do lago. A atmosfera enche-se de tons de azul inéditos, manchados por um suave tom quente quase indelével, numa imensa paleta memorável do tamanho dos céus. Absorvo todo aquele momento, aquela grandiosidade, como uma esponja sedenta de humidade. A Kate permanece imóvel e serena, como que meditativa, sentada junto da falésia. Parece haver propósito em tudo isto, pois sinto-me em paz. Estou em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São 23h30 quando me deito. Amanhã espera-nos mais um grande dia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(1) &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Post-Scriptum:&lt;/span&gt; É, por isso, muito importante alertar os futuros visitantes para que não levem resíduos para a ilha, como plásticos e outras embalagens descartáveis, produtos potencialmente tóxicos e não bio-degradáveis que possam acabar contaminando o solo e o lago, bem como outros detritos, pois estarão a contribuir irremediavelmente para a destruição deste recanto único. Sendo este um cuidado que deve ser universal, reveste-se de ainda maior importância nestes lugares que, em certa medida, são oásis intactos deste nosso pequeno ponto azul.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/e-o-baikal-ali-to-perto.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/olkhon.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-1841148192891660674?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/1841148192891660674/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=1841148192891660674&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/1841148192891660674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/1841148192891660674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/o-lago.html' title='O Lago'/><author><name>Deus</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11744099383690703125</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_c4KNfZ8C4Mo/Sjwz2ngUZQI/AAAAAAAAAAM/Vb7tsHlbR9o/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-2688093907878716839</id><published>2008-07-27T20:24:00.017+01:00</published><updated>2009-11-16T17:41:57.738Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eurásia 2008'/><title type='text'>E o Baikal ali tão perto...</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Calei o despertador. Diversas vezes. Não que tivesse muito sono mas porque me sentia meio entorpecido. A vontade de me erguer do conforto do divan era nula e nem a infinita ânsia de chegar ao lago me conseguia mover dali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram 11h quando, por fim, ganhei forças para me levantar. Ainda estava zonzo, a destilar. Arrumei a bagagem e, hora depois, despedia-me do pessoal. A Nadia dizia que, a esta hora, já não iria muito longe. Os autocarros para a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_Olkhon" target="_blank"&gt;Ilha Olkhon&lt;/a&gt; saem cedo. As marshrutkas, sempre antes do meio dia. Os 270kms que separam Irkutsk da ilha são longos. São necessárias 6 ou 7 horas de viagem.&lt;br /&gt;Eu achava o mesmo, mas não me dou por (con)vencido sem tentar. Podia ser que encontrasse uma saída tardia ou uma boleia fortuita. Não podia era ficar aqui de braços cruzados, por mais que me agrade esta companhia! Parti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Ulizta Lermontova esperei pelo 90. Chuviscava. Aproximou-se de mim um jovem russo em fato-treino. Falou comigo, presumo que a pedir dinheiro. Estava embriagado e fumava incessantemente. Estendeu um braço e exibiu a mão, onde só resta o polegar.&lt;br /&gt;Demoro algum tempo a reagir. Ainda não tinha visto um russo a pedir activamente na rua. Geralmente prostram-se no chão escondendo o rosto, como sinal de vergonha. Mas este abordou-me. Não lhe quero dar dinheiro pois o fim parece-me óbvio.&lt;br /&gt;"Ya ne govo'ryu po russki" - respondi, que não falo russo.&lt;br /&gt;Ri-se e mantêm a retórica. Insistia em "ruble", procurando arranhar o inglês...&lt;br /&gt;Passam-se vinte minutos e o autocarro não chega. O russo já tinha percebido que não se safava e estava resignado. Comprou uma lata de cerveja no quiosque ao lado e acendeu mais uma beata que encontrou no chão.&lt;br /&gt;Eu também desisti do 90. Decidi apanhar um dos 80, que passam constantemente, e ver onde é que este vai parar. Segue o caminho do 90 e, quando me apercebi que divergia noutro sentido, saí na paragem seguinte. Custou-me uma caminha de 20 minutos à chuva para alcançar o destino: a gare dos autocarros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junto da gare concentram-se autocarros, marshrutkas e táxis. Autocarros para Olkhon só há 3 por dia e há muito que saíram. Dou uma volta pela ampla praça por onde se dispersam as marshrutkas e falo com os condutores. Hoje é Domingo e não há grande movimento. Ninguém parece ir na direcção da Ilha.&lt;br /&gt;Os taxitas abordam-me e fazem os seus preços. "Doroga!" - exclamo insistentemente. Baixam o preço anunciado, mas continua caro. Outros dizem-me que não, é barato! Explicam-me porque acham que me estão a fazer um bom preço... :)&lt;br /&gt;Outro taxista aborda-me e "oferece-se" para me levar por "apenas" 2000rublos.&lt;br /&gt;"Ochen doroga! Pyat', OK. A'deen...doroga!!" (quatro pessoas... seria OK! Só eu... é caro!) - exclamo, enquanto gesticulo. Ele percebe perfeitamente e rimo-nos todos um bocado. Depois procura comigo uma marshrutka que me posso levar a Olkhon. Mas hoje já não tenho sorte, ninguém já vai sair para lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico junto à gare umas boas duas horas. Depois desisto e decido regressar ao hostel. Não posso dizer que esteja chateado. A noite passada tinha sido fantástica e tinha gostado muito da companhia. Em certa medida até estava feliz por não ter conseguido transporte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo continua desagradável. Está frio e chove insistentemente. As gotas parecem pulverizadas. Descem lentamente, rodopiando à vontade da brisa fraca. Apanho o "4" e vou até ao mercado chinês. Depois troco para o "1".&lt;br /&gt;Junto à ponte, novo acidente entre duas viaturas ligeiras. O eléctrico não passa. Isto parece rotineiro. As pessoas levantam-se e evacuam. Não perdem um minuto a perceber o fim da viagem. Sigo-as.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravesso a ponte a pé. Do outro lado, decido apanhar o primeiro autocarro que aparece, o "25". Leva-me para norte, em direcção a &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Angarsk"&gt;Angarsk&lt;/a&gt;. Ao longo das margens do rio, estende-se a indústria ligeira que emprega as populações.&lt;br /&gt;Em Novolenino desço do autocarro e dirijo-me a um quiosque. Meia dúzia de pessoas aguardam junto da paragem. Compro uma garrafa de água e sento-me junto da bagagem. Olhavam-me e comentavam. Obviamente, teriam curiosidade em saber o que andaria um estrangeiro a fazer por ali. Talvez comentassem que só poderia andar perdido e desorientado.&lt;br /&gt;Não. Nem perdido nem desorientado. Se tivesse que me descrever enquanto transeunte, talvez disse-se, metaforicamente, que sou dos que preferem caminhar por becos e travessas, ao invés de praças e avenidas. Gosto de ver como as coisas são, não como me as querem mostrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico por ali a observar o movimento de pessoas e viaturas. E a ser observado. Chuvisca e tenho os pés encharcados. Já não faz diferença.&lt;br /&gt;Por volta das 15h, decido-me a regressar ao hostel. Apanho um autocarro em sentido inverso e saio junto da ponte. Depois, sigo de "80" até ao hostel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Nadia recebe-me com um sorriso sarcástico. Ficamos à conversa até chegar o Evren.&lt;br /&gt;A Nadia diz-me que pode arranjar reservas numa marshrutka para Olkhon. A passagem custa 500Rb. É razoável e não penso duas vezes. Com um telefonema confirma o lugar.&lt;br /&gt;Pouco depois, a nossa conversa animada resgata a Kate do sono profundo. Também quer ir para o lago no dia seguinte. Mais uma chamada e estamos agendados para sair às 11h da manhã, do mercado chinês. Amanhã, finalmente, chego às margens do imenso Baikal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ao supermercado. Quero cozinhar algo lusitano mas nas prateleiras não encontro o que procuro. É curiosa a disparidade nos nossos hábitos de consumo. Com excepção dos produtos estereotipados, como as bebidas, os snacks, a fruta e vegetais importados, é uma aventura descodificar os conteúdos das embalagens.&lt;br /&gt;A Kate é de uma espécie vegetariana :) , come ovos e não se importa de comer peixe. Pensei em Bacalhau à Brás... mas bacalhau aqui, nem o cheiro! Só há algum peixe seco ou congelado e quase sempre é arenque ou omul, o peixe do Baikal.&lt;br /&gt;Procuro alternativas mas falta sempre algo essencial.&lt;br /&gt;"How about tuna?! Como na FAINA!!!" - a Kate não percebe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados muitos minutos de intensa persistência, a Kate lá descobriu uma lata de atum no meio de centenas de latas de conserva! Um feito extraordinário!!&lt;br /&gt;Parece-vos simples? Tentem descobrir uma lata com atum no meio de dezenas de outras latas diferentes, sem imagens do conteúdo e descrições em russo! A nossa sorte foi que "atum", escreve-se com qualquer coisa parecida com "tuna" em muitos dos idiomas. Não nos enganámos. Em russo é &lt;/span&gt;тунец&lt;span style="font-style: italic;"&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o jantar servi batatas cozidas com feijão branco salteado em molho de tomate, acompanhado de pasta de atum com ovos. Não é muito sugestivo nem tão pouco elaborado... mas agradou aos comensais!&lt;br /&gt;Partilhámos ainda do "excelente" vinho russo que os nossos amigos mais maduros tinham comprado. Para quem já não é grande "connaiseur" quando ele de facto tem qualidade, só posso dizer que este era simplesmente horrível! Desconfio até que haviam por ali derivados de petróleo à mistura, tal o odor sintético e gosto intenso a plástico. Não o usaria nem para temperar carne!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal tive tempo de levantar os pratos e já a garrafa de vodka estava sobre a mesa. O que se seguiu dispensa comentários.&lt;br /&gt;Não tenho noção das horas a que me deitei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/irkutsk-no-corao-da-sibria.html"&gt; &lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/o-lago.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-2688093907878716839?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/2688093907878716839/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=2688093907878716839&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/2688093907878716839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/2688093907878716839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/e-o-baikal-ali-to-perto.html' title='E o Baikal ali tão perto...'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-2175585788385674928</id><published>2008-07-26T19:35:00.019+01:00</published><updated>2008-11-27T16:19:02.970Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eurásia 2008'/><title type='text'>Irkutsk: no coração da Sibéria</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Está a chover e abandono a composição. Percorro o extenso cais em direcção à saída. A agitação é enorme. Centenas de pessoas concentram-se sob os alpendres e salões da ampla estação de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Irkutsk" target="_blank"&gt;Irkutsk&lt;/a&gt;. São muitos os que esperam passageiros e mais os que aguardam o seu comboio.&lt;br /&gt;Curiosamente, o WC tem portaria. Consigo descodificar as instruções da porteira e encontrar o depósito de bagagens, onde me desfaço da mochila por 54 Rublos. Não pretendo 24h... mas é a fracção disponível.&lt;br /&gt;Saio para a larga rua alagada e procuro "sintonizar-me" com os transportes. Há táxis, há carrinhas de 9 lugares em serviço colectivo(com lotação aparente de 20 pessoas), há eléctricos e autocarros. Como funciona o tarifário, eu ainda vou descobrir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado da rua, erguem-se dezenas de pequenos quiosques que vendem mercearias ao passageiro menos preparado. Na esquina há um snack-bar de aspecto moderno. Entro e verifico que servem refeições ao estilo cantina. Pego num tabuleiro e percorro a curta bancada, sondando as prateleiras e as suas enigmáticas iguarias. Decido-me por uma sandes de "qualquer coisa" e peço também uma tijela de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Borsch" target="_blank"&gt;borsch&lt;/a&gt;, um café instantâneo (má decisão, como é de esperar) e um refresco. Sento-me junto de uma das paredes vidradas e observo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quantidade de homens desocupados ou, pelo menos, ocupados com uma garrafa ou lata de cerveja é grande. Há alguns já bastante embriagados a deambular erraticamente, molestando as pessoas. Fora o típico burburinho e azáfama dum local desta natureza, tudo parece tranquilo e normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que não é fácil arranjar bilhetes daqui para a Mongólia sem alguma antecedência. Decidi comprar logo o bilhete para Ulan-Bator e evitar percalços de última hora. A funcionária da bilheteira internacional, numa sala com ar condicionado e sofás luxuosos no primeiro andar da estação, não sabe inglês mas entende perfeitamente o meu código pictórico escrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já com o bilhete guardado, resolvo avaliar os transportes locais. À saída da estação acaba de se imobilizar um eléctrico degradado, em tudo semelhante aos de Varsóvia, com ar de pouca ou nenhuma manutenção nas últimas décadas. Entro no meio da multidão apressada e vejo quanto e como pagam.&lt;br /&gt;Enfiam uma nota de 10 Rublos pelo orifício junto do guarda-freio, que devolve um pequeno bilhete de papel. "OK! Isso faz-se!" - penso. Mas teria agora de praticar...&lt;br /&gt;Entro para a "lata" junto com os últimos do extenso pelotão e fico apertado mesmo junto do tal orifício. Compro o bilhete e guardo. De imediato me tocam nas costas e vejo um caucasiano de meia idade a estender-me uma nota de 50 Rublos. Só poderia significar uma coisa (acho eu...). Devolvi o bilhete e o troco.&lt;br /&gt;"Pyat!!" - exclama, com aquele ar irritado de quem repete algo não ouvido à primeira. Deu jeito já saber contar em russo... Devolvo-lhe os restantes quatro bilhetes.&lt;br /&gt;De imediato chega mais uma nota. Depois, outra... e mais outra. Em poucos minutos estávamos todos a sorrir uns para os outros. Eu estava deliciado com a situação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após um par de paragens há mais espaço e "demito-me" da minha função. Vou para o meio do eléctrico e vejo que o procedimento é mais complexo: há que introduzir o bilhete de papel fininho na ranhura duma pequena maquineta de obliterar e pressionar energicamente uma alavanca. Isto faz com que o bilhete fique completamente esburacado! Cinco segundos depois tinha uma russa alta e encorpada, de traje casual e pose formal a dirigir-se a mim. Não entendia o que me dizia, mas quando olhei para o crachá no seu peito percebi o que queria. Uma fiscal. É uma "pica"!&lt;br /&gt;Avaliou o meu bilhete e devolveu-mo. Parece que passei no teste do eléctrico!...&lt;br /&gt;Ainda agora não sei o que teriam aqueles furinhos todos de tão especial que os distinguissem de quaisquer outros furinhos de qualquer outra viagem. Talvez nada. talvez não seja preciso distinguir. Talvez não hajam assim tantos prevaricadores ou, num eléctrico lotado, não teriam passado tantos rublos por mim em direcção àquele pequeno orifício. Talvez nem fosse necessário haver fiscal, nem papelinhos furados! Talvez seja mesmo assim que as coisas funcionam nesta terra de "criminosos exilados".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessámos a longa ponte para a margem direita da cidade e, já na Ulitsa Lenina, desci do eléctrico. Procurava um internet café para sossegar algumas almas e aliviar os cartões de memória. Se houvesse tempo, despejava também alguns pensamentos no Ponto.&lt;br /&gt;Trouxe dois guias. Não por redundância, que de facto são em grande parte, mas para desempate. O conceito, se calhar, é estranho. A minha ideia é manter uma viagem democrática, principalmente quando ando por locais desconhecidos. Por isso, preciso de mais 2 opiniões! Assim, somos três! Em caso de dúvida, há referendo. Consulto ambos os guias e avalio a minha própria apetência... e ganha a maioria!&lt;br /&gt;Mas, como disse e é natural, ambos os guias possuem muita informação em comum, pelo que mantenho uma democracia "por conveniência" para evitar não perder nem a espontaneidade - sem a qual não se pode realmente viajar - nem os motivos de interesse, nem as recomendações sempre úteis de alojamento. Este último um assunto deveras obscuro, principalmente às dez da noite numa qualquer localidade pequena e esquecida neste mundo...&lt;br /&gt;Tudo isto para dizer que os guias também podem ser péssimos conselheiros... principalmente quando desactualizados. Sob a chuva intensa, percorri toda a cidade em busca dos quatro netcafés que ambos os guias totalizam. No seu lugar encontrei diversos serviços como uma agência de trabalho temporário, conforme percebi após ter entrado apressadamente pela porta, encharcado, e ter deixado as quatro jovens russas a rir quando lhes disse várias vezes "internet" a apontar para os PCs sobre as secretárias... até que, por fim, uma exclamou sorrindo: "Don't know!!".&lt;br /&gt;Outra das vezes, entro num hall estilo Motel onde num sofá "vintage" se estendia um imenso caucasiano fardado de segurança. Virei as costas apressadamente e saí de fininho! Nos restantes dois endereços, nada mais que portas ferrugentas e encerradas encontrei. Posto isto, estava convencido que todos os siberianos teriam "net" em casa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11h30: Ainda não tinha alojamento para a noite. Imaginam para onde me virei? Pois é... não se pode viver com eles, não se pode viver sem eles! Agora só precisava de encontrar um telefone público que funcionasse!!...&lt;br /&gt;Decido por fim seguir para a estação de comunicações da cidade que, supus, fosse algo mais duradouro e que pudesse sobreviver a uma edição revista dum guia!!&lt;br /&gt;Claro está, não cheguei ao destino. Andava já pelas ruas secundárias, farto de passar tantas vezes pelas mesmas avenidas, quando esbarro num estreito e obscuro acesso a uma cave. Num cartaz pouco vistoso afixado na parede, lia-se:&lt;/span&gt; Интернет. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Suponho que o meu cirílico por esta altura estaria já muito melhor, pois na minha mente soou imediatamente uma campainha. Internet!!&lt;br /&gt;Completamente ensopado, desço os estreitos e imundos degraus da escada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cave eé exígua. Os mais de 20 computadores garantem também uma atmosfera quente e abafada. Não terá mais do que sessenta ou setenta metros quadrados. Olho em redor e dirijo-me ao jovem recepcionista:&lt;br /&gt;-"Priviet. Internet, pojalusta?" - pergunto se posso usar a internet.&lt;br /&gt;-"Da... dva!" - responde, indicando-me a máquina 2.&lt;br /&gt;Instalo-me e carrego umas fotos. Sem surpresas, a ligação é tão lenta que impossibilita grandes uploads. Não carrego mais do que 10 fotos andas de desistir da empreitada.&lt;br /&gt;À minha volta há sete ou oito adolescentes a jogar online. Exclamam e saltam gargalhadas. Não percebo o que dizem mas sinto-me aqui bem. Também não tenho pressa. Chove lá fora e as calças fumegam-se nas pernas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveito e tento escrever mais qualquer coisa aqui no ponto. A cabeça está cheia, a estourar de eventos, impressões e sentimentos. Não consigo destilar isto... é preciso tempo. O tempo ajuda a refinar o importante. Eventualmente, sobrará o essencial. E assim seleccionamos todas as memórias. Vou ao fórum &lt;a href="http://www.nomadstrail.net/" target="_blank"&gt;Nomad's&lt;/a&gt; e deixo uma mensagem aos amigos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Bem, dei aqui o saltinho so' para agradecer as mensagens que me tem enviado. Quando posso, vou recebendo/lendo e e' deveras agradavel perceber que ha' por ai' quem acompanhe estas coisas! Perdoem-me nao responder! Eu sei que voces sabem que eu fico agradecido! ;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou em Irkutsk, na Sibe'ria, junto do Lago Baikal para onde irei amanha. O tempo esta' pessimo! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessei um terco deste planeta em 4 noites, e sinto-me mais vivo do que nunca! Mas la' chegaremos... por agora, consegui deixar mais algumas palavras la' no ponto (que e' mesmo, mesmo pequeno :) )!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço uma pesquisa por alojamento no Google. Estou aborrecido com os guias! Saltam dois ou três resultados óbvios em resposta a "hostel+irkutsk". O primeiro, o Baikaler Hostel, está cheio. Tento o segundo, o &lt;a href="http://www.baikalhostels.ru/" target="_blank"&gt;Baikal Hostel&lt;/a&gt; (nomes originais, hum?). Tem cama para mim e fica um pouco afastado do centro, na margem esquerda do &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Angara" target="_blank"&gt;Rio Ankara&lt;/a&gt;. Não tem problema, continuarei a minha avaliação aos transportes públicos locais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo o netcafé por volta das 16h00. Já não chove, embora o céu permaneça tão sombrio como antes. Desço a Karla Marka e depois a Lenina. Quero apreciar melhor as principais avenidas sem ter de semicerrar os olhos por causa da chuva. Há bancos, museus, jardins, quiosques, escritórios, restaurantes, lojas de vestuário moderno. Nas ruas caminham pessoas alegres, bem aparentadas, de todas as idades. Os edifícios apresentam uma traça clássica, sóbria, robusta, de 5 ou 6 andares. Imprimem uma dimensão sólida e austera, mas grandiosa, à cidade.&lt;br /&gt;Deixo-me levar pelas avenidas até junto da Ponte. Atravesso uma vizinhança mais degradada. As moradias isoladas estão em ruínas e a madeira dos portais e janelas está podre e esburacada. Os pátios, outrora ajardinados, são agora mato denso. Não se vê vivalma. Tão perto do centro, tão longe do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apanho o eléctrico para a outra margem. Ao chegarmos à entrada da ponte, parámos. No sentido contrário, outro eléctrico abalroou um automóvel. A polícia já está no local mas não parece que esteja a desembaraçar a situação. Os intervenientes exclamam e esbracejam como se nenhum estivesse disposto a admitir a culpa. O trânsito, de alguma forma, passa pelo embaraço como farinha por uma peneira. Já os eléctricos terão de aguardar o desimpedimento da via...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desço na estação e resgato a bagagem. Pelo telefone, a simpática recepcionista tinha-me instruído a caminhar uns 200m para sul, depois virar à esquerda para a praça, de seguida apanhar o autocarro 90, depois seguir até à Mikro... mas era informação a mais! 90... é tudo o que preciso saber (afinal tenho um guia... com um mapa).&lt;br /&gt;Saio da estação e sigo a pé ao longo duma estrada densamente esburacada e lamacenta. Procuro esquivar-me às enormes poças e, ao mesmo tempo, fintar os carros que levantam autenticas torrentes de lama sobre os passeios... não há a menor delicadeza para com os peões.&lt;br /&gt;Ao fundo da rua, vejo autocarros passarem frequentemente. Interpelo uma senhora de meia idade e pergunto-lhe pela paragem de "aftobusa" ao mesmo tempo que escrevo 90 na palma da mão. Não compreende e repito. Outra vez. A indiferença inicial deu lugar a um sorriso caloroso e uma descarga de direcções (em russo, claro...) até à paragem de autocarros mais próxima! Por vezes, parece-me que ficam totalmente convencidos que os compreendo perfeitamente... enfim, no meio do discurso lá dissequei o atalho enlameado que deveria tomar.&lt;br /&gt;Cerca de 1km depois, chego a uma praça onde alguns tendeiros ainda tinham as bancas montadas. Ao centro há um jardim. Quer dizer... árvores! Algumas pessoas estão por ali a conviver. Aproximo-me delas para mais uma dose de interacção quando... passa um autocarro. Na esquina da rua adjacente, está uma paragem. "Deve ser ali..." - e sigo para lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Táxis, marshrutkas (como chamam aqui aos minibus) e autocarros vão passando. Eis que, por fim, chega um "90"!&lt;br /&gt;Subo a bordo e tento decifrar a tarifa. Entrei sozinho e, portanto, não pude ver como se processa. Olho em redor em busca de uma referência. No chão, junto do condutor, está uma caixa de papelão cheia de notas e moedas. A maioria são de 10rublos... Estendo uma destas ao motorista. Pegou na nota e deixou-a cair dentro da caixa. Não olhou para a nota. Nem olhou para mim. Nem pestanejou.&lt;br /&gt;Sigo para um lugar vazio. Passei no teste do autocarro!&lt;br /&gt;Agora, só precisava de encontrar a paragem correcta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulizta Lermontova. A larga e rectilínea avenida estende-se por vários quilómetros ao longo da margem esquerda do Rio Angara. Sabia que tinha de sair algures junto ao número 136. Os edifícios de apartamentos sucedem-se, irregulares, intercalados por recintos arborizados, pracetas de estacionamento, estradinhas, estações de serviço, armazéns e escritórios. As suas fachadas são amplas, em tijolo de barro, com largas janelas e marquises fechadas. Consigo acompanhar a numeração até perto do 86, depois perco as referências.&lt;br /&gt;Os russos não numeram as portas, apenas os edifícios. Independentemente destes se assemelharem a um único ou a vários concatenados. Para "simplificar", nem todos exibem os respectivos números... e por vezes só há numeração nos extremos do quarteirão.&lt;br /&gt;Sei que estou perto... mas o "perto", nesta avenida, pode significar uns quilómetros de caminhada. Espero mais um par de paragens e arrisco.O autocarro imobiliza-se. Pela janela vejo o reclame no rés-de-chão de um edifício: "Mikrochirurgia Glaza". Ecoam-me na mente as palavras ao telefone. É esta! Em dois segundos saltei do autocarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após algum "sobe e desce a avenida" lá encontro o 136, um edifício jovem, sobre-elevado e de fachada avermelhada. Dou a volta pelas traseiras e localizo a entrada atrás duma larga porta de ferro.&lt;br /&gt;Toco à campainha do hostel. Da marquise contígua, vejo espreitar uma jovem de olhos profundamente azuis, longos e lisos cabelos loiros.&lt;br /&gt;"Miguel?" - pergunta.&lt;br /&gt;"Da!!" - respondo entusiasticamente!&lt;br /&gt;"We're expecting you!" - responde com um acolhedor sorriso.&lt;br /&gt;Passados uns segundos soava o trinco eléctrico da porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entro no apartamento, pouso a bagagem e descalço-me. Dou uma volta pelas divisões para conhecer os "residentes". Há um grupo de três inglesas que está mesmo de saída. Vão para Ulan-Bator. Sentados em torno da mesa da cozinha está a Nadia, a recepcionista do hostel; a Kate, uma australiana a viajar pelo SW asiático; o Evren, um cipriota exilado na Letónia e uma amorosa "avozinha" francesa de 60 anos, que acaba de terminar uma missão de 2 anos na Mongólia. Recebem-me como se nos conhecêssemos há décadas. Conversamos demoradamente, até eu me lembrar de que não tomava banho há 5 dias... devia tresandar. Os meus novos amigos, provavelmente, tiveram a delicadeza de não reparar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomo um banho demorado e regresso ao convívio acolhedor do grupo. Já tinha saudades de companhia.&lt;br /&gt;A Kate é jornalista, tem 27 anos e demitiu-se recentemente para tornar a viver. Há dois meses que viaja pela China e Mongólia. Prepara-se agora para ficar um mês na Rússia. Depois... logo se vê.&lt;br /&gt;O Evren é um "faz-tudo". Faz o que pode e quer, desde trabalhar em bares e cuidar de crianças em acampamentos de Verão até trabalho comunitário e voluntário. Agora vive em Riga. É originário do Chipre mas deixou o seu país há 2 anos por divergências com a ocupação turca. Diz que jamais cumpriria o serviço militar por um país que não é o seu. Para o Estado cipriota turco, é um desertor. Nessa condição, apenas pode permanecer no Chipre 3 meses por ano e tem de pagar uma multa de 3000£. Nunca mais voltou. Compreendo e admiro a sua coragem.&lt;br /&gt;Vai para a Mongólia nos próximos dias, depois para a China e regressará a casa via Hong-Kong. Como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntam-se a nós um galês de 50 anos e uma adorável londrina de quase 70 (setenta) anos!! Falamos sobre o mundo, os povos, as culturas e política. Falamos sobre a vida, a já vivida e a que ainda temos para viver. Sobre o passado e sobre o futuro. Pois o nosso presente é este, o momento onde nos encontramos ali juntos, em torno da mesa duma cozinha, decorada com um imenso mapa da federação que ridiculariza as dimensões da Europa, num apartamento exíguo em Irkutsk, junto do eterno Lago Baikal neste remoto recanto do globo a que se chama Sibéria. Agora estou integro, indivisível, uno, imenso e coeso. Estou completo, cheio de sonhos ali tão perto, sinto que consigo estender uma mão e envolver a Terra, fervilho de vida. Não quero mais nada, só preciso disto. Sinto-me livre e à solta. É isto que eu mais desejo para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite é longa em torno das garrafas de vodka. Divertidos, comemos zákusky e bebemos mais. Saboreamos &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Omul" target="_blank"&gt;omul&lt;/a&gt; fumado, queijo e salsicha. Passa das seis e meia da manhã quando me deito. O despertador tocará às 10h.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/10/transiberiana-parte-4.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/e-o-baikal-ali-to-perto.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-2175585788385674928?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/2175585788385674928/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=2175585788385674928&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/2175585788385674928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/2175585788385674928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/irkutsk-no-corao-da-sibria.html' title='Irkutsk: no coração da Sibéria'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-7003605999496731573</id><published>2008-07-26T17:37:00.006+01:00</published><updated>2008-10-30T03:30:29.753Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eurásia 2008'/><title type='text'>A Transiberiana: parte 4</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;07h20: Acordo antes do toque do despertador. A noite foi mal passada pois não usei os tampões para os ouvidos.&lt;br /&gt;Lá fora o tempo está horrível. Hoje ninguém deve ver o Sol sobre o Baikal. Chove esporadicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessamos uma ponte sobre o poderoso &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Angara"&gt;Rio Angara&lt;/a&gt;, um afluente do Ienissei e o único rio que nasce das águas do Lago Baikal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegámos agora a Usolye-Sibirskoye(KM5124). Esta é a cidade que produz mais sal em toda a Sibéria. Tem também a maior fábrica de produção de toda a federação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;08h15: Estamos em Angarsk, cidade que vive da refinação de petróleo. É possível ver enormes torres de destilação, flares e chaminés a despejar espessas colunas de fumo sob o céu carregado. É como se o próprio céu tivesse saído das mesmas entranhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir do cais da estação, vejo uma longa estrada estreita e esburacada que atravessa um parque florestal até ao aglomerado populacional. Não vislumbro mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou ao vagão-restaurante mas não me servem nada. "Group...eat." - é tudo o que me sabe dizer a assistente. Olho em redor e só vejo turistas. Suponho que, como não faço parte de um "group", não tenho direito a "eat"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os passageiros e bagagens já se amontoam nos corredores e junto das entradas. Após quatro noites a bordo, suponho que a generalidade das pessoas esteja desejosa de chegar à estação. Com este tempo, eu não tenho grande pressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;09h40: Chego a Irkutsk.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/10/transiberiana-parte-3.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/irkutsk-no-corao-da-sibria.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-7003605999496731573?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/7003605999496731573/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=7003605999496731573&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/7003605999496731573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/7003605999496731573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/10/transiberiana-parte-4.html' title='A Transiberiana: parte 4'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-2147248361778937009</id><published>2008-07-25T17:37:00.013+01:00</published><updated>2010-09-29T17:22:37.211+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eurásia 2008'/><title type='text'>A Transiberiana: parte 3</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;9h00: Acordo em silêncio e imobilidade. Estamos parados. Salto da cama e, em simultâneo, o comboio reinicia a sua marcha. Já não consigo ver onde estamos mas, por cálculos grosseiros, talvez nos arredores de Mariinsk. Pouco depois, a passagem da ponte sobre o rio Kiya confirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já me acostumei ao conforto e silêncio do meu compartimento "privado". O #10 é uma composição moderna e eficiente. Todas as carruagens, não só as Spalny (1ªclasse - 2 camas, em alguns comboios também com WC), mas também as Kupé(2ºclasse - 4 camas) e as Platskartny(3ºclasse - camarata) são bem isoladas, inclusivamente com recurso a vidros triplos, o que garante uma temperatura agradável no interior - mesmo nos rigores do Inverno - e um nível de ruído aceitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da linha, centenas de operários observam a passagem da comboio. Parecem estar apenas a socializar. Se o fazem apenas enquanto passamos, então será interessante que não o façam com todas as composições pois, ao ritmo com que o trânsito ferroviário circula por estas bandas, bem podem gastar todo o dia a ver passar comboios!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um "mito" ou, pelo menos, uma ideia generalizada entre as pessoas que já ouviram falar da Transiberiana que importa clarificar. Primeiro, não são muitos os que já ouviram sequer falar desta (imensa) parte do mundo. Para a maioria, a Rússia continua envolva numa cortina de fumo (ou será ainda de ferro?) que não ousam penetrar nem, tão pouco, estão minimamente interessados ou motivados.&lt;br /&gt;Para os poucos que efectivamente já leram ou ouviram falar sobre este itinerário, a grande maioria está convencida que se trata de um comboio que, há imagem do famoso (e extinto) &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Expresso_do_Oriente"&gt;Expresso do Oriente&lt;/a&gt;(que cumpria uma ligação regular entre Paris e Istambul), faz a ligação entre Moscovo e o Extremo-Oriente. São ainda mais raros os que sabem efectivamente onde o tal comboio termina a viagem...&lt;br /&gt;Isto é uma concepção totalmente errada.&lt;br /&gt;Na verdade o que existe é uma linha ferroviária, entre Moscovo e Vladivostok (cidade portuária russa no Pacífico), a que chamam de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Transiberiana"&gt;Transiberiana&lt;/a&gt;, e que, com os seus quase 9300km de extensão, é efectivamente o mais longo caminho-de-ferro do mundo. Esta linha tem, a certo ponto, duas variantes que divergem com direcção a Pequim, capital da China. A primeira, a Transmongoliana, ruma a Sul logo após o Lago Baikal (em Ulan-Ude). Atravessa as inesquecíveis estepes mongóis, passa  pela capital Ulan-Bator e segue para Sueste, através do Deserto de Gobi, até à China. A segunda, a Transmanchuriana, diverge da Transiberiana mais a Este e atravessa a fronteira na província chinesa da Manchúria.&lt;br /&gt;Todas estas linhas são servidas por centenas de comboios, em milhares de serviços distintos. Passageiros, matérias-primas, mercadorias importadas e exportadas, este é o cordão umbilical da federação e, muitas vezes, a única forma de locomoção das populações. Não é um serviço turístico como muitas pessoas pensam quando se deparam com os pacotes caríssimos nas agências da especialidade. Viajar na Transiberiana é como viajar em qualquer outro país, como Portugal. Podemos chegar a uma estação, escolher um destino, comprar uma passagem e embarcar! A grande diferença reside nas possibilidades: em nenhum outro país do mundo podemos passar, numa mesma viagem, mais de uma semana dentro de um vagão sempre em movimento. E percorrer 8 fusos horários... um terço da superfície terrestre. É este o fascínio deste itinerário. E a razão porque faz parte do imaginário e dos sonhos de qualquer viajante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comboio é como uma cápsula. Viajamos pelo Universo, no Espaço-Tempo. Entramos e acomodamo-nos. Despimos as roupas tradicionais; vestimos os pijamas, os fatos de treino, os calções desportivos, as ceroulas e os robes. Descalçamos os sapatos e as botas; andamos agora descalços ou usamos chinelos de couro, havaianas, socas de madeira e sandálias de borracha, com peúgas ou não. Deixamos os preconceitos e formalidades lá fora. “Fazemo-nos” em casa.&lt;br /&gt;A bordo, o tempo é passado a conversar, a beber chá, a ler, a comer, a observar, a fotografar, a escrever, a reflectir, a planear, a rir, a gritar, a correr, a cantar, a descobrir, a sorrir, a brindar (há cerveja e vodka, muita vodka), a passear pelos corredores, a aguardar pacientemente nas filas do WC, e - a maior parte do tempo - a dormir.&lt;br /&gt;Estranho este balançar rítmico que nos faz dormir. E não há sono que nos valha, há quem passe 16 horas pelas brasas.&lt;br /&gt;Vários dias depois saímos a muitos milhares de quilómetros do inicio. Perdemos a noção de onde estamos, das horas que são, do tempo que passou... e concluímos que Einstein tem toda a razão: viajando neste Universo, deformámos o Tempo.&lt;br /&gt;Fica-nos na memória um sonho de belas paisagens verdejantes; de infinitos espaços abertos, cobertos de "ouro" ondulante subjugado à suave brisa do vento; de fantasmas cinzentos da era soviética, perdidos por entre ténues colinas da Taiga; da superfície surreal dum solo líquido, de imensos campos pantanosos; dos riachos vestidos de algas. Aqui e ali, uma ou outra cabeça de gado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10h30: Durante poucos quilómetros atravessámos uma região mais acidentada. As colinas são proeminentes e há vestígios de exploração mineira. Há escórias e carvão.&lt;br /&gt;O terreno reassumiu o seu perfil plano e abriram-se infindáveis campos de cultivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11h40: Parámos em Achinsk(KM3917), após passagem pela ponte sobre o Chulin. A paisagem junto ao rio é avassaladora: uma margem está ao nível das águas enquanto a outra, a pouca distância, se ergue uma centena de metros formando o planalto onde se situa a localidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A geografia tornou-se mais agreste. Há mais montes e vales, estreitos e obscuros. Predomina a Taiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12h55: O comboio serpenteia agora por entre montes muito acentuados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13h25: Estamos ao KM4028 e a subir lenta e acentuadamente por entre um vale densamente florestado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuamos a subir e só há espaço para uma linha. O maquinista buzina incessantemente. Por vezes descrevemos largos "S" e viajamos para Oeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13h40: Terminámos a portela. Mudamos de linha e já aguarda uma composição de mercadorias em sentido inverso para entrar neste troço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14h25: Chegámos a Krasnoyarsk. Na estação renovada, inaugurada em 2004, exibe-se uma locomotiva a vapor. Um verdadeiro monstro metálico. Saio da estação e vejo-me numa ampla praça com várias fontes ornamentais no centro. Fervilha de vida. Há dois casais de recém-casados e convidados por todo o lado. Tiram-se fotos a rigor, como a ocasião exige. Numa das extremidades da praça, uma enorme parede de um edifício exibe um mosaico com a imagem de Lenine, por entre heróis populares e ícones da revolução. Está bem conservado e é, sem dúvida, bonito. Dou a volta ao largo por entre as pessoas. Há gargalhadas, sorrisos, as crianças correm e puxam-se. Ninguém dá por mim. Como eu gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessamos o &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Ienissei"&gt;Ienissei&lt;/a&gt;. Este extenso rio divide tradicionalmente a Sibéria em duas metades desiguais. Nasce no norte da Mongólia e desagua no Oceano Árctico. Com um curso de mais de 5200Km, é o sexto maior rio do mundo. Para quem vai para Este, o rio marca por isso o fim da chamada Sibéria Ocidental. Estou agora na Sibéria Oriental!&lt;br /&gt;A margem direita do rio é uma movimentada zona portuária. Mais afastados, edifícios cinzentos e deslapidados ornamentam as amplas avenidas. O trânsito é caótico. Que contraste com a imensidão natural e "desumanizada" da Sibéria selvagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos subúrbios, regressam as moradias de madeira em pequenas parcelas de terreno cultivado. As colinas estendem-se agora despidas, num verde intenso. Nos vales, por entre as casas, quase sempre corre uma linha de água. Ao lado, trilhos gémeos estreitos improvisam as ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As florestas são agora tão densas que as tomaria por impenetráveis. Surgem clareiras onde se concentram algumas casas. Passa-me pela cabeça... "há quanto tempo nada muda por aqui?". Parece que estou muito longe de todo o resto do mundo. Sem esta linha, este lugar não existia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que vista fantástica... deixa ver se consigo tirar esta fotografia" - repentinamente, vegetação serrada ou composições em sentido contrário encobrem a visão - "Claro que não! Estou na Rússia!!".&lt;br /&gt;De alguma forma, uma grande parte dos russos cresceram sob o signo do sigilo. Um sigilo imposto por uma sociedade em que expressar ideias e emoções em público foi motivo de perseguição, exílio e morte.&lt;br /&gt;Os tempos são outros, certamente. Contudo, não se muda uma sociedade num dia. Muito menos uma sociedade tão complexa como a russa, com os problemas e dificuldades que ainda hoje pairam sobre os seus membros.&lt;br /&gt;Sempre ouvi, com desconfiança, as coisas que se pensam e dizem sobre as pessoas. E no ocidente sempre se falou deste povo, quase sempre pelos piores motivos e muitas vezes com desagradáveis conotações.&lt;br /&gt;Não sei onde estão esses indivíduos rudes e taciturnos que tanto ameaça(ra)m o "estilo de vida ocidental". Ter-se-ão extinto com a Perestroika? Nunca saberei. Mas posso-vos garantir que não encontrei nenhum no meu caminho. Muito pelo contrário!&lt;br /&gt;São efectivamente pessoas reservadas... mas que procuram confiança. Sentindo, abrem-se e revelam-se seres humanos calorosos e hospitaleiros, ao nível dos povos mais ternos, cultos e abertos com quem já tive oportunidade de conviver.&lt;br /&gt;Não tenho a menor dúvida: sou bem-vindo aqui. E vou voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17h00: KM4250. Continuamos a subir amplas colinas. Há campos cultivados e horizontes a perder de vista. Os céus arqueiam sob a incomensurável imponência do azul. Nunca tinha visto o céu abater-se de tal forma sobre o horizonte. Nunca tinha visto um azul assim. É lindo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17h15: Chegámos a Zaozyornaya. Paramos apenas um minuto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18h28: Há algum tempo que percorremos um amplo vale. As colinas mais próximas parecem a mais de 10km. Há poucas vegetação e vislumbra-se alguma indústria pesada e as tradicionais moradias um pouco por todo o lado. Para Este, para onde nos dirigimos, o céu está carregado e sombrio. Nuvens escuras e compactas auguram mau tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parámos  na estação de Kansk-Yeniseysky(KM4343). Começa a chover.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19h15: Paramos em Ilanskaya(KM4376). O local desta vila foi escolhido pelo famoso navegador dinamarquês &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Vitus_Bering"&gt;Vitus Bering&lt;/a&gt;, numa das suas viagens de exploração ao extremo-oriente siberiano, ao serviço do Império Russo.&lt;br /&gt;Desço da minha carruagem e caminho pelo cais improvisado. A estação está a ser remodelada e este não passa ainda de um monte de terra e cascalho onde repousam os futuros postes e suas sapatas. Ao longo do cais, dezenas de vendedoras exibem os conteúdos fumegantes de tachos e panelas, tupperwares e travessas, cestas e sacos. Há frango assado e estufado. Há batatas cozidas com ervas aromáticas. Há sopa de verduras. Há &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pelmeni"&gt;pelmeni&lt;/a&gt; com fartura. Vejo também folhados, enchidos e salgados. Também há churros, doces, pão e fruta. Não falta bebida. Não falta nada.&lt;br /&gt;Os passageiros rodeiam as vendedoras e começa a azafama da troca: rublos por calorias. Detenho-me da minha deambulação errónea pelo cais. Paro e observo a multidão frenética. Em poucos minutos, os tachos estavam vazios.&lt;br /&gt;As minhas reservas alimentares são mantidas ao mínimo indispensável. Em viagem, como sempre bastante menos. Não por desgostar das iguarias locais, muito pelo contrário! Apenas caio sempre "vítima" do mesmo ciclo vicioso: quanto menos como, menos apetite sinto; e quanto menos apetite sinto, menos vontade tenho de comer; logo, menos como! Não é raro chegar à hora de jantar apenas numa sandes e uma ou duas peças de fruta. A maior parte do tempo estou tão empenhado no que ainda tenho que fazer, no que quero ainda ver, no que não posso perder, que simplesmente me esqueço de comer. E na verdade não sinto falta. Já aqui tenho uma bela provisão de calorias à cintura...&lt;br /&gt;Pelo sim, pelo não, compro um pão e uma salsicha fumada. Subo a bordo e o comboio parte. Esqueci-me da fruta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos arredores de quase todas as localidades há indústrias devolutas. Edifícios com paredes imponentes, de tijolos de barro, rodeados de estruturas metálicas retorcias e ferrugentas. Algumas ainda operam.&lt;br /&gt;"Quantas décadas terá isto?" - pergunto-me. Imagino um país densamente industrializado há 50 anos atrás. Na mesma altura em que a Europa se tentava reerguer das cinzas. Imagino um país tecnologicamente avançado, no entanto, com condições de trabalho e de vida muitas vezes miseráveis. Até macabras, ao ponto dos considerados bacilos sociais serem escravizados pela infame &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gulag"&gt;Gulag&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Esta era uma super-potência planetária. Rivalizava com os EUA ao ponto de medirem constantemente forças entre si, sempre de forma indirecta. Um mal menor. Um conflito militar aberto entre ambas as potências nucleares poderia bem ter sido o nosso fim.&lt;br /&gt;Durante quase 50 anos, competiram no domínio militar, científico, político e em todas as outras frentes. Estávamos em plena &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Fria"&gt;Guerra Fria&lt;/a&gt;, um conflito latente e que ninguém desejava.&lt;br /&gt;Protagonizaram "incidentes" um pouco por todo o globo. Apoiaram regimes adversários na Coreia, no Vietname, mais tarde no Afeganistão e médio-oriente. As suas esferas de influência disseminaram-se por todo o planeta. E mais para lá. A &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Explora%C3%A7%C3%A3o_espacial"&gt;Corrida ao Espaço&lt;/a&gt; elevou a ciência a um novo patamar: nasceu a era espacial. Os russos na vanguarda da conquista do Cosmos, até ao dia em que os seus rivais afirmam ter alunado dois astronautas...&lt;br /&gt;A dissolução da URSS ditou o fim de uma era, e a super-potência mergulhou fundo. Foi o fim da Gerra Fria. E o princípio de um novo ciclo.&lt;br /&gt;A Rússia tem uma História atribulada. E quase sempre trágica e brutal. Disso não há a menor dúvida. Mas é certo que ressurgirá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessamos novamente densa Taiga. Árvores jovens amparam outras mortas, que ficam simplesmente encostadas às vivas. Há também troncos enormes e putrefactos caídos no solo. Este, permanece um misto enigmático de água e húmus. Não se distingue uma consistência, uma estrutura, uma ilusão de solidez. Tanto quanto podemos antever, um próximo passo pode bem ser em falso.&lt;br /&gt;Nestas florestas vivem os espíritos e a magia. Estas são as florestas dos &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Shamanism"&gt;Shamans&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A densidade florestal é tal que não é possível enxergar mais de meia centena de metros para o seu interior. Esporádicas clareiras revelam um solo primitivamente verdejante e intacto, como se nunca um pé humano o tivesse pisado. Há colónias imensas de íris siberianas, tingindo de violeta a paisagem circundante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cruzam-se composições a cada dois minutos. Hora de ponta... o ritmo é frenético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu procura revelar-se por entre as nuvens pesadas e sombrias. Por vezes, o Sol fura a barreira e inunda partes da floresta com a sua luz. Já desce sobre o horizonte. A atmosfera resplandece num suave tom dourado de cortar a respiração.&lt;br /&gt;Penso que daria uma boa foto. Mas a janela do meu compartimento está já demasiado suja por fora. Praguejo por não a ter limpo na última paragem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passamos em mais uma pequena e remota povoação. Junto do apeadeiro há um pequeno monte de carvão acastanhado. É utilizado pelas provonidzas no &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Samovar"&gt;samovar&lt;/a&gt; das carruagens, onde é permanentemente disponibilizada água fervente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz natural é ténue. O Sol está já baixo. Chega a última noite a bordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O por-do-sol ilumina os céus de Tayshet num rosa-salmão sobrenatural. As nuvens reflectem a luz difusa sobre esta terra, outrora esquecida. Aqui começa a chamada BAM, a &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Baikal_Amur_Mainline"&gt;Baikal-Amur Mainline&lt;/a&gt;, outra linha que diverge da Transiberiana e que também atravessa os confins da Sibéria até Sovetskaya Gavan, na costa do Pacífico.&lt;br /&gt;Atravessa florestas de Taiga virgens, inexploradas, intactas e estende-se paralelamente à Transiberiana a uma distância mínima de 600kms, sobre o volátil &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Permafrost"&gt;permafrost&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;A região que atravessa, pela sua geografia, geologia e clima, é escassamente povoada e arredada de quaisquer roteiros turísticos.&lt;br /&gt;São muito poucos os ocidentais que visitam esta parte do mundo. Estima-se em escassas dezenas os estrangeiros que, por ano, percorrem esta linha. Talvez seja a próxima a descobrir...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/trans-siberiana-parte-2.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/10/transiberiana-parte-4.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-2147248361778937009?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/2147248361778937009/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=2147248361778937009&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/2147248361778937009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/2147248361778937009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/10/transiberiana-parte-3.html' title='A Transiberiana: parte 3'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-3837426921953473159</id><published>2008-07-24T19:35:00.005+01:00</published><updated>2008-10-22T18:40:18.316+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eurásia 2008'/><title type='text'>A Transiberiana: parte 2</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;09h35: acordo em Tyumen (KM2144). Já estou na Sibéria... e na Ásia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo intercomunicador ouço a mesma voz dócil e feminina que parece falar em todas as estações. Reconforta-me. Hoje passei uma noite intensa. Sonhei com pessoas que me são muito queridas. Familiares e amigos desfilaram toda a noite, manipulados pela minha imaginação. Acordei diversas vezes confuso, com dificuldade em perceber onde estava.&lt;br /&gt;Seria este o síndroma dos exilados para a Sibéria? Longe de mim sequer ousar compreender tais provações... foram milhões os que deixaram tudo para trás, à força, obrigados a cumprirem pesadas penas em campos de trabalho ou, no mínimo, a nunca mais regressarem às suas famílias e origens. A esmagadora maioria era presos políticos, muitos acusados de delitos menores, sem direito a qualquer julgamento. Era sistema na altura. A Sibéria representava o fim da linha para os indesejados do regime: o czarista e, mais tarde, o comunista.&lt;br /&gt;Longe de mim sequer imaginar tal sofrimento... mas terão sido assim as mais piedosas das suas noites. Neste caminho outrora caminhado a passo e sem regresso, balanço eu a bordo do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Baikal&lt;/span&gt;. De alguma forma pairou um fantasma antigo sobre os meus sonhos esta noite, mas agora percebo claramente onde estou e o que faço aqui. E, com muito respeito, sinto-me o homem mais feliz do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tyumen é uma cidade próspera e a primeira que foi fundada na Sibéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10h42: passamos a ponte sobre o rio Tobol. A flora continua semelhante e o terreno é plano. Tão plano que por vezes, por veredas desalinhadas entre abetos imponentes, fintamos aquela linha infinitamente recta que divide o azul imaculado do céu da copa distante das árvores. Penso que nunca fintei um horizonte tão longínquo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por entre a farta vegetação, o solo cobre-se de erva verdejante, como se toda a biomassa tivesse sido removida. O que cai por terra, é rapidamente assimilado por o que se ergue. Há vida, muita vida por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os postes de comunicação, moribundos, talvez já centenários, são parcialmente engolidos pelo solo pouco consistente e penduram-se nos cabos que deveriam antes suportar. Não encontro um único que mantenha a sua estatura vertical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Distingo alguma coisa por entre o verde-escuro da vegetação cerrada. Vejo cores. Vejo flores, cruzes e fitas. É um cemitério siberiano. Curiosamente, a visão é surpreendente e reconfortante. Mesmo quem, como eu, não sabe muito acerca da História siberiana, pode afirmar com algum rigor que foram muitos milhões os que pereceram neste recanto despojado do planeta. Contudo, cemitérios não são propriamente visões comuns. Não será por isso necessário ser, de modo algum, místico para sentirmos conforto ao ver que também aqui houve quem fosse enterrado com dignidade, respeito e admiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As planícies douradas são agora mais frequentes. Sei que entre mim e o oceano estendem-se agora alguns milhares de quilómetros em qualquer direcção. Nunca estive tão longe do mar... trivial para um russo, não tanto para um alentejano de Sines, terra de pescadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11h50: vejo campos verde-água por entre as árvores altaneiras. No céu apenas duas nuvens difusas mancham o eterno azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13h10: parámos em Ichim (KM2431). Fica junto de um rio com extensos campos alagados. As casas são minúsculas, de madeira e não se vislumbram ruas por entre o matagal circundante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14h30: extensas planícies pantanosas e muitas bétulas mortas. Apenas os troncos brancos permanecem erectos, incólumes, fantasmagóricos. As raízes apodreceram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passamos por Nazy, e pouco depois atravessamos mais uma zona horária. São agora 16h00.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comboio desliza suavemente em direcção a Omsk. Esta secção da linha foi renovada. Por todo o lado há ruínas de uma super-potência que já existiu. São as cinzas da URSS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17h50; chegamos a Omsk. A estação é ampla e bem tratada. Aproveito a curta paragem, saio e dou uma volta pelo cais. Dirijo-me a um dos quiosques e compro o pão doce, batatas fritas, água e algumas maças.&lt;br /&gt;Está uma locomotiva a vapor numa das extremidades da estação. Dirijo-me até lá e tiro uma foto, mesmo a tempo do comboio anunciar mais uma partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixamos Omsk e a sua área metropolitana em cerca de meia hora. A cidade é grande e desenvolvida. É a segunda maior cidade da Sibéria, precedida de Novosibirsk, e é para lá que nos dirigimos agora, pela secção de linha férrea que mais carga escoa em todo o mundo!&lt;br /&gt;Passa uma composição de mercadorias a cada 3 minutos. A precisão é desconcertante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20h10: paragem curta em Tatarskaya, sem grandes motivos de interesse. A estação é nova e está inacabada. Das passagem aéreas só ficaram os lanços de escadas, que terminam a 10m de altura...&lt;br /&gt;Nos arredores(KM2885) distinguem-se montes de carvão e por nós passa uma composição com mais de 30 vagões de carga. Está é uma das regiões mineiras mais movimentadas da federação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h00: estamos parados em Barabinsk(KM3040). Babushkas vendem chocolates, bebidas e peixe seco. Sinto o fedor à sua passagem. Não sinto curiosidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h15: deixamos Barabinsk já com a noite muito perto. O céu é uma aguarela de tons quentes e frios. Está belo. A cidade estende-se na margem de um lago que mais se assemelha a um sapal. Nos arredores, casas de madeira expelem densas colunas de fumo pelas chaminés. Os siberianos estão a cozinhar o jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca vi tanta árvore como nos últimos dias. O território da Federação Russa é rico à superfície, e sob ela. Petróleo, gás, carvão, minerais... há de tudo nesta terra outrora esquecida e exilada do próprio "mundo civilizado".&lt;br /&gt;Na distância, uma enorme chaminé industrial ensombra o horizonte com a uma extensa nuvem de fumo. Há muito a fazer neste mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h00: janto uma maçã e vou para a cama ler. Durmo...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/10/trans-siberiana.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/10/transiberiana-parte-3.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-3837426921953473159?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/3837426921953473159/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=3837426921953473159&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/3837426921953473159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/3837426921953473159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/trans-siberiana-parte-2.html' title='A Transiberiana: parte 2'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-7052743341525966647</id><published>2008-07-23T17:26:00.012+01:00</published><updated>2008-10-22T18:15:44.750+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eurásia 2008'/><title type='text'>A Transiberiana: parte 1</title><content type='html'>O que se pode dizer acerca da mais longa viagem de comboio, através do maior continente, penetrando na mais incompreendida e misteriosa região do globo, num país que por si só já é desafiante? Eu não sei. Talvez as palavras virtuosas de Colin Thubron, escritas a abrir o seu livro "In Siberia", me ajudem a levantar uma ponta do véu emocional que paira sobre um viajante mais atento (tradução feita por mim, pois só possuo a versão original em inglês):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;«Os campos gelados são atravessados, para sempre, por um homem acorrentado. Na distância, talvez, derive um rebanho de renas ou um caçador projecte a sua sombra na neve. Mas é tudo. Sibéria: preenche um dozeavo de toda a superfície terrena, contudo, esta é a impressão mais certa de nos deixar na mente. Uma beleza sombria, e um medo indelével.» &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bordo do comboio #10, conhecido por &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Baikal&lt;/span&gt;, tencionava percorrer os cerca de 5000Km que me separavam de Irkutsk, junto às margens do mítico &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lago_Baikal"&gt;Lago Baikal&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Para o comum dos mortais este nome pode não ter grande significado mas, para a Humanidade, o Baikal pode representar uma espécie de seguro de vida. Sendo o mais profundo, o mais antigo e mais volumoso lago de água doce do planeta, se esgotássemos todas as restantes fontes de água potável amanhã, o Baikal suportaria toda a vida durante mais de 40 anos. Para mim, além de tudo isto, é um objectivo, uma ambição, um sonho. Um sonho que se aproximava a cada quilómetro. Como se antecipa a concretização de um sonho se não com ansiedade?&lt;br /&gt;Não sou homem de grandes emoções ou muitas palavras. Muito menos quando se trata de as transpor para o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;papel&lt;/span&gt;. Por isso, deixo-vos com 4 dias de notas soltas do meu &lt;span style="font-style:italic;"&gt;logbook&lt;/span&gt;, que espero consigam transmitir uma ideia muito pálida do que é uma longa viagem de comboio, através da imensidão da bela e misteriosa Sibéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Dormi que nem um anjo. Acordo entorpecido e sem grande vontade de me erguer. Fico mais um pouco... afinal, é de descanso e muito tempo que se faz uma viagem para Este ao longo da linha transiberiana. Deixo-me embalar pelo suave movimento da composição  e adormeço novamente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo. Não sei que horas são. Olho pela janela embaciada em busca de referências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa finalmente uma cabana onde, num letreiro, se pode ler KM900. Se estiver correcto, estarei já em MT+1 (MT=Moscow Time=GMT+3), e isso quer dizer que já são 12h00. Quer dizer também que os percorremos em cerca de 11h30, o que dá uma média aproximada de 80Km/h. Recordo-me de ler no "In Siberia" que o comboio se movia a 50mph... parece que a cadência ainda é a mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora impera a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Taiga"&gt;Taiga&lt;/a&gt;, a densa floresta nórdica de - essencialmente - abetos e pinheiros. Penetramos na maior floresta do mundo, somos rodeados e engolidos por ela.&lt;br /&gt;Não é a Amazónia. Essa é a maior floresta tropical do planeta, mas esta é mesmo a maior de todas: a Taiga Siberiana, que se estende praticamente desde a Escandinávia até aos confins da Sibéria, junto ao Pacífico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando a barreira vegetal que nos rodeia é interrompida fugazmente e vislumbramos extensos campos verdejantes. No céu apenas algumas nuvens contrariam o imenso azul profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Povoações dispersas passam desordenadamente. Casas de madeira decrepitas, pintadas de cores naturais; azul-céu, verde-erva; de longos telhados castanhos que descem quase até ao chão. Em volta, pequenos quintais onde se cultivam couves, cebolas, batatas e mais alguns vegetais que apoiam a dieta familiar.&lt;br /&gt;Outras maiores ocupam parcelas de terreno superiores onde, por vezes, deambulam algumas cabeças de gado. As moradias, em si, dificilmente aparentam maiores luxos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por nós passam constantemente composições carregadas de matérias-primas e produtos acabados: contentores de mercadorias, toros de madeira, cisternas de crude e derivados, cereais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carruagem está repleta de germânicos reformados. Também alguns russos, embora poucos e discretos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São 13h00 e chegámos a Kirov (nome antigo, agora chama-se Vyatka).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos ao KM957. Passámos por mais uma central nuclear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A composição move-se agora mais lentamente, serpenteando por entre a Taiga farta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sucedem-se alguns ajuntamentos de casas de madeira. Não há arruamentos, apenas estreitas veredas de terra entre as parcelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está um dia maravilhoso e o comboio acelera agora mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em determinados baixios junto da linha, o solo é aquoso, como que num estado transitório entre terra e água. Cresce vegetação "húmida". Por todo o lado correm riachos e ribeiras, por vezes cobertas de algas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paramos na estação e as &lt;span style="font-style:italic;"&gt;babushkas&lt;/span&gt; rodeiam as portas das carruagens. Oferecem frutos vermelhos: framboesas, amoras, groselhas, cola e outras bagas silvestres. Há um género de pão doce e cerveja. Há vendedores de sandálias de plástico chinesas e artigos de verga: caixas, chapéus, cestas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18h21: a primeira bateria da máquina esgota-se. Pergunto à &lt;span style="font-style:italic;"&gt;provodnitza&lt;/span&gt; porque a tomada do meu compartimento não tem tensão. Ela liga um disjuntor... mas fica na mesma. Orienta-me até uma tomada no corredor. "Spasiba!". "Pojalusta!". Estamos no KM1260.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prevalece a Taiga. Por entre a densa vegetação virgem, surgem esporádicas clareiras raramente cultivadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18h30: passámos mais uma zona horária, são agora 19h30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos a atravessar os &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Montes_Urais"&gt;Montes Urais&lt;/a&gt;. Estes materializam a divisão "académica" entre a Europa e a Ásia e seriam praticamente imperceptíveis, não fosse a planura imensa da Rússia europeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20h26: chegamos a Perm. Já tinha comido a última ração de noodles e saí para apreciar o pôr-do-sol reflectido na carruagem. À saída da estação, um obelisco com o busto de Lenine pontua o centro da rotunda. Esta estrada fez parte da "&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Siberian_Route"&gt;Siberian Trakt&lt;/a&gt;", a partir de 1863.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h12: a noite cai enquanto nos aproximamos do KM1500.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/mais-para-leste.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/trans-siberiana-parte-2.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-7052743341525966647?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/7052743341525966647/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=7052743341525966647&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/7052743341525966647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/7052743341525966647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/10/trans-siberiana.html' title='A Transiberiana: parte 1'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-7467979523281141304</id><published>2008-07-22T20:00:00.045+01:00</published><updated>2008-10-22T17:32:28.854+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eurásia 2008'/><title type='text'>Mais para Leste...</title><content type='html'>Não eram ainda 8h30 e já estava a acordar o Luciano e o Rafael. É dia de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;banya&lt;/span&gt;, um ritual tipicamente russo e que não deve ser ignorado em qualquer visita, particularmente, a Moscovo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos do hostel e tomamos um pequeno-almoço volante. Uns folhados de limão quentinhos, comprados a uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;babushka&lt;/span&gt; numa passagem subterrânea, servem perfeitamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que é &lt;span style="font-style:italic;"&gt;banya&lt;/span&gt; e porque é tão importante? Bem, fazem-se negócios, concertam-se leis e decidem-se guerras nestes locais de culto! O ritual dificilmente agradará a pessoas tímidas. Genericamente, são balneários públicos onde se tomam banhos de vapor, em saunas aquecidas a lenha, seguidos de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;violentos&lt;/span&gt; choques de temperatura através de imersões em piscinas, tanques ou banheiras cheia de água fria. É repetitivo e desinibido e consiste, basicamente, em despir o corpo e suportar o calor abrasador e húmido da sauna, o mais possível, até este transpirar por todos os poros. Durante a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;cozedura&lt;/span&gt;, é prática coçar todas as regiões do corpo por forma a eliminar toda a epiderme superficial morta. Nesta altura, o corpo está pronto para ser castigado com uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tareia&lt;/span&gt; bem aplicada recorrendo a chicotadas de tenros ramos de bétula. Aqui é recomendável pedir a assistência de alguém capaz (o ideal seria uma amiga meiga (ou um amigo, conforme o caso)... mas nos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;banya&lt;/span&gt; públicos existe segregação sexual - embora alguns disponham de salas privadas onde, tecnicamente, se podem misturar indivíduos de ambos os sexos) para garantir que todas as zonas corporais recebem um eficaz - e gentil - tratamento! Posto isto, a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;vítima&lt;/span&gt; deve correr para fora do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;forno&lt;/span&gt; e mergulhar repentinamente na água gelada. No inverno, onde possível, esta última fase é substituída pelo refrescante acto de rebolar na neve ou mergulhar num lago gelado através dum orifício na sua superfície...&lt;br /&gt;Após cada ciclo, os participantes retiram-se para confortáveis salas de convívio, onde podem relaxar, conversar e beber &lt;span style="font-style:italic;"&gt;shots&lt;/span&gt; de vodka ou canecas de cerveja. Os verdadeiros especialistas são capazes de repetir cada ciclo umas 10 vezes ao longo dum período de duas horas, convencionado como ideal para manter uma pele resplandecente! Já a frequência destas sessões varia consoante a altura do ano, e as posses do indivíduo, não sendo de estranhar que hajam russos que apenas se possam dar ao luxo do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;banya&lt;/span&gt; uma vez por mês.&lt;br /&gt;Dado que já se apercebeu da natureza íntima e desinibida do ritual, talvez agora lhe seja mais fácil compreender o seu papel e importância na sociedade russa, particularmente nos meandros do poder económico ou político. Não poderia deixar de testemunhar esta tradição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/336669505_L3Gg8-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand; width: 350px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/336669505_L3Gg8-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Seguimos a pé até ao Sandunovsky Banya, o mais antigo e luxuoso balneário moscovita. Temos azar... hoje a ala "Highest Class", a secção mais luxuosa do balneário, encerra para limpeza semanal. Resta-nos a ala "Second Highest Class".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pagamos o acesso básico e descemos à ala, que fica no piso inferior. Há uma panóplia de serviços adicionais, executados pelos profissionais do banya, como massagens com (muito) sabão ou assistência personalizada na sauna mas, para uma primeira incursão e dada a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;natureza&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;dos&lt;/span&gt; assistentes, achámos por bem manter alguma distância e apenas nos dedicarmos à observação e aprendizagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acolhedor hall de entrada ostenta uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;wall of fame&lt;/span&gt; onde exibem fotos de personalidades famosas que por ali passaram. Entre elas, o senhor da foto. A nossa, certamente, não virá a constar naquela parede. Por isso, aqui a coloco eu!&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/336670573_GMPkN-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand; width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/336670573_GMPkN-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/336669813_8oQ47-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 5px 5px; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand;  width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/336669813_8oQ47-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não contei quantos ciclos «quente-frio» executámos nas duas horas em que lá estivemos. Mas foram certamente mais do que os russos que estavam connosco. Estes permaneciam menos tempo dentro da sauna - talvez nós, os latinos, sejamos mais tolerantes ao calor(?) - e mais tempo nas salas de convívio. Mas vinham regularmente à sauna onde eram profissionalmente &lt;span style="font-style:italic;"&gt;chicoteados&lt;/span&gt; pelos assistentes. Por fim, se alguma impureza restasse, foi com certeza removida após serem esfregados com fartura de sabão durante mais de meia hora... tudo, obviamente, por razões de higiene!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/336677516_TB2QR-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 5px 5px; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand;  width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/336677516_TB2QR-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Ao meio-dia já estávamos despachados e preparados para atacar a zona ocidental da cidade, onde se localizam algumas das mais interessantes atracções moscovitas. Apanhámos o metro até à estação Kutozovskaya, assim chamada porque - pasmem-se - fica na Kutozovsky Prospekt. A avenida foi assim nomeada em honra ao marechal Kutuzov, que comandou as tropas russas na vitória sobre Napoleão, e é também onde os russos ergueram o Arco do Triunfo. Também aqui ficam alguns dos melhores museus militares. Visitámos o museu Borodino, dedicado exclusivamente a essa batalha de 1812 em que os russos derrotaram as tropas de Napoleão e que exibe fabulosos panoramas a 360º (&lt;a href="http://deus.smugmug.com/gallery/5480962_aKYAi#336680082_2qFpq"&gt;fotos&lt;/a&gt;); e o titânico Museu da Grande Guerra Patriótica (&lt;a href="http://www.russianmuseums.info/M421"&gt;Central Museum on the Great Patriotic War&lt;/a&gt;), com quase 25.000m2 de exposições dedicadas à participação russa na segunda grande guerra, particularmente à sua intervenção militar dos anos 1941 a 1945 e que foi, de longe, o melhor museu militar que já tive oportunidade de visitar. Nenhum outro encontro com a História da segunda grande guerra, em toda a minha vida, me foi também tão revelador como este. E também já percorri os &lt;span style="font-style:italic;"&gt;palcos&lt;/span&gt; e museus, franceses e americanos, na Normandia.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/336680398_LjQn5-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand; width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/336680398_LjQn5-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/354240219_2589z-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 5px 5px; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand;  width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/354240219_2589z-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por demais evidente a polarização ocidentalista da nossa educação. Felizmente. os tempos são outros mas ninguém pode explicar porque é que só ensinamos às crianças a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;perspectiva americana&lt;/span&gt; (ou americanizada) da guerra. Há uma perspectiva soviética tão ou mais rica por revelar e que não é sequer abordada... e faz realmente falta conhecer todas as perspectivas sobre os mais importantes acontecimentos da Humanidade. Para que não se cometam os mesmos erros ou se façam juízos precipitados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, em exibição, estão incontáveis objectos de interesse histórico desde a bandeira Nazi que pontuava o Reichstag - quando as tropas russas tomaram Berlim - até objectos pessoais dos soldados, passando por armamento, mobiliário, panfletos de propaganda, obras de arte, panoramas... enfim, uma miríade infindável de factos para conhecer nas mais diversas formas de expressão. No centro, uma enorme cúpula redonda alberga um memorial onde constam os nomes dos militares russos que perderam a vida nesta campanha. Um local solene e grandioso. Só para terem uma pequena e incipiente ideia, vejam algumas fotos &lt;a href="http://deus.smugmug.com/gallery/5480962_aKYAi#354241635_EfTGV"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/338927652_Fhpy3-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand; width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/338927652_Fhpy3-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/338931780_2x9JC-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 5px 5px; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand;  width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/338931780_2x9JC-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi já ao fim da tarde que demos por terminada a incursão neste admirável mundo, para mim, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;novo&lt;/span&gt;. Percorremos os extensos jardins ao longo de quilómetros e terminamos com uma visita à exibição de engenharia militar ferroviária e aeronáutica, onde constam desde locomotivas, pontes, tanques, helis, bombardeiros, MIGs, etc até construções militares entrincheiradas. Fica a escassas centenas de metros do museu patriótico. Podem ver algumas fotos &lt;a href="http://deus.smugmug.com/gallery/5480962_aKYAi#354251261_J3Hpx"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Vale a pena darem lá um saltinho.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/354282081_Xd9dQ-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand; width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/354282081_Xd9dQ-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/338943812_BYU5A-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 5px 5px; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand;  width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/338943812_BYU5A-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressámos a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;casa&lt;/span&gt;, não sem antes passarmos por outra filial do My-My para forrar o estômago. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Borsch&lt;/span&gt;, naco de porco grelhado com couve e batatas, refeição deliciosa e coroada com uma fatia de bolo de chocolate! Bem merecida após a extensa caminhada do dia!&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/336689930_86YDb-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand; width: 350px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/336689930_86YDb-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Chegamos ao hostel por volta das 21h. Tenho tempo para carregar algumas fotos e despedir-me do pessoal. Desço à estação de metro e chego à Yarolavskaya às 22h55. As indicações são confusas e tenho alguma dificuldade em encontrar o cais 1, acessível pelo exterior da estação. Finalmente, dou com o cais, onde já &lt;span style="font-style:italic;"&gt;ruge&lt;/span&gt; o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Baikal&lt;/span&gt;. Mal tenho tempo de comprar água e alguns noodles instantâneos antes de correr para a minha carruagem.&lt;br /&gt;Mostro o bilhete à &lt;span style="font-style:italic;"&gt;provonidza&lt;/span&gt; e esta acompanha-me ao interior do vagão. Não percebo bem porquê... mas a resposta não tardou.&lt;br /&gt;Cama 37. Cada vagão &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Kupé&lt;/span&gt; tem 9 compartimentos de 4 camas, ou seja, no total são 36 camas. Nem me tinha apercebido disto antes! O meu compartimento afinal vai ser o «reservado», um compartimento de duas camas onde normalmente fica o pessoal da empresa e onde costumam dormir as &lt;span style="font-style:italic;"&gt;provonidzas&lt;/span&gt; - as assistentes do comboio. Mas, como me venderam um dos lugares.... vou ficar sozinho!&lt;br /&gt;A principio desgosta-me a ideia... mas à medida que me vou apercebendo dos restantes passageiros, um enorme grupo de idosos germânicos a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;viajar&lt;/span&gt; em pacote turístico, fico cada vez mais feliz no meu compartimento privado! Afinal, podia ser pior...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/341774757_2azJ9-O-2.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 5px 5px; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand;  width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/341774757_2azJ9-M-2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;A composição já iniciou a sua lenta peregrinação para leste. Deito-me na cama superior, pois já transformei o rés-de-chão no meu escritório! Reparo que os noodles já passaram todos da validade há quase dois anos... e quem é que planeia as coisas com calma?? Arghhh!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/assalto-moscovo.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/10/trans-siberiana.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-7467979523281141304?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/7467979523281141304/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=7467979523281141304&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/7467979523281141304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/7467979523281141304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/mais-para-leste.html' title='Mais para Leste...'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-6701856459999302666</id><published>2008-07-21T19:00:00.014+01:00</published><updated>2008-10-22T17:32:28.855+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eurásia 2008'/><title type='text'>Assalto a Moscovo</title><content type='html'>Contava deixar Moscovo ao fim da tarde mas decidi ficar mais uma noite. Assim restam praticamente dois dias para explorar o essencial da cidade.  Ligo para o hostel e confirmo a minha intenção.&lt;br /&gt;De energia redobrada, enfio-me no metro e sigo até à Yaroslavskiy, a principal estação ferroviária que serve as partidas para leste. Quero avaliar a disponibilidade e os preços dos bilhetes para Irkutsk, na Sibéria, junto do lago Baikal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é fácil. As velhas funcionarias não falam inglês mas lá nos conseguimos entender por gestos e rabiscos numa folha de papel. Para amanhã, só já há bilhetes para o #10 - o famoso &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Baikal&lt;/span&gt;, o mais confortável comboio entre Moscovo e Irkutsk - em &lt;em&gt;Kupe&lt;/em&gt;( 2a classe - compartimento fechado - 4 camas) ou platskartny (3a classe - camarata com dezenas de camas) no #350. O segundo custa menos de metade mas não tem serviços e, sem portas ou compartimentos, pode ser complicado abandonar a bagagem. São 4 noites a bordo e não quero andar preocupado com bagagens. &lt;br /&gt;Os bilhetes são consideravelmente mais baratos quando comprados com semanas de antecedência, que é o que a esmagadora maioria dos estrangeiros faz, recorrendo a agências especializadas. Eu não posso - nem quero - dar-me ao luxo de tão apurado planeamento... valorizo a liberdade de poder alterar o meu itinerário, ou poder ficar mais ou menos tempo algures, se assim o entender. Gosto de ir improvisando, mas isso tem também um custo. Decido pagar o preço do improviso. Vou no "Baikal".&lt;br /&gt;Não aceitam &lt;span style="font-style:italic;"&gt;plástico&lt;/span&gt; na estação e decido voltar mais tarde, depois de trocar dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desço novamente a Kitay-Gorod. Regresso à hostel e solicito que me registem o visto. Afinal fico mais de 72h em Moscovo e, como tal, alguém tem de me registar junto das entidades oficiais.&lt;br /&gt;Daqui sigo a pé até junto do Kremlin. O primeiro vislumbre das muralhas impressiona. São sólidas e imponentes. Depois vejo a torre Spasskaya.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/335628042_8ArVy-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand; width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/335628042_8ArVy-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Desfaco a curva entre a ulitsa Varvarka e a Krasnaya Ploshchad e "esbarro" na catedral de São Basílio. É muito mais bela ao vivo! A decoração, efeitos e cores é deslumbrante e perco uma boa hora a admirar os detalhes das cúpulas e fachadas.&lt;br /&gt;Atravesso calmamente a praça. O Lenine hoje não está para receber visitas. Passo toda a tarde junto do Kremlin e da praça vermelha, a admirar os edifícios e as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/335649067_GHHQk-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand; width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/335649067_GHHQk-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/335649568_JEV8c-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 5px 5px; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand;  width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/335649568_JEV8c-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ser um dia de semana, as ruas estão cheias de famílias russas que se passeiam e divertem sob um sol radiante. Está calor e, onde há água, há vida! Centenas de pessoas concentram-se junto das fontes e lagos artificiais, para se refrescarem um pouco.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/335616491_Zicet-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 5px 5px; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand;  width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/335616491_Zicet-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Babushkas vendem cachorros quentes e gelados em carrinhos de rua... a fome aperta. Decido experimentar as iguarias locais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta das 19h regresso ao hostel. Quase simultaneamente chega o Luciano e o Rafael, também um brasileiro de São Paulo, a viver em Dublin. Os galegos chegam minutos depois.&lt;br /&gt;Já temos planos. Vamos à Yaroslavskiy comprar os bilhetes (o Luciano vai para São Peterburgo) e depois vamos &lt;em&gt;à caca&lt;/em&gt; das "7 irmãs", os arranha-céus de Estaline.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos arredores de Yaroslavskiy procuro um cambista e compro rublos. Na estação, trato do bilhete para o #10, o "Baikal": vagão 2, cama 37. Vale 4 noites de viagem até Irkutsk, junto às margens do mítico Lago Baikal. A funcionária rende-se aos meus esforços para &lt;em&gt;comunicar&lt;/em&gt; em russo. Deixa a indiferença inicial e encarrega-se de me explicar todos os detalhes calmamente - embora em russo - com um sorriso afável nos lábios. O Luciano também já está servido. O Rafael tem quase o mesmo itinerário que eu, embora num &lt;em&gt;timing&lt;/em&gt; diferente, mas já comprou os bilhetes há varias semanas (através das tais agências). &lt;em&gt;Vamos às irmãs&lt;/em&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/335618520_HcHMm-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand; width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/335618520_HcHMm-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Passamos horas a percorrer as ruas e metro de Moscovo, em busca destes edifícios únicos. Depois, cansados, decidimos regressar ao hostel a partir da Lubyanka, junto à antiga sede do KGB.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/335965682_vhZD3-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 5px 5px; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand;  width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/335965682_vhZD3-S-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Entretanto o grupo desfaz-se e ficamos só os três. Passamos por um restaurante "self-service", de nome My-My (Mu-Mu, é uma cadeia de restaurantes), que nos desperta a atenção. Decidimos experimentar. Entretenho-me com um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;borsch&lt;/span&gt;, uma fatia de carne de porco coberta com natas e batata palha, gomos de batata assada e uma gelatina com pedaços de fruta tropical. Tudo é delicioso! Não deixem de experimentar um quando passarem por Moscovo!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/08/liberdade.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/mais-para-leste.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-6701856459999302666?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/6701856459999302666/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=6701856459999302666&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/6701856459999302666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/6701856459999302666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/assalto-moscovo.html' title='Assalto a Moscovo'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-6218415002090200975</id><published>2008-07-21T12:19:00.005+01:00</published><updated>2008-10-22T17:32:28.856+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eurásia 2008'/><title type='text'>Liberdade!</title><content type='html'>Acordo cedo. Ainda não são 9h da manha e já estou a caminho da embaixada. Apanho o metro em Kitay-Gorod e sigo até à Prospekt Mira, a estação mais próxima do local.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/335607668_VLJRr-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand; width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/335607668_VLJRr-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Fica na Botanitchesky Per. e a secção consular é num dos lados do edifício. Entro no pequeno hall e dirijo-me à única secretaria. Não fala português, nem inglês... fala russo.&lt;br /&gt;Por gestos peco-lhe que chame alguém para falar comigo. Diz que não esta ninguém. Insisto e manda-me esperar.&lt;br /&gt;Já conheço suficientemente bem os russos. Quando não compreendem, não sabem ou não querem responder, mandam-nos esperar. No hall já há umas 10 pessoas amontoadas para pedir um visto. Insisto, já ligeiramente alterado por estar em solo português e não obter atenção! Martela alguns números num telefone e fala com alguém.&lt;br /&gt;Instantes depois, surge outra mulher. Também é russa e falam entre si - sobre mim - durante um bocado sem me dirigir o discurso. Começa-me a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;chegar a mostarda ao nariz&lt;/span&gt;... exijo falar com um diplomata. Alguém teria de ter conhecimento de que eu iria aparecer ali hoje! A segunda mulher pergunta-me o nome - em português!!! - e desaparece de imediato. Foi a gota...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligo novamente para Portugal. A simpática diplomata, do consulado de emergência, atura a minha &lt;span style="font-style:italic;"&gt;indisposição momentânea&lt;/span&gt; perante o tratamento que estou a ter numa embaixada do meu próprio país! Diz-me que o embaixador está em Portugal mas vai ligar para a número dois em Moscovo. Desligo e insisto com a recepcionista que quero falar com alguém - agora - em PORTUGUÊS! Não parece saber o que fazer... martela números no telefone, sem qualquer nexo.&lt;br /&gt;Minutos depois surge um homem baixo e mulato no hall:&lt;br /&gt;"Português? Português?" - repete em todas as direcções. Finalmente...&lt;br /&gt;Deixo o hall e sigo o homem até ao primeiro andar. Explico a situação e sai por instantes. Volta e pede-me que o siga, pelos serviços, até um gabinete.&lt;br /&gt;Assim que entro...&lt;br /&gt;"Vocês &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pá&lt;/span&gt;, só se sabem meter em sarilhos!!! Então vêm para um pais destes e não sabem o que devem fazer com os vistos??" - exclama o homem, indignado, sentado atrás duma ampla secretaria.&lt;br /&gt;Finalmente, um genuíno português!! Não consegui deixar de sorrir durante o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;raspanete&lt;/span&gt; do Sr. Moura, diplomata em Moscovo, e de certa forma apreciei imediatamente da sua postura e senti de imediato a certeza que ficaria tudo resolvido!&lt;br /&gt;Explico-lhe melhor o sucedido. Diz-me que foi com ele que falaram no Sábado. Sabe que em tempos aconteceu o mesmo a outra pessoa, mas não se lembra como foi resolvido. Chama a sua secretaria, uma russa jovem e bonita que fala perfeitamente português, e encarrega-a de descobrir junto dos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;russos&lt;/span&gt; o que é necessário fazer para resolver isto. Fico no seu gabinete mais de uma hora, falamos inevitavelmente sobre Portugal e sobre a Rússia. Não vivem aqui muitos portugueses e, os poucos que vivem, só o comunicam à embaixada quando tem problemas... somos mesmo assim, nós, os portugueses.&lt;br /&gt;Depois, a secretária regressa e diz-me que espera esclarecimentos da embaixada da Bielorrússia. Em principio, não há qualquer problema com os meus documentos... mas vai demorar mais uma hora a ter a confirmação e o Sr. Moura diz-me que, se quiser, posso ir dar uma volta. Mergulho nas ruas, cheio de energia... e de fome!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/335605234_b44K6-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/335605234_b44K6-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Subo a Prospekt Mira até à estação Rizhskiy e depois sigo pela Krestovskiy Per. já a saborear um folhado de salsicha acabado de fazer por uma das muitas babushkas que os vendem em quiosques de rua. Esta zona da cidade é essencialmente residencial, de altos edifícios sóbrios e descolorados. Ruas ladeadas por árvores nos passeios amplos e desobstruídos. O comercio é escasso e disperso.&lt;br /&gt;Gosto de ver como vivem os locais e é em subúrbios destes, aparentemente despovoados durante o dia, que vivem a maioria dos moscovitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo pela Pereyaslavskaya ulitsa até à rua da embaixada, onde regresso por volta das 12h. Tenho de aguardar novamente &lt;span style="font-style:italic;"&gt;autorização&lt;/span&gt; da secretária-recepcionista para subir as escadas. &lt;br /&gt;"Wait" - demora... o hall está ainda mais congestionado. Não imaginava um consulado português em Moscovo tão concorrido.&lt;br /&gt;"I'm expected!" - insisto irritado, já' sem qualquer paciência para aturar esta atitude que, a meu ver, é simplesmente intolerável e inconcebível onde quer que exista uma presença portuguesa. Tanto quanto sei (sou português...), &lt;span style="font-style:italic;"&gt;ninguém&lt;/span&gt; procura uma embaixada do seu país para &lt;span style="font-style:italic;"&gt;queimar&lt;/span&gt; tempo... do seu ou dos outros! Mas parece que estou enganado, a julgar por esta &lt;span style="font-style:italic;"&gt;barreira invisível&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt;Dez minutos depois, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;autoriza-me&lt;/span&gt; a subir...&lt;br /&gt;Entro novamente no gabinete do Sr.Moura e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;desabafo&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois, temos boas noticias... tudo não passa, afinal, de "falta de informação"! O controlo de entrada na Bielorrússia é suficiente. Estou legal!&lt;br /&gt;A secretaria fica maravilhada com os pormenores da minha viagem. Diz que também quer vir!! O Sr. Moura dá-me o seu numero de telemóvel particular e insiste que lhe ligue se tiver qualquer problema. Despeço-me, agradecido, destas pessoas maravilhosas (e que são o Portugal de muitos portugueses, tanto em Portugal como por esse mundo fora) que não teria tido oportunidade de conhecer não fosse ter estado "ilegal" por dois dias! Valeu a pena... mas agora é tempo de apreciar novamente a liberdade!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/fronteira-qual-fronteira.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/assalto-moscovo.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-6218415002090200975?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/6218415002090200975/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=6218415002090200975&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/6218415002090200975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/6218415002090200975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/08/liberdade.html' title='Liberdade!'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-1561160180601966571</id><published>2008-07-20T19:00:00.003+01:00</published><updated>2008-10-22T17:32:28.857+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eurásia 2008'/><title type='text'>Fronteira? Qual fronteira?!...</title><content type='html'>Saio do metro e emerjo numa larga avenida, a ulitsa Solyanka, poucos quilómetros a sul de Kitay-Gorod, o bairro adjacente ao Kremlin mais antigo de Moscovo.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/335166488_2aqWF-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand; width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/335166488_2aqWF-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Ligo novamente para a embaixada, mas sem sucesso. Ligo para Portugal. Arranjam-me um contacto do MNE e sou atendido por um segurança. Passa-me à emergência consular.&lt;br /&gt;Expliquei a situação à simpática senhora mas também não sabem o que devo fazer. São contudo prestáveis e dizem-me que vão tentar informar a embaixada em Moscovo e que me devo dirigir para o hostel e aguardar resposta. É sábado e o dia está espectacular. Como poderei aguentar um dia e meio de reclusão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego ao hostel. Fica no 4º e último andar dum edifício decadente, numa rua secundária junto à ulitsa Maroseyka. Daqui à praça vermelha são talvez 500m...&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/335166523_CxmXw-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/335166523_CxmXw-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;O quarto é pequeno e tem 4 beliches. Há mais 4 quartos iguais. Somos 40 hóspedes num apartamento de 150m2! Não sobra muito espaço para esticar as pernas.&lt;br /&gt;Os que se amontoam no exíguo hall de convívio não parecem muito simpáticos. A recepcionista é.&lt;br /&gt;Há dois frigoríficos (que parecem aquecer) de refrigerantes e cervejas. Nas paredes, cartazes exibem a velha propaganda comunista e forram uma parede por completo. Observo-os. Sempre gostei destes cartazes... e também das pinturas que costumavam fazer nas paredes. No Alentejo, onde cresci, recordo-me de ver muitas paredes decoradas com motivos políticos de esquerda. Não há marcas. Só icons: o proletariado, o herói do povo.&lt;br /&gt;Na outra parede, em oposição, publicitam-se hotéis noutros locais da Rússia e Ásia (que este é ponto de passagem para viajantes trans-siberianos), parcerias comerciais, agências de turismo... a Rússia já mudou. A alegoria popular do Agricultor-Herói e da Mãe-Rússia, que tudo dá, já cedeu o lugar ao oportunismo e faro comercial dos "novos" russos. O caminho é evidente: já foi trilhado. Agora seguem na senda do capitalismo desenfreado, imitando os serviços - e os preços - dos seus mais badalados vizinhos ocidentais. Na nova Rússia já há de tudo, a um preço... pois os russos já perceberam que agora é tempo de abraçar os hábitos ocidentais e lucrar com a globalização e abertura ao ocidente, com tudo o que de bom - e mau - ela acarreta.&lt;br /&gt;Contudo, não é surpresa que os maus hábitos sao os mais difíceis de perder... e os mais fáceis de adquirir. A nova revolução cultural segue o seu curso. Hoje inspiram capitalismo e expiram autoritarismo. Agora. Já. É este o tempo da Rússia.&lt;br /&gt;E que diria Lenine e Estaline se vissem esta nova Rússia? Talvez Estaline se torça na sua cova... pois Lenine é exibido no mausoléu e não há testemunhos que se tenha manifestado... até ao momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Umas horas mais tarde recebo a chamada de Portugal. Já informaram os diplomatas da embaixada e não podem fazer nada agora, tenho de aguardar por segunda-feira.&lt;br /&gt;"E se a policia me pede o passaporte?" - pergunto.&lt;br /&gt;"Talvez seja melhor aguardar no hotel..." - &lt;span style="font-style:italic;"&gt;sentenca&lt;/span&gt; de encarceramento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, conheço dois dos colegas de quarto. O Miguel e o Dominguez são galegos e estão lá a "estagiar" um mês, após um ano de curso de Russo em Espanha. Dizem que não se conseguem fazer entender - ou miguem os quer entender - e que acabam de ser interceptados pela policia... e que aquele papel rançoso que lhes deram no aeroporto, e que já tinham esquecido e (felizmente) enrodilhado no fundo das mochilas, afinal é importante e safou-os duma pesada multa... e de mais problemas.&lt;br /&gt;Saem para jantar e fico para trás. É melhor não arriscar... ainda agora comecei a viagem. Passo o que resta da tarde, e a maior parte da noite, a dormitar, a ouvir música e a ler.&lt;br /&gt;"Nunca mais é segunda..." - e o Kremlin ali tão perto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junto a roupa suja e peço que me a lavem. Cobram uma pequena fortuna, mas agora não tenho disposição nem paciência para actividades domésticas... nem quero aparecer na embaixada a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tresandar&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto à leitura e horas depois chega mais um hóspede...&lt;br /&gt;"Hi, my name is Luciano!" - exclama num sotaque inconfundível.&lt;br /&gt;"Viva! Sou o Miguel!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasileiro de São Paulo, médico, acabadinho de aterrar em Moscovo, vai ficar por aqui 5 dias e outros tantos em S. Petersburgo. Pousa a mochila e começa imediatamente a preparar-se para a noite!&lt;br /&gt;"Vou pegar ai uns clubes! Quero ver essas mulheres!!" - a recepcionista, curiosamente, deseja-lhe boa sorte.&lt;br /&gt;"Sacana!! A que horas devo ligar para a tua embaixada??" - brinco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De camisa havaiana, ar confiante e enérgico, sai para a noite moscovita.&lt;br /&gt;Leio durante mais algumas horas e adormeço novamente a ouvir musica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo. Não sei exactamente que horas são mas também não é relevante: ainda é domingo. Mais tarde, vejo que o relógio do telemóvel marca 9h20 mas já lhe perdi o rasto ao fuso horário.&lt;br /&gt;Os galegos já acordaram e o Luciano ainda dorme profundamente. Deve ter tido uma noite cansativa. &lt;br /&gt;Uso o PC do hostel e o relógio indica 11h30. É melhor, mas ainda assim é cedo. Pelo menos para quem vai passar todo o dia fechado no hostel...&lt;br /&gt;Quase cedo à tentação de sair, de me esquivar só ali ate ao Kremlin, quando ouço na recepção comentários acerca da "actividade policial" na praça vermelha.&lt;br /&gt;Não quero comprometer esta viagem. Não sei o que arrisco se me "apanharem". Espero. Nem tenho sentido muita fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deambulo preguiçosamente pelo hostel. Sento-me num sofá e pego num guia LP "Russia &amp; Belarus" que repousa sobre a mesa. Às tantas, deparo-me na pág. 720:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;&lt; Note that there is effectively no border between Belarus and Russia, so if you're arriving from Russia (on a train with final destination in Belarus) you may not encounter any border guards and in theory it is possible to enter and leave (back to Russia) without a visa. &gt;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto projectou alguma luz sobre o assunto. Afinal não fui controlado simplesmente  porque não há controlo! Mas, permanecia a duvida: então o que deve um viajante fazer? Porque me mandou o policia para trás, até Smolensk?? A embaixada também não sabe??&lt;br /&gt;Continuo a leitura e pego noutro guia, o LP "Eastern Europe", onde encontro na pág. 96:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;&lt; As we went to press, there was effectively no border between Russia and Belarus. In theory, it's possible to enter Belarus by train and leave it for Russia - or go to Russia and back from Belarus - without going through passport control, and therefore without needing a visa for the country you're sneaking into. However, a hotel won't take you without a visa, so you have to stay with friends or rent an apartment, and if your visa-less documents are checked on the street (unlikely unless you're a troublemaker or a person of colour), you will be deported. &gt;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cenário animador, portanto. Era informação um pouco mais explicita mas, ainda assim, muito lacónica. Continuava sem saber em que situação é que eu estava. Tinha visto para ambos os países... só não tinham sido validados, pensava.&lt;br /&gt;Passo o resto da tarde a carregar fotos e a navegar pela internet à procura de mais informação. Não encontro nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta das 18h30 regresso ao quarto e o Luciano já desapareceu. Entretanto devolvem-me a roupa lavada... e molhada. Estendo-a pelos beliches. Passo o resto do dia a ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os galegos regressam cansados. Hoje viram muita coisa. Foram ao Gorky Park e dizem que não vale a pena perder por lá tempo.&lt;br /&gt;Pouco depois das 21h, regressa o Luciano. Conta-me os detalhes da farra nocturna... quatro discotecas e não "pescou" nada. Recordo as palavras da recepcionista.&lt;br /&gt;Acordou já depois das 18h e foi passear pelas monumentais estações de metro. Admiro-me como conseguiu dormir tanto.&lt;br /&gt;Umas horas mais tarde, estende-me um cartão de visita: Luciano Rotella - Medicina do Sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, já arranjou programa para a noite. Andou a explorar as potencialidades do HC (Hospitality Club) e vai sair com uma amiga! "É isso aí, cara!!"&lt;br /&gt;O hostel, à semelhança do resto da cidade, está sem a vulgar àgua quente centralizada. Todos os anos, durante um mês quente - Julho ou Agosto - o sistema é desligado para «limpeza e manutenção». No hostel afixaram um cartaz que "promete" a instalação de uma caldeira «dentro de dois dias». Não sei precisar quantas semanas tem... mas tomei banho mesmo assim.&lt;br /&gt;O pessoal começa a encher o hostel. Vem um aroma agradável da cozinha. Surge mais um residente no quarto. Alto, cabelo longo, liso e negro, enormes patilhas e uma grande cicatriz no lábio superior que lhe dificulta a fala. O seu inglês é básico. Chama-se Giorgio e desvio o meu "estendal" para que possa fazer a cama.&lt;br /&gt;No hall um grupo de 7 pessoas diverte-se em torno dumas garrafas de vodka. A julgar pela forma como arrastam as palavras, já estão fresquinhos. É o que dá beber vodka sem "zakuski" (aperitivos, normalmente pickles, pão preto, carne ou peixe secos, etc)! Qualquer russo dirá que não se deve beber vodka sem "zakuski", senão acaba-se embriagado!!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto ao quarto e leio ao som da musica, até dormir. Amanhã, finalmente, acaba a minha "pena"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/era-uma-vez-na-russia.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/08/liberdade.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-1561160180601966571?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/1561160180601966571/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=1561160180601966571&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/1561160180601966571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/1561160180601966571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/fronteira-qual-fronteira.html' title='Fronteira? Qual fronteira?!...'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-907512196217587890</id><published>2008-07-19T11:00:00.003+01:00</published><updated>2008-10-22T17:32:28.858+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eurásia 2008'/><title type='text'>Era uma vez... na Rússia</title><content type='html'>Acordo cedo. O relógio indicava 5h00.&lt;br /&gt;Pela janela vejo um céu encoberto e carregado. Procuro referencias à medida que o comboio vai avançando mas sem sucesso. Está frio, nem apetece sair da cama.&lt;br /&gt;Esperava ter sido acordado a meio da noite para atravessar a fronteira entre a Bielorrússia e a Rússia... mas ninguém me acordou. Estranho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edifícios isolados e despojados, casas de madeira apodrecidas, industria abandonada e aquartelamentos bem mantidos, pintados em tons de verde, vão desfilando lá fora.&lt;br /&gt;Cruzamos estradas onde circulam viaturas antigas, ferrugentas, irreconhecíveis. Localidades pequenas e desoladas.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/335166384_yatf3-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand; width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/335166384_yatf3-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/335166410_E76m4-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 5px 5px; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand;  width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/335166410_E76m4-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estarei na Rússia? A duvida assalta-me. Tranquei o compartimento por dentro, como a assistente me indicou... terão os guardas vindo ao comboio e se "esquecido" de mim? Parecia-me inconcebível: "Isso não acontece. Não na Rússia..."&lt;br /&gt;Os corredores da carruagem estão desertos, não encontro a assistente.&lt;br /&gt;"Ainda é cedo... devemos estar um pouco atrasados." - aguardo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta das 8h40 chegamos aos arredores duma cidade. Não pode ser... a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;provodnitza&lt;/span&gt; aparece e diz-me que é Moscovo!&lt;br /&gt;"Moskva?" - exclamo!&lt;br /&gt;"Da!"&lt;br /&gt;"Passport control?? Stamp??" - tento. Mas a resposta é russa.&lt;br /&gt;Saio para a estação e estou mesmo em Moscovo. Há um mar de gente pelos extensos apeadeiros da Belorusskiy. Penso na situação.&lt;br /&gt;Do pouco que sei, não me parecia normal transitar entre dois países independentes sem ser controlado... muito menos, quando um deles é a Rússia.&lt;br /&gt;Procuro um policia e tento explicar a situação. Não fala inglês.&lt;br /&gt;Com algum esforço, entende o que pergunto. Fica agitado e manda-me comprar um bilhete para trás, para Smolensk, cidade na fronteira com a Bielorrússia. Escrevinha qualquer coisa no meu bilhete... não compreendo.&lt;br /&gt;"Bilyet...Smolensk" - repete!&lt;br /&gt;Não quero acreditar... afasto-me e infiltro-me na multidão. Ligo para a embaixada para tentar esclarecer a situação mas ninguém atende. Tento durante mais de uma hora e nada... é Sábado.&lt;br /&gt;Decido esgueirar-me para o hostel. Pode ser que lá alguém saiba o que aconteceu e o que posso fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compro alguns rublos e abandono a estação. Avanço pela Tverskaya ulitsa e desço ao metro. A estação e' deslumbrante mas... a minha concentração está investida num só pensamento: "Estou ilegal na Rússia?!..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/bordo-do-polonez.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/fronteira-qual-fronteira.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-907512196217587890?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/907512196217587890/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=907512196217587890&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/907512196217587890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/907512196217587890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/era-uma-vez-na-russia.html' title='Era uma vez... na Rússia'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-6414140553638493353</id><published>2008-07-18T22:12:00.008+01:00</published><updated>2008-10-22T17:32:28.858+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eurásia 2008'/><title type='text'>A bordo do "Polonez"</title><content type='html'>La' fora, desfilam os subúrbios de Varsóvia. A zona oriental da cidade é, curiosamente, mais cinzenta e sombria que a zona ocidental e a composição vai atravessando zonas industriais deslapidadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Privyet. Menya zavut Miguel." - estendo a mão na direcção do meu interlocutor, um jovem caucasiano de ar taciturno.&lt;br /&gt;"Oleg." - responde.&lt;br /&gt;"Gavareetyeh lee vy paangleeskee?" - pergunto (se fala inglês), praticamente esgotando os meus recursos de vocabulário russo...&lt;br /&gt;"Yeez... little."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim conheci o Oleg, um engenheiro bielorrusso de 33 anos, que vive em Brest com a esposa e o filho. Tecnologista-chefe numa empresa de fabrico de mobiliário, regressava de Hannover onde foi avaliar uma nova máquina para a fabrica.&lt;br /&gt;Conversámos, vimos fotos um do outro, trocámos ideias, fomos para o vagão-restaurante beber umas cervejas e jantámos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Zurek&lt;/span&gt;. Bebemos mais e discutimos as nossas percepções do mundo... como não poderíamos ter feito há apenas 20 anos.&lt;br /&gt;Quando regressámos ao compartimento, estava lá um russo de meia idade, baixo e redondo, a petiscar afincadamente... estranhei, pois o compartimento só tinha duas camas. Apresentei-me e o russo (esqueci-me do seu nome) respondeu num inglês bem pronunciado e surpreendentemente fluente.&lt;br /&gt;Não pude deixar de reparar nas folhas que tinha sobre a mesa, de onde reconheci algumas equações de electromagnetismo. É físico, e vem de uma conferencia qualquer na Alemanha.&lt;br /&gt;O Oleg recomenda-me cautela: a Rússia é perigosa. O Professor concorda... principalmente na Sibéria. Fico intrigado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois, chegámos à fronteira entre a Polónia e a Bielorrússia. A guarda polaca surge na porta do compartimento e controla os passaportes... minuciosamente.&lt;br /&gt;Estamos no limite da UE e o Oleg e o Professor são prontamente despachados. O meu passaporte detém-se nas suas mãos mais tempo. Procura identificar todas as seguranças. Faz muito bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado da fronteira, repete-se o aparato. Preencho a declaração aduaneira e o cartão de registo com a ajuda do Oleg. Entram e recolhem os passaportes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/335161092_jn8vF-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 0 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/335161092_jn8vF-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Meia hora depois estávamos a chegar a Brest. Troco contactos e fotos com o Oleg. Convido-o a vir a Portugal. Infelizmente, é como diz, "Not easy... very expensive...". Despedimo-nos. Espero que um dia o possa receber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A composição imobiliza-se no apeadeiro. O Professor dá-me alguns conselhos sobre a Rússia e despede-se também:&lt;br /&gt;"I'll be in the next compartment, if you need any help." - acrescentou.&lt;br /&gt;"Spaciba!"&lt;br /&gt;Após a entrada e saída dos passageiros, dirige-se para um enorme telheiro onde são trocados os eixos, isto porque os caminhos de ferro da ex-URSS e da Mongólia são mais largos que no resto do mundo.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/335162573_7LLtc-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/335162573_7LLtc-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;As carruagens são içadas uma a uma, os eixos "europeus" são removidos por uma das extremidades enquanto pela outra entram os novos eixos. O processo demora pouco mais de uma hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A assistente da carruagem traz-me os lençóis. É simpática e agitada. Fala comigo em russo como se eu percebesse cada palavra. Descodifico grosseiramente os seus gestos. Pede-me que tranque o compartimento por dentro, antes de dormir.&lt;br /&gt;Eramos três... Mas, afinal, vou passar a noite sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela janela, por entre a vegetação cerrada, mal vislumbro uma nesga da planura do horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/nas-asas-da-fenix-um-dia-em-varsovia.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/era-uma-vez-na-russia.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-6414140553638493353?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/6414140553638493353/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=6414140553638493353&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/6414140553638493353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/6414140553638493353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/bordo-do-polonez.html' title='A bordo do &quot;Polonez&quot;'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-1208939445338579472</id><published>2008-07-18T18:03:00.009+01:00</published><updated>2008-11-14T16:25:17.811Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eurásia 2008'/><title type='text'>Nas asas da fénix: um dia em Varsóvia</title><content type='html'>Acordo tarde. São 9h50 e o Dave já está impacientemente à minha espera! Tomo banho e arrumo a mala, que hoje também é dia de ir embora. Descemos a tempo de conseguir um pequeno-almoço medíocre. Já estamos atrasados que a menina quer "fechar a loja".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos para a velha cidade e fazemos aquilo que todos os turistas fazem. Visitamos o Castelo Real. Nós, que temos castelos mediavais, diríamos que aquela preciosidade é só um palácio... e que palácio! A resistência conseguir manter muitas das obras de arte do seu palácio real ao abrigo da guerra e dos nazis. É assim que hoje pudemos apreciar séculos da rica história polaca.&lt;br /&gt;Percorremos os restantes "pontos-quentes" e contemplámos a monumental escultura de homenagem aos homens e mulheres que preconizaram a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_de_Vars%C3%B3via"&gt;Revolta de Varsóvia&lt;/a&gt;. Vale a pena ler um pouco sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois almoçámos no restaurante "Zapiecek", numa das ruelas da velha cidade. Eu desfrutei de uma costeleta "Zapiecek" recheada de cogumelos, acompanhada de batatas polacas e uma cerveja. Apreciamos as vistas até perto das 14h30.&lt;br /&gt;Posto o repasto, aproximava-se o momento da despedida. O comboio partiria às 16h30 e ainda tinha de me deslocar para a zona oriental da cidade, onde fica a estação leste de Varsóvia, a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Wschodnia&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Regressámos ao hostel e recuperei a mochila. Comprei bilhetes para o eléctrico e autocarro e despedi-me do &lt;a href="http://downandoutinbkk.blogspot.com/2008/08/summer-lovin-euro-style.html" target="_blank"&gt;Dave&lt;/a&gt;, mais um daqueles seres humanos maravilhosos que temos oportunidade de conhecer pelos caminhos deste planeta. (Dave, if you're having trouble with the translation, I'm just saying here that you're a big pain in the ass, mate!! :o) )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei a estação sem saber bem que horas eram. Pensava ter cerca de uma hora até à partida. Procurei uma "máquina bagageira" e desfiz-me da mala para ir mais à vontade ao supermercado abastecer-me. Ao sair da estação, lembrei-me de olhar para o relógio do placard de partidas... tive um arrepio frio: são 16h25.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/335163421_2dJ83-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand; width: 350px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/335163421_2dJ83-S-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Só tive tempo de correr para a máquina, extrair a mochila e "sprintar" para o cais de onde estava prestes a partir o "Polonez", o comboio que faz a ligação a Moscovo.&lt;br /&gt;No meu compartimento, haviam duas camas. Sentado junto da janela estava um homem caucasiano, aparentando cerca de trinta anos, que imediatamente me fintou com um olhar desconfiado. O seu nome, Oleg...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/varsovia-fenix-da-europa.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/bordo-do-polonez.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ps: ainda não tenho fotos online do ultimo dia em Varsóvia. Um grande abraço a todos os que me tem, de uma forma ou outra, deixado votos de boa viagem. Felizmente tenho tido sorte. As minhas viagens são sempre boas... mesmo quando nas raras vezes em que alguma coisa corre mal: tudo se compõe!)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-1208939445338579472?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/1208939445338579472/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=1208939445338579472&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/1208939445338579472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/1208939445338579472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/nas-asas-da-fenix-um-dia-em-varsovia.html' title='Nas asas da fénix: um dia em Varsóvia'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-6543348838380078027</id><published>2008-07-17T19:00:00.022+01:00</published><updated>2008-10-22T17:32:28.859+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eurásia 2008'/><title type='text'>Varsóvia: a fénix da Europa</title><content type='html'>Renascida de cinzas. É assim que podemos descrever a capital polaca.&lt;br /&gt;Cheguei aos arredores de Varsóvia já perto das 11h. A noite foi terrivelmente curta e desconfortável... custa-me sempre acostumar às duras, estreitas e "irrequietas" camas do comboio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O país rural parece desolado. Há agricultura e alguma industria, mas a grande maioria das unidades fabris ao longo da linha férrea estão deslapidadas e corroídas.&lt;br /&gt;Sendo a minha primeira incursão na Polónia, não sabia bem o que esperar. Confesso que imaginava um país parecido com a Roménia. Apesar da sua rica história, esperava apenas mais um ex-satélite da URSS cuja cultura própria eventualmente se pudesse ter perdido na "escola soviética".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/335158178_kXf2T-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 0 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/335158178_kXf2T-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Chego aos arrabaldes da capital. Ao longe, no centro da cidade, distinguem-se vários arranha-céus de aspecto elegante. Mas um atrai particular atenção. Trata-se de um arranha-céus de traça Estalinista, semelhante às "sete irmãs" de Moscovo, e que foi oferecido pela antiga URSS à Polónia, como sinal de amizade. Hoje é conhecido como Palácio da Cultura e Ciência. Ao que consta, os polacos não gostam muito do edifício. Percebe-se porque... isto e', indiferente, ninguém fica! Ou se adora, ou se odeia... eu gosto, é diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego à estação Centralina e emerjo numa ampla praça rodeada de grandes edifícios espelhados. Há um movimento frenético de pessoas e viaturas. Não há' duvidas, "cheira" a leste! Apesar dum tal de Hard Rock Cafe ficar logo ali numa esquina movimentada. Os tempos são mesmo outros...&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/335158166_9pe4q-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/335158166_9pe4q-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mentalmente, já "gravara" o mapa da cidade. Sabia por onde ir para chegar ao hostel escolhido, um tal de "Oki Doki" junto à movimentada Swietokrzyska, não muito longe da velha cidade, a tal que foi completamente arrasada na fase final da segunda grande guerra. As longas e amplas avenidas guiaram-me atá ao Hostel em cerca de 20 minutos.&lt;br /&gt;Pelo caminho, passei por alguns parques onde jovens e idosos repousavam, bebiam cerveja ou comiam um gelado. Pareceu-me imediatamente uma cidade muito tranquila e transmitiu-me uma segurança enorme, como talvez nenhuma outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/335163303_AKqxh-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 0 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/335163303_AKqxh-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;O hostel fica no último andar de um edifício de escritórios. No hall, um enorme segurança guarda a porta com ar de (muito) poucos amigos.&lt;br /&gt;"Hostel" - digo. Anui suavemente com a cabeça.&lt;br /&gt;Subo as escadarias de pedra até à recepção e sou recebido por duas simpáticas polacas. Falam perfeitamente inglês e dizem-me que os quartos só estão prontos às 15h. Há uma sala de bagagem onde posso deixar a mochila até fazer &lt;span style="font-style:italic;"&gt;checkin&lt;/span&gt;. Perfeito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio novamente para as ruas novas da cidade. Volto à estação para comprar moeda e tratar já do bilhete para Moscovo. Tomo uma rota diferente e aprecio mais uma dose da descontracção do povo polaco. Vejo pessoas nas ruas a passear, a rir. Não vislumbro tristezas. Os passeios são largos, desimpedidos e sombreados por árvores, nos quais desfilam mulheres bonitas. Há uma cultura de boa aparência. O transito é intenso mas bem escoado pelas largas avenidas, algumas com dez faixas de rodagem! &lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/356428553_bzxrt-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 0 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/356428553_bzxrt-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Nos arredores da estação, procuro um Kantor (cambista). Na estação já tinha detectado uns quantos, mas oferecem sempre câmbios mais baixos do que noutras zonas com menos viajantes. E o que não falta em Varsóvia, tal como em qualquer outra capital fora da zona Euro, são cambistas. Uns mais legais que outros.&lt;br /&gt;Por fim, penso ter encontrado o "mais cotado" da zona e compro alguns zloty.&lt;br /&gt;Regresso à estação e dirijo-me à caixa internacional. A fila é longa...&lt;br /&gt;Passada uma hora tinha o bilhete Warszawa-Moskva na mão. &lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/335163381_93Yt7-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/335163381_93Yt7-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Vou dar uma volta. Deixo até ao rio ao longo da Swietokrzyska, uma avenida de edifícios sóbrios e cinzentos do pós-guerra. Depois sigo as margens pela Wybrzeże Kościuszkowskie até à Wybrzeże Gdańskie, ambas alinhadas por alguns edifícios de grande beleza, como a biblioteca da Universidade de Varsóvia (na foto), em cujas paredes foram representadas graficamente diversas áreas do conhecimento e outros, do início do século, que sobreviveram à guerra.&lt;br /&gt;Mas nada me poderia preparar para a velha cidade. Tanto mais que não me recordo de ter visto sequer imagens da mesma anteriormente. Ao chegar à Wybrzeże Gdańskie, fintando o rio do alto da colina, ergue-se o Castelo Real. Não o que foi reduzido a escombros durante a guerra, obviamente, mas a fiel reconstrução executada pelos polacos. E que vista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subo a Aleja Solidarności até à Plac Zamkowy e reconheço o local. Não como está, mas como foi representado no filme "O Pianista". Apanho exactamente a mesma perspectiva e imediatamente me vem à memória aquela ampla rua desnivelada, e completamente arrasada, que aparece na parte final do filme. Mas está como &lt;span style="font-style:italic;"&gt;nova&lt;/span&gt;, esplêndida! Perco-me maravilhado pelas ruelas antigas. Uma observação cuidada revela facilmente a idade dos edifícios. Não são realmente tão "antigos" quanto parecem... mas parecem, e isso é que importa!! Impressiona a dedicação e atenção ao detalhe com que os polacos reconstruíram o coração da sua cidade. Vislumbra-se o seu orgulho em cada recanto, em cada janela, em cada rosto. Valeu a pena, e ainda vale. Um pouco por todo o lado afinam-se detalhes, ultimam-se retoques, reerguem-se paredes que o trabalho não está ainda terminado.&lt;br /&gt;Fiquei encantado. Se já tinha gostado da cidade durante o pequeno passeio inicial pelo centro, apaixonei-me definitivamente após percorrer a Krakowskie Przedmieście! Vou voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regresso ao hostel pelas 16h, ainda extasiado mas completamente "estoirado". As últimas noites foram mal dormidas e levo vontade de descansar umas horas. A simpática polaca mostra-me a minha cama, num dos quartos do andar superior. É amplo com 3 sólidos beliches em madeira (os maiores que já vi) e uma cama individual. Fico no "R/C" do primeiro &lt;span style="font-style:italic;"&gt;mega&lt;/span&gt;-beliche. Gosto do quarto! Sou o seu primeiro residente do dia. Desço ao piso inferior para carregar algumas fotos pela internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta das 18h30 já mal abro os olhos. Volto ao quarto e encontro um tipo deitado numa cama. Falamos.&lt;br /&gt;Chama-se Dave, é australiano e psicólogo a trabalhar numa escola internacional em Bangkok, onde vive actualmente. Penso que simpatizámos imediatamente.&lt;br /&gt;Conversámos durante um bom par de horas, sobre viagens (inevitavelmente) e vida em geral, o que fez com que o meu cansaço "desaparecesse" momentaneamente.&lt;br /&gt;Fomos jantar a um restaurante concorrido na Nowy Swiat, o Zgoda Grill Bar, e deliciei-me com alguns pratos tipicamente polacos. Para começar, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Zurek&lt;/span&gt;, uma sopa rica de legumes com ovos cozidos e salsicha. Depois, carne de porco estufada com molho e acompanhada de uma espécie de massa caseira. Muito saboroso. Tudo isto acompanhado, claro esta', com cerveja da própria casa!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltámos ao hostel e fazemos serão no bar. Holandeses, alemães e ingleses deambulam pelo hostel. Bebemos umas cervejas e, por volta da meia-noite, lá vamos finalmente descansar.&lt;br /&gt;Esperava-me um dia em cheio para atacar, salvo seja, a velha cidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/caminho-de-varsvia.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/nas-asas-da-fenix-um-dia-em-varsovia.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-6543348838380078027?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/6543348838380078027/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=6543348838380078027&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/6543348838380078027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/6543348838380078027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/varsovia-fenix-da-europa.html' title='Varsóvia: a fénix da Europa'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-1483203306494959992</id><published>2008-07-16T19:00:00.007+01:00</published><updated>2008-10-22T17:32:28.860+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eurásia 2008'/><title type='text'>A caminho de Varsóvia</title><content type='html'>Seriam umas 19h30 quando cheguei a Colónia, ainda sob um belo sol de Verão. A estação central fica, justamente, no centro da cidade e foi num piscar de olhos que deixei o grosso da bagagem num cofre automático (inevitavelmente, la deixei também o grosso dos 5 euros que tinha na carteira) e me embrenhei nas ruas e ruelas da velha cidade.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/356099611_GmqkE-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand; width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/356099611_GmqkE-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;À saída da estação, ergue-se monumentalmente a velha catedral diante de nós. De proporções titânicas, as torres retorcem-se aparentemente até ao céu e o detalhe das facadas é simplesmente avassalador. As estreitas ruas antigas são pedestres e estão lotadas de comércio. Pessoas, já há poucas a esta hora. Dou uma longa volta e regresso à estação, já sob o breu da noite amena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estagno-me no hall principal a fintar o enorme placard electrónico onde anunciam as partidas.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/333527723_wXFkd-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/333527723_wXFkd-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Entre muitas, destaca-se (para mim) a do comboio 347, conhecido por &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Jan Kiepura&lt;/span&gt;, cujo destino anunciado no placard é Copenhaga, mas que eu já sei me levará para Varsóvia. Pelo menos a carruagem onde tenciono dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compro uma sandes de fiambre e vegetais e uma garrafa de 'agua e dirijo-me para o cais. Por volta das 22h25, o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Jan Kiepura&lt;/span&gt; desliza suavemente pela estação e imobiliza-se à minha frente. Subo a bordo e procuro o meu lugar.&lt;br /&gt;Ao fundo da carruagem, junto a uma das entradas (a que não tomei) fica a cama 25 que me foi designada. O compartimento mede talvez uns 10m3. Sim, é importante notar o seu volume, pois aqui os passageiros dormem em altura. O meu, é o 2º esquerdo.&lt;br /&gt;No rés-de-chão viaja uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;babushka&lt;/span&gt; com duas meninas pequenas, no 2º direito uma jovem simpática que arranha um bocadinho de inglês. Ambos os "apartamentos" do 1º andar estão (ainda) desocupados. À excepção vocês sabem de quem, os restantes "condóminos" são todos polacos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajar num espaço tão apertado com 4 mulheres não é fácil. Primeiro porque, apesar do comunitarismo, é sempre necessário proporcionar alguma privacidade. Segundo, porque num espaço tão exíguo e a "viver" tão "alto", as minhas dimensões tornavam-se hercúleas e não era com facilidade que ascendia ao 2º andar!&lt;br /&gt;Esperei que todas se deitassem antes de começar as minhas macacadas pelo pequeno escadote acima.&lt;br /&gt;Pela janela, o horizonte desfilava monotonamente. O ritmo relativamente lento, mas constante, das pancadas secas à passagem pelas juntas de dilatação dos carris, marcava a cadencia pela qual havia que afinar o relógio biológico. Aquele ruído - primeiro - incómodo, é depois o compasso que define os dias a caminho do oriente. E, quando nos sincronizamos com ele, tudo o resto se dilue na extensa linha diante de nós... e é nesse preciso momento, nessa fracção de segundo, que sentimos aquela descarga de liberdade que nos faz ter a certeza que estamos vivos. E que estamos bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/polska.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/varsovia-fenix-da-europa.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-1483203306494959992?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/1483203306494959992/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=1483203306494959992&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/1483203306494959992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/1483203306494959992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/caminho-de-varsvia.html' title='A caminho de Varsóvia'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-274832943625825419</id><published>2008-07-16T16:22:00.005+01:00</published><updated>2008-10-22T17:32:28.860+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eurásia 2008'/><title type='text'>Venha a Polska</title><content type='html'>Deixei Paris. A cidade luz, cosmopolita e universal, vaidosa e orgulhosa como nenhuma outra capital europeia, cambaleia por estas alturas ao timbre dos sotaques "yankie" e nipónico. Por todo o lado há centenas de jovens americanos e menos-jovens orientais que, aproveitando as férias (ou as reformas), invadem a Europa - para eles a França, Alemanha e Itália - para &lt;span style="font-style:italic;"&gt;torrar&lt;/span&gt; muitos dólares... seja qual for a tendencia cambial. Procuro evitar estas enchentes e sei que estou "imune", desde que me matenha afastado dos habituais locais de peregrinação.&lt;br /&gt;O hostel onde passei a noite, na Rue de Crimée - a 15min de metro do coração da cidade - está apinhada. No meu quarto, somos 5: dois brasileiros, dois norte americanos e eu. Um dos yankies, o Tom que aparenta pouco mais de 20 anos, anda a vaguear pela "Europa" (a tal) desde Janeiro.&lt;br /&gt;"And Portugal? Do you plan to go down there?" - pergunto.&lt;br /&gt;"Well... I've met two portuguese in Poland...".&lt;br /&gt;Nao decifro a resposta...&lt;br /&gt;Desço ao bar para beber um copo. Há garrafas de cerveja vazias espalhadas por todo o lado. A atmosfera tresanda ao odor azedo do álcool já destilado. Gargalhadas e gritos ecoam pelo amplo espaço repleto de malta jovem e cheia de vida. A cena parece-me saída duma qualquer série juvenil da TV norte-americana. Não fico, já não sinto grande motivação para isto.&lt;br /&gt;Volto para o quarto. Está lá o Tom e entretenho-me mais algumas horas a ler e a conversar, mais um daqueles diálogos vazios e inconsequentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que tente, acabo sempre "perdido" nos transportes públicos. Distraio-me com cartazes, mapas ou escritos e quando dou por mim já passou a estação pretendida! Quando aterrei em CDG, apanhei o suburbano B3 que tomaria até à Gare de L'Est mas... só "acordei" em Orsay... e porque me lembrei que em Orsay fica um outro aeroporto a sul do centro! Curiosamente, a pé, espanto-me constantemente ao encontrar o que procuro quase sempre à primeira. Basta-me passar os olhos por um mapa e, mesmo desconhecendo os nomes das ruas, acabo por depois ir lá ter direitinho. Foi assim que fui parar, milimetricamente, aos portões da embaixada bielorussa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma jovem na casa dos 30 anos, de feições eslavas muito bonitas, bem vestida e perfumada, lança-me os olhos azuis de trás do pequeno vidro da recepção. Pede-me o passaporte e folheia algumas páginas. Esboça uma careta e...&lt;br /&gt;"Ooohhh... Grand voyage! Hum?" - diz-me num francês cristalino.&lt;br /&gt;Espero que sim, respondo. Avalia a papelada que já trago preenchida e pede-me que aguarde alguns minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa tarde, após deixar a embaixada da Belarus (como a república gosta de ser chamada) já a palpitar de adrenalina, resolvi dar um saltinho à Gare du Nord e comprar a passagem para Varsóvia. Inevitavelmente, perdi-me algures pelo caminho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego à Gare du Nord. Gente de todas as cores, feitios e credos deambula pelo amplo e extenso terminal. Um enorme placard anuncia destinos domésticos e internacionais. Tiro algumas fotos. &lt;br /&gt;A maquina encrava, fica a mastigar uma foto... depois dá erro e indica que o cartão não esta formatado! Nem pensar!!! Não estou disposto a perder as fotos que tirei até aqui.&lt;br /&gt;Compro o bilhete para o comboio Thalis com destino a Colónia, onde farei a ligação ao "Jan Kiepura", o comboio que liga Colónia a Varsóvia durante a noite.&lt;br /&gt;Volto à pousada e tento alguns programas para recuperar dados, mas os PCs aqui estão demasiado restringidos para conseguir alguma coisa. Guardarei o cartão assim para tentar resolver em casa...&lt;br /&gt;Deixo a pousada e vou ao Forum Les Halles, onde há uma FNAC, para comprar um cartão novo. Tenho uma hora até à partida do comboio e vai ser apertado. Arrisco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compro um cartão e regresso à Gare du Nord. Faltam apenas 20 minutos para a partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/333528031_U8TSx-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/333528031_U8TSx-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Dou uma volta pelo exterior em busca de alimento. Acabo por comprar uma sandes de frango uma garrafa de água mineral num quiosque e retiro o bilhete da bagagem. Faltam 3 minutos. Aproximo-me do comboio e verifico o número da minha carruagem. É mais para o fundo... mais... mais... desato a correr! O comboio "grita" a partida... corro mais!!!&lt;br /&gt;A sequência de carruagens é enorme. Não é um, mas sim três comboios! Seguem juntos até Colónia, depois, cada qual o seu destino: Copenhaga, Praga e Frankfurt.&lt;br /&gt;Instalo-me e transpiro por todos os poros... já está! Agora sim, começou a longa marcha para Este!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/o-elo-que-faltava.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/caminho-de-varsvia.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-274832943625825419?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/274832943625825419/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=274832943625825419&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/274832943625825419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/274832943625825419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/polska.html' title='Venha a Polska'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-6116930700651190020</id><published>2008-07-15T12:01:00.004+01:00</published><updated>2008-10-22T17:32:28.861+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eurásia 2008'/><title type='text'>O elo que faltava...</title><content type='html'>Acordo pelas 8h dum dia aparentemente igual a todos os outros. Mas, felizmente, é só aparentemente. Na verdade estou em pulgas. Esta manha solarenga de dia 15 de Julho marca a partida para uma odisseia há muito por mim aguardada. Parto para Este.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia não é nova. Pelo menos, na minha mente, é quase tão antiga quanto as mais antigas memórias que guardo. O suficiente para que não me consiga lembrar de quando verdadeiramente eclodiu. Recordo aqueles noticiários dos anos 80, sentando em frente ao televisor a preto e branco dos meus avós, com menos de uma década de vida e da curiosidade que me despertavam as noticias vagas que passavam pela "cortina de ferro". Lembro-me também daquelas imagens de foguetões, satélites e cosmonautas com a insígnia CCCP. Mas que "mundo" e' este? Que pessoas são estas? Como conseguem estes feitos grandiosos? Como os conhecemos e porque os receamos? Talvez receemos o desconhecido... Foram questões que sempre ecoaram na minha cabeça. Lembro-me também, perfeitamente, da bombástica noticia de abertura dum noticiário numa tarde de Novembro de 1989, em que anunciavam a queda do muro de Berlim. Abria-se uma brecha na cortina. Recordo-me da felicidade das pessoas em poder atravessar, sem o risco duma rajada de metralhadora, uma fronteira fictícia num país que sempre foi uno. Recordo tanta coisa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os únicos preparativos que tive tempo para fazer foi obter vistos e comprar algum equipamento necessário. O resto, far-se-á pelo caminho, que os últimos dias foram extenuantes... o que uma pessoa não faz por uma magras semanas de férias.&lt;br /&gt;Arrumo a mala à pressa que o meu amigo Nuno vem-me buscar ao meio-dia, para me levar ao aeroporto. Destino: Paris.&lt;br /&gt;Não estava previsto voar, mas faz-me falta o visto de transito da Bielorrússia, a embaixada mais próxima é lá, tem horários apertados e já não há tempo - nem nervos - para arriscar um envio postal. Tive de telefonar uma semana inteira até conseguir falar com alguém. Assim que me disseram que me passavam o visto na hora, decidi-me. Passei lá pessoalmente e já tenho o visto no passaporte: o elo que faltava.&lt;br /&gt;Já fiz, noutras ocasiões, a linha Lisboa-Paris. Por isso, este curto imprevisto não belisca o objectivo central. Esta tarde embarco rumo a Varsóvia, onde chegarei amanhã pela manhã. Depois... bem, depois segue a marcha rumo a este. Afinal, o que me motiva é a viagem, não o destino. Bem... esse, se interessar a alguém, é Hong-Kong.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/311044585_QTgkk-L.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/311044585_QTgkk-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/polska.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-6116930700651190020?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/6116930700651190020/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=6116930700651190020&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/6116930700651190020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/6116930700651190020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2008/07/o-elo-que-faltava.html' title='O elo que faltava...'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-5188964443791337732</id><published>2007-07-26T18:07:00.000+01:00</published><updated>2008-02-06T02:11:03.844Z</updated><title type='text'>Benvindo!</title><content type='html'>Se chegou até aqui, é porque gosta de viajar.&lt;br /&gt;Como eu gostará de visitar, ainda que fugazmente, lugares que lhe são desconhecidos e de conhecer outras culturas e sapiências, outras formas de aprender, de encarar a existência e também de ler as crónicas de quem, como você, viaja.&lt;br /&gt;Por isso, escolhi esta forma de divulgar algumas das memórias que tenho escrito sobre as minhas mais recentes viagens.&lt;br /&gt;Não são, ainda, sobre lugares inóspitos, longínquos ou remotos. São quase todas sobre destinos próximos, acessíveis e mundanos mas que, quando abordados de uma perspectiva menos convencional, poderão tornar-se lugares exóticos e deslumbrantes ao alcance de poucas horas de voo ou alguns dias de condução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo disponível é muito limitado e tenciono continuar a escrever sobre a minha segunda incursão em Marrocos. Já foi em Abril/Maio de 2006 mas, felizmente, guardo as memórias como se tivesse regressado ontem.&lt;br /&gt;Tratou-se de uma viagem em moto com pouco mais de 5000Km de extensão, dos quais 3100Km foram feitos sobre pistas de terra, pedra, areia e pó. Não fui a solo - na verdade nunca estamos sozinhos. Pelo contrário, fui na boa companhia de mais quatro companheiros do &lt;a href="http://www.nomadstrail.net" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Nomad's&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Espero terminar este relato assim que o tempo e inspiração o permitam. Entretanto, convido à leitura &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/de-regresso-frica.html"&gt;do que já foi escrito&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na calha tenho também já um rascunho geral sobre outra viagem que fiz, em Setembro/Outubro de 2006, aos recantos da Europa de Leste. Foram dias felizes que me levaram desde Lisboa, de moto e a solo, à deriva até Istambul, passando por cidades tão emblemáticas como Praga, Budapeste, Brasov ou Dubrovnik, através de países como a Eslováquia, Roménia, Bulgária, Macedónia ou Albânia de entre um total de 20. Espero ter tempo para relatar esta maravilhosa experiência em breve. Os mais ávidos poderão encontrar as galerias de fotos desta viagem &lt;a href="http://deus.smugmug.com/Travel/455446" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Fevereiro de 2007 regressei a Marrocos pela terceira vez. Desta feita para homenagear o Elmer Symons, motard falecido durante a última edição do rally Dakar. Sobre este empreendimento já o meu caro amigo Carlos Martins teve a excelência de escrever. Poderão encontrar o seu relato, bem como os apontadores para as galerias de fotos, &lt;a href="http://www.ateaofimdomundo.net/keep_it/keep_it_content.html" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, aproveitando a rara disponibilidade de 4 dias, dei uma volta pela vizinha Andalucia, redescobrindo esta região que muito tem para oferecer. Desde o esplendoroso Alhambra em Granada, ombreado pelos picos reluzentes da Sierra Nevada sobre o mágico bairro de Albaicín, até aos recantos pitorescos da inexpugnável Ronda, há muito para apreciar nesta região espanhola. A escassas horas de viagem, convido-o a partir também à descoberta. Como "apetizer", &lt;a href="http://deus.smugmug.com/gallery/4277151" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; lhe deixo umas fotos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, penso que existam algumas razões para que aqui dispense uns minutos do seu tempo. Espero que os considere como bem empregues e se sinta também tentado a partir por aí... à descoberta deste nosso pequeno ponto azul!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço e boas viagens!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-5188964443791337732?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/5188964443791337732/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=5188964443791337732&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/5188964443791337732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/5188964443791337732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2007/07/benvindo.html' title='Benvindo!'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114702772755595214</id><published>2006-05-01T19:48:00.011+01:00</published><updated>2008-10-22T17:33:54.872+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2006'/><title type='text'>Dia 18: De Moutbanc a Foum El Hassan</title><content type='html'>Fui o primeiro a acordar para uma bela manhã primaveril, poucos minutos faltavam para as 7h. De alguma forma as escassas horas que descansei surtiram o efeito revitalizador duma bela noite de sono. Fui calmamente arrumando as coisas enquanto, à vez, os restantes companheiros despertavam para um novo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi antes das 9h que o roncar grave dos motores inundou a atmosfera silenciosa do oásis de Moutbanc. Deixámos o palmeiral e progredimos ao longo duma pista bem marcada pela caravana do Dakar.&lt;br /&gt;Escassos quilómetros depois passávamos na proximidade da povoação de Mlalig e decidimos aproveitar para repor as reservas de pão e água. Tencionámos descobrir pistas que nos levassem até Assa e, à descoberta, poderíamos demorar até três dias a lá chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68689699_7DYQi-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68689699_7DYQi-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Retomámos a pista inicial e, velozmente, seguímos para sudoeste - o azimute de Assa - ladeados pelo Jbel Bani e o Adrar N Giliz. Passámos alguns quilómetros a sul de Touzounine e a pista, progressivamente, tornou-me mais estreita, acidentada e degradada, com grandes pedras pontiagudas que emergiam do solo. Circular fora de pista seria perigoso, para não dizer impossível. Tudo à nossa volta era lunar: rochoso, sólido e seco. Apenas alguma vegetação rasteira desmentia a esterilidade deste lugar.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68578529_j45rR-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68578529_j45rR-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;De que tivéssemos conhecimento - e particularmente o Quim, cujo conhecimento cartográfico não é de forma alguma menosprezável - não haviam pistas transitáveis a sul de Akka que nos permitissem fechar uma ligação entre Merzouga e Assa sempre - na medida do autorizado - junto à fronteira. Tal era possível entre Merzouga e Akka mas a partir dai a única alternativa à estrada alcatroada para Foum-el-Hassan ficava a norte da mesma. Estávamos portanto motivados com a perspectiva de encontrar o elo em falta nesta ligação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vale foi-se estreitando até que vislumbrámos mais um obstáculo.&lt;br /&gt;Intransponível. Foi o que constatámos na curta conversa com os militares. Aproveitando a estreita amplitude do vale, o exército ergueu um muro de pedra com cerca de um metro de altura, "fechando" a passagem para sul e instalando um posto de controlo que interditava qualquer circulação naquela zona. Para lá da corrente enferrujada que nos barrava a progressão, estendia-se a zona militarizada fronteiriça e, para lá desta, território argelino.&lt;br /&gt;À medida que nos aproximamos do Sahara Ocidental, o controlo militar junto da fronteira intensifica-se. Esta região foi(é?) zona de conflito com a Frente Polisario e fica na área de influência de Tindouf(Argélia), reconhecida como "capital" da Frente Polisario e do governo sarahui no exílio.&lt;br /&gt;Após o já habitual controlo dos passaportes, e absoluta irredutibilidade dos simpáticos militares quanto ao sentido da nossa progressão, lá voltámos para trás.&lt;br /&gt;Come se não bastasse o contratempo, ainda arranjei forma de furar a roda da frente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante vários quilómetros avaliámos alternativas e tentámos caminhos, sem grande sucesso. Não havia hipótese. Pistas, só mesmo a norte do asfalto, que se confirmava então como a via mais próxima da fronteira.&lt;br /&gt;Prosseguimos escassos quilómetros até que encontrámos uma pista que seguia para norte. Afastava-nos da fronteira... mas a verdade é que o asfalto não era caminho que nos agradasse. E a pista encontrada tinha muito bom aspecto! Mantinha-se a característica lunar do terreno, mas agora, com alguns palmeirais dispersos.&lt;br /&gt;E foi num deles, escassos quilómetros pela pista afora já sob um sol escaldante, que decidimos parar para almoçar.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68579079_giNvw-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68579079_giNvw-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Aproveitei o conforto soalheiro do local para cozer mais umas espirais de massa, que misturei com uma lata de lulas e atum. Um repasto caprichado!&lt;br /&gt;Após talvez uma hora de lazer, continuámos a progressão. Pouco depois, a AT do Jacinto entrava na reserva. Mediante a incerteza da direcção e dimensão da pista, apontámos o azimute a Foum El Hassan onde já sabia que existia gasolina embarrilada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pista revelava-se espectacular, muito dura mas suficientemente cénica e com algumas dificuldades para nos manter empenhados na condução. Por vezes até demais, forçando ritmos de progressão bastante «competitivos»! Eu e o Jacinto íamos «picados»! Fantástica a sua destreza para quem tinha muito pouca experiência de verdasca com uma moto deste calibre!&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68579393_DgQwg-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68579393_DgQwg-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68579758_3koXd-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 5px 5px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68579758_3koXd-S.jpg" border="0" alt="";/&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68586371_QZwNo-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68586371_QZwNo-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, foi a vez do Tiago furar também a roda da frente, à passagem por uma pequena povoação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/71587453-O.jpg"&gt;Percurso do dia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-17-do-oued-el-mellah-moutbanc.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href=""&gt;Continua...&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114702772755595214?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114702772755595214/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114702772755595214&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702772755595214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702772755595214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/05/dia-18-de-moutbanc-foum-el-hassan.html' title='Dia 18: De Moutbanc a Foum El Hassan'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114702769604334336</id><published>2006-04-30T19:47:00.001+01:00</published><updated>2008-10-22T17:33:54.873+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2006'/><title type='text'>Dia 17: Do Oued El Mellah a Moutbanc</title><content type='html'>Deixámos as margens calmas do Oued El Mellah já passavam as 10h30. Seguimos para sudoeste, em aproximação à zona fronteiriça, ao longo das pistas rápidas e bem marcadas do Dakar.&lt;br /&gt;A paisagem era maioritariamente plana, seca e pontuada regularmente por acácias. Em algumas zonas mais baixas, tendencialmente mais húmidas, a concentração desta espécie era substancialmente superior. Isso constituía também uma ameaça à progressão pois os seus espinhos, rijos e longos, caem e espalham-se por toda a parte.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68568642-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68568642-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Tínhamos rolado cerca de meia hora quando o Luís Ferreira, à minha frente, pára com a roda da frente furada.&lt;br /&gt;O calor do Sol não dava tréguas e, com cuidado, encostámos as motos à sombra das acácias para dar início à operação de reparação que se prolongaria, calmamente, por cerca de hora e meia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguíamos para oeste e não demorámos mais de 20 minutos a alcançar o primeiro controlo militar do dia. No local, já aguardavam 4 ou 5 jipes com matrículas europeias e vários TTuristas. O posto, uma pequena barraca de adobe com telhado de madeira e canas, ficava no cruzamento de várias pistas. A azáfama era grande.&lt;br /&gt;Os militares reuniam os passaportes e comunicavam a informação via rádio para o posto de controlo seguinte. Depois indicavam qual a pista que, obrigatoriamente, deveríamos seguir.&lt;br /&gt;Após 10 minutos, deram-nos ordem para prosseguir. Avançámos pela pista indicada, azimute sudoeste, quando o que realmente pretendíamos era seguir por outra mais para sul. Mas não deixaram. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;C'est interdit&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerca de meia hora depois, através duma zona estreita e arenosa, chegámos ao &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Oued Moudils&lt;/span&gt;. A vegetação circundante oferecia o agradável abrigo para almoçar.&lt;br /&gt;Deslocá-mo-nos ao longo do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;oued&lt;/span&gt; para nos afastarmos da pista. Em breve passariam as restantes viaturas e não precisávamos de os estorvar!&lt;br /&gt;Sentado à sombra duma enorme acácia, enquanto discutíamos já o futuro da expedição, saciei-me com uma conserva de lulas recheadas e outra de atum com tomate. Como sobremesa comi uma laranja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia passado em Foum-Zguid tinha um preço. Não foi causa única, mas consolidou as nossas certezas de que já não teríamos tempo para chegar a Smara, no Sahara Ocidental. Discutíamos, portanto, o que fazer daqui para a frente.&lt;br /&gt;Havia alguma divergência entre duas alternativas: continuar a seguir a rota traçada ou reformular a rota, apontando desde já para Norte.&lt;br /&gt;Acordámos em seguir a rota planeada o mais possível. Pessoalmente, tinha alguma esperança de conseguir forçar o andamento e ainda alcançar Smara. Mas seria difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarenta minutos depois, estávamos em movimento. A pista começava a apontar para noroeste, desviando-nos do nosso azimute e afastando-nos da fronteira. Eram umas 15h45 quando chegámos a posto militar seguinte. Controlaram novamente o passaporte, comunicaram com o outro posto e deixaram-nos prosseguir.&lt;br /&gt;Por volta das 16h30 chegámos a uma encruzilhada. À nossa esquerda, uma pista bem marcada seguía para sul. Achámos que poderíamos seguir por ali. Tinham-nos ordenado que seguíssemos por aquela pista, mas não nos disseram até onde! A somar, ali não havia qualquer controlo nem outras informações que pudessem indicar que se tratava de uma pista interdita. E por ali seguimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não demorámos muito a chegar. Foram talvez 10Kms. À nossa frente, edificado junto ao sopé de um monte, ladeado de muros de pedra pintados e composto de vários edifícios e casernas, estendia-se um quartel militar. O perímetro parecia deserto, embora a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;muralha&lt;/span&gt; que se erguia diante de nós nos impedisse de enxergar o que se passava do outro lado. Sem parar, divergimos da pista principal, tentando passar despercebidos e contornar aquele enorme monte de terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem saída. Estávamos num enorme beco. Detrás do monte saem meia dúzia de militares a correr, e a gritar, na nossa direcção. Alguns de chinelos, poucos de farda, outros empunhando a AK47, as famosas &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Kalashnikov&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parámos, desligámos os motores e aguardámos instruções. Um militar jovem, de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;t-shirt&lt;/span&gt;, calças de fato-treino e havaianas, aparentemente o mais graduado do grupo, dirige-se a nós ofegante, irritado e ordena-nos que o acompanhemos. Seguimos lentamente sob escolta até próximo da entrada para as trincheiras ocultas atrás do monte. Oferece-nos chá, que recusamos educadamente. Ordena-nos que aguardemos e desaparece. Os restantes, os das AK47, ficam junto de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados escassos minutos regressa já com farda, botas e óculos escuros estilo aviador. Aponta para o quartel, que distava cerca de um quilómetro, e ordena novamente que o sigamos. Oferecemos-lhe boleia e ele senta-se à pendura de uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Africa Twin&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Lentamente aproximá-mo-nos do quartel. À chegada o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;comandante&lt;/span&gt; salta de cima da AT, ainda com a moto em movimento, e ia-se estatelando no chão. Não consegui conter o momento cómico. Recompõe-se, retira os óculos, sacode a cabeça, pede os passaportes, ordena que aguardemos e afasta-se rapidamente para um dos edifícios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À nossa volta vão-se juntando mais alguns militares, curiosos com a nossa presença e com as motos.&lt;br /&gt;Cerca de um quarto de hora depois, regressa acompanhado de um oficial mais velho. Aparentava cerca de 50 anos, talvez coronel, era baixo, obeso, muito lento... física e mentalmente.&lt;br /&gt;Insistia em saber como tínhamos ido ali parar. A nossa explicação era rápida e simples mas, apesar do auxílio do jovem &lt;span style="font-style:italic;"&gt;comandante&lt;/span&gt;, teve algumas dificuldades em perceber. Depois, com a situação clarificada, instalou-se o ambiente amigável. Anotaram os dados do passaporte, matrículas das motos e deram-nos instruções para regressarmos à pista de onde tínhamos divergido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68570772-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68570772-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Despedi-mo-nos e partimos para Norte. Cerca de 4Kms depois, já sem o aquartelamento à vista, divergimos novamente da pista em direcção a Oeste.&lt;br /&gt;Subimos a uma região planáltica com cerca de 6Kms de largura, chamada &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Adtiliya&lt;/span&gt;, para lá da qual na divisávamos passagem. Parámos as motos por instantes enquanto contemplávamos a grandiosidade do vale que se estendia diante de nós.&lt;br /&gt;O Quim, do alto do penhasco, fintava o horizonte em busca de alternativas. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;El Capitan!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68571804-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68571804-L.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Durante alguns quilómetros andámos à procura de caminhos até que, já no outro lado do vale, encontrámos novamente a pista do Dakar! Estava cheia de regos profundos e irregulares o que indicava que, na altura em que foi percorrida, se deveria assemelhar a um pântano e deve ter sido um autêntico calvário para os participantes da prova. Também não tinha nenhum aspecto de ter sido utilizada recentemente. Seguimos ao longo da pista para Sul paralelamente, a cerca de 6Kms de distância, à estrada entre Tata e Akka.&lt;br /&gt;Parámos junto ao oásis de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Si Al Mahdawi&lt;/span&gt;. Eram cerca das 18h30. O Sol já estava baixo mas tínhamos ainda uma hora de luz para encontrar local de acampamento.&lt;br /&gt;Após alguns minutos de descontracção a coluna prosseguiu novamente. Continuámos a progredir para Sudoeste. A pista descrevia um enorme &lt;span style="font-style:italic;"&gt;S&lt;/span&gt; enquanto subia por uma encosta acima, através duma estreita trialeira completamente escavacada pelos rodados dos camiões.&lt;br /&gt;Depois continuava ao lado do planalto de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Al Ghans&lt;/span&gt;. Por esta altura já tinha me tinha deixado para trás, para manter a distância do resto do grupo que me permitia evitar o pó e acelerar ao meu belo prazer!&lt;br /&gt;Ao cabo de uns 10Kms cheguei a uma encruzilhada com outra pista à direita. Não vi ninguém e, como tal, segui em frente. Ainda não tinha passado um quilómetro quando começo a ouvir alguém a gritar. Pela encosta adjacente abaixo, corria um militar marroquino na minha direcção. Imagino que tenhamos colocado as tropas fronteiriças todas em alerta vermelho! Tal foi a quantidade de vezes que comunicaram por rádio a nossa localização que já todos deviam saber que por ali andavam uns tipos de moto a tentar furar o cordão de segurança! Parei a moto e aguardei.&lt;br /&gt;- "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Où allez-vous?&lt;/span&gt;" - exclamou, ofegante.&lt;br /&gt;- "Je vais avec mes amis! Les avez-vous vus?" - respondi, tentando confirmar se teriam seguido em frente.&lt;br /&gt;- "Oui. Ils sont allés de cette façon!" - respondeu, apontando em direcção à outra pista mais atrás.&lt;br /&gt;- "Merci! Au revoir!" - e pus-me &lt;span style="font-style:italic;"&gt;a milhas&lt;/span&gt; antes que perdesse o factor "surpresa" e o militar começasse a pedir documentos!&lt;br /&gt;Dez minutos depois, encontrei o restante grupo já parado junto ao oásis de Moutbanc.&lt;br /&gt;Eram quase 19h30 e decidimos instalar ali o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;bivouac&lt;/span&gt; no meio do palmeiral. &lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68575781-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand; width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68575781-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68577040-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 5px 5px; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand;  width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68577040-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Montámos as tendas à medida que a noite ia caindo. Entretanto comentava com o Jacinto que me estava mesmo, mesmo, mesmo a apetecer uma cola geladinha! A localidade estava ali ao lado, a 3Kms de pista mais 15Kms de asfalto, e não resistimos! Pegou na moto dele, montei-me &lt;span style="font-style:italic;"&gt;à pendura&lt;/span&gt;, e lá fomos nós a caminho de Akka em busca duma cola fresquinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegámos a Akka em boa hora! As ruas fervilhavam de vida e o café abarrotava de locais, em torno de um televisor, a ver um jogo de futebol! Sentei-me numa das mesas da esplanada enquanto o Jacinto foi buscar as colas. Imediatamente, aborda-me uma jovem &lt;span style="font-style:italic;"&gt;relativamente abonada&lt;/span&gt;, envergando um top e umas calças de ganga justinhas, munida de um discurso, no mínimo, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;radical&lt;/span&gt;...&lt;br /&gt;Ninguém se parecia importar muito com a questão. Mas não deixei de estranhar a exibição de tais comportamentos em público. Talvez o preconceituoso afinal tenha sido eu... pois, decididamente, não esperava presenciar tal exibição em plena praça duma pequena e esquecida localidade do sul! Mas presumo que também ali ninguém estaria à espera de ver, àquelas horas, dois estrangeiros a chegar à localidade, de t-shirt e chinelos, montados numa moto e sem qualquer bagagem.&lt;br /&gt;O Jacinto regressou com as colas e o assédio continuou durante mais alguns momentos.  Pouco depois fartou-se da nossa indiferença e foi à sua vida. Aproveitámos depois para comprar algumas guloseimas para levar connosco: café, massas, chocolates, tabaco e mais uma garrafa de 2ltrs de cola fresquinha!!&lt;br /&gt;Já com as compras aviadas, regressámos ao acampamento para tratar do jantar. Cozi um punhado de massa espiral e acompanhei com o inseparável atum com tomate.&lt;br /&gt;Tomámos um café, conversámos durante algumas horas, diverti-mo-nos com mais algumas histórias do infindável repertório de peripécias do Quim e, satisfeitos, fomos descansar!&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ahhh, aquele céu!...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68689082-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68689082-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/71587398-O.jpg"&gt;Percurso do dia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-16-espera-em-foum-zguid.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/05/dia-18-de-moutbanc-foum-el-hassan.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114702769604334336?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114702769604334336/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114702769604334336&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702769604334336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702769604334336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-17-do-oued-el-mellah-moutbanc.html' title='Dia 17: Do Oued El Mellah a Moutbanc'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114702766320689981</id><published>2006-04-29T19:47:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:33:54.873+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2006'/><title type='text'>Dia 16: A espera em Foum Zguid</title><content type='html'>Quando acordámos, a nossa primeira preocupação foi saber o estado do joelho do Bruno. Todos sabíamos que o programa do dia dependia exclusivamente da sua recuperação.&lt;br /&gt;Infelizmente, não estava melhor. O joelho inchou bastante durante a noite e o Bruno tinha uma mobilidade muito limitada na articulação.&lt;br /&gt;Restava levantar acampamento e seguir viagem para Foum-Zguid. Lá, o Bruno trataria de contactar o ACP e solicitar a assistência em viagem para resolver o problema. Não estava em condições de conduzir, portanto teria de ser repatriado, bem como a moto.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68561412-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68561412-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Eu cá tinha outras ideias. O Camelbak com todos os meus documentos não tinha reaparecido e estava, obviamente, determinado em encontrá-lo. Tinha a certeza que o tinha comigo quando chegámos ali. Mas, nestas situações, rapidamente descobrimos que até as mais sólidas certezas se esfumam.&lt;br /&gt;Iria voltar atrás na pista até o encontrar, nem que tivesse de regressar ao local onde tínhamos acampado na noite anterior. E tinha que ser já. Antes que passasse mais gente pelas pistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando já nos preparávamos para arrancar...&lt;br /&gt;- "De quem é esta mochila?" - pergunta o Bruno.&lt;br /&gt;- "HAHHHHH!!!" - exclamei, como se me tivessem tirado uma tonelada de cima.&lt;br /&gt;Aquando do transporte do equipamento para o local, alguém agarrou no Camelbak e colocou-o inadvertidamente sob os pertences do Bruno. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Salvo pelo sino...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram cerca das 9h30 da manhã e a temperatura já estava escaldante. Antes de arrancar encharquei o vestuário na água do rio. Com a circulação de ar, durante o movimento, mantemos uma agradável sensação de frescura.&lt;br /&gt;Partimos rumo a norte, em direcção à estrada entre Tata e Foum-Zguid, por uma pista estreita e com muita pedra irregular. Cerca de 25Kms depois alcançávamos o asfalto e acabava a tortura do Bruno. Daqui para a frente toleraria melhor a condução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta das 11h00 chegámos em Foum-Zguid. Já cá tinha estado o ano passado e conhecia razoavelmente a localidade, o oásis e o antigo quartel militar da Legião Estrangeira. Foum-Zguid nasceu da grande importância estratégica da localização geográfica que ocupa num desfiladeiro que atravessa o imponente &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Jbel Bani&lt;/span&gt; protegendo, num fértil vale onde confluem os &lt;span style="font-style:italic;"&gt;oueds Lamhamid&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Hmidi&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;El Faija&lt;/span&gt;, os avanços de salteadores vindos do deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reunimos à volta dumas mesas na esplanada do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Café La Liberté&lt;/span&gt;, na praça principal, e o Bruno de imediato inicia o previsivelmente moroso processo de repatriamento. Alternando entre os sumos de laranja e as colas, preenchemos o que restava da manhã. Os contactos telefónicos do ACP eram constantes e, num deles, informaram o Bruno que estavam com dificuldades pois a empresa de reboques marroquina exigia um pagamento de 600€! Ora, o problema era deles. Essa, é a sua responsabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a hora de almoço. Hoje não dependíamos dos enlatados! Para mim, mandei vir &lt;span style="font-style:italic;"&gt;brochettes du viande avec frites&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Acabámos de almoçar e ainda não havia dados concretos sobre a chegada da assistência.&lt;br /&gt;Também havia alguma dúvida sobre o repatriamento do Bruno uma vez que o seu pai, o Frazão Duarte, andava também por Marrocos com uns amigos e talvez conseguisse boleia para Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente chegam as notícias que todos aguardávamos. O táxi que levaria o Bruno até  à fronteira espanhola já estava a caminho, bem como o auto-reboque que levaria a moto a Casablanca, de onde seria repatriada. Agora era só uma questão de tempo até chegarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitámos para dividir entre todos a gasolina que a XR ainda tinha no seu enorme depósito. Depois, e já que estávamos numa localidade, aproveitámos para atestar as reservas de autonomia. Assim evitaríamos passar por Tata e seguiríamos o mais possível junto à fronteira.&lt;br /&gt;Comprámos o pão, água e algumas peças de fruta. Depois, à vez, fomos à estação de serviço à entrada da localidade para atestar os depósitos, os jerricans e efectuar alguma manutenção básica, como lubrificar a corrente e limpar o filtro de ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentava apenas limpar bem a corrente. Na falta de mangueira de água na estação de serviço, recorri à mangueira de ar comprimido, com o qual tentava remover o máximo de poeira e detritos antes de colocar o lubrificante. Como tenho o descanso central, é muito mais fácil colocar a moto a trabalhar e engatar a primeira velocidade.&lt;br /&gt;Enquanto executava a operação, distraidamente, a mangueira tocou no pneu e ficou presa num dos tacos, começando a enrolar descontroladamente em torno do eixo da roda. Antes que tivesse tempo de me erguer e desligar o motor, já a mangueira tinha esticado e arrancado violentamente os frágeis apoios que fixavam os tubos de ar, estes metálicos, à parede! &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Opppsss...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consegui desenrolar aquele imbróglio da roda e ainda disfarçar os estragos nas fixações antes que alguém desse por isso. Terminei a limpeza, lubrifiquei a corrente. Soprei o filtro de ar e voltei ao nosso &lt;span style="font-style:italic;"&gt;quartel-general&lt;/span&gt; na esplanada da praça principal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta das 16h30, chega uma carrinha Peugeot 505 &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Break&lt;/span&gt; à praça. Tinha todo o aspecto de ser o táxi que aguardávamos. O condutor parou o veículo e dirigiu-se a um dos cafés da praça. Pouco depois aproxima-se de nós e pergunta que é o cliente. O Bruno fintava-o já com olhar desconfiado.&lt;br /&gt;Ao telemóvel, dizia que não entrava naquele táxi. Não sairia dali para lado nenhum com o marroquino! Fartámo-nos de rir com a situação!&lt;br /&gt;Perto das 18h00, já nós o tínhamos convencido a acompanhar o taxista, chegou o auto-reboque. Carregámos a moto e tratámos da burocracia, sempre sob o olhar apreensivo e desconfiado do Bruno. Fosse como fosse, ele não queria perder a moto de vista.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68562007-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68562007-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68564504-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 5px 5px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68564504-M.jpg" border="0" alt="" width="275" height="131";/&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Às 18h30 estavam todos prontos para partir. O Bruno, finalmente, despede-se de nós e entra no táxi. O taxista, inquieto com a espera prolongada, arranca imediatamente mas, os dois tripulantes do auto-reboque, ainda tencionavam petiscar qualquer coisa antes da longa viagem para Casablanca.&lt;br /&gt;Poucos minutos depois, o táxi surge de novo na praça! O Bruno, ao se aperceber que o auto-reboque não os seguia, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;forçou&lt;/span&gt; o taxista a regressar à praça! Simplesmente hilariante!&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68566013-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68566013-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68567285-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 5px 5px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68567285-M.jpg" border="0" alt="" width="275" height="131";/&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois, os tripulantes do auto-reboque estavam prontos a partir. E lá se foi o Bruno e a sua companheira!&lt;br /&gt;Enquanto decidíamos o nosso programa, o Quim, que já conhecia perfeitamente a localidade, foi ao &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Auberge Iriki&lt;/span&gt; e encomendou-nos o jantar. A especialidade é &lt;span style="font-style:italic;"&gt;cuscus&lt;/span&gt; e, como demoraria algum tempo a preparar, aguardámos na esplanada até ao pôr-do-sol.&lt;br /&gt;A noite caía veloz e já não faríamos muitos quilómetros nesse dia. Decidimos que após o repasto regressaríamos ao local de pernoita anterior, junto ao Oued El Mellah, e lá acamparíamos novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À hora combinada comparecemos no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Auberge Iriki&lt;/span&gt;, um albergue modesto mas muito asseado e hospitaleiro - honestamente é a melhor pensão em Foum-Zguid, se não a única - numa travessa junto à saída sul da localidade.&lt;br /&gt;Colocámos as motos na garagem, um pátio interior coberto onde já repousavam algumas motos de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;cross&lt;/span&gt;, e subimos à sala de refeições.&lt;br /&gt;Respeitando a tradição descalçámos as botas, que ficaram junto à entrada. Alguns turistas e famílias rodeavam 3 ou 4 mesas. Recordo-me que senti algum embaraço pelo odor emanado pelas nossas peúgas. Mas, enfim, nada podíamos fazer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sentados em redor da pequena e baixa mesa redonda, sobre largos e confortáveis bancos almofadados, começámos o repasto com a apetitosa e alimentícia &lt;span style="font-style:italic;"&gt;harira&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;A &lt;span style="font-style:italic;"&gt;harira&lt;/span&gt; é a sopa tradicional marroquina. É entrada &lt;span style="font-style:italic;"&gt;obrigatória&lt;/span&gt; ao jantar, durante o Ramadão, para quebrar o jejum do dia. Em algumas cidades é também servida a parentes e amigos em ocasiões especiais, como na manhã seguinte após o casamento.&lt;br /&gt;Não obstante, pode ser preparada e consumida em qualquer altura, embora muitas famílias prefiram manter a tradição e servi-la apenas nessas ocasiões.&lt;br /&gt;Nós preferimos claramente a abordagem mais liberal, pois só assim usufruíamos desta iguaria deliciosa!&lt;br /&gt;Generosamente, fomos convidados a repetir a dose. Entretanto, encomendei uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;brochette&lt;/span&gt; para acompanhar o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;cuscus&lt;/span&gt;. Confesso que, após a incessante dieta de atum, estava mesmo com saudades de fincar os dentes na carne... de carneiro!&lt;br /&gt;Para rematar, umas rodelas de laranja com canela e um café marroquino.&lt;br /&gt;Agradecemos a hospitalidade e deixámos Foum-Zguid. Tínhamos 50Kms de asfalto para cobrir até à entrada em pista. Depois, mais 25Kms de pedra e pó até &lt;span style="font-style:italic;"&gt;casa&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria talvez umas 0h00 quando chegámos à &lt;span style="font-style:italic;"&gt;nossa&lt;/span&gt; praia fluvial. Sem demoras, montámos o acampamento e recolhemos para descansar.&lt;br /&gt;Apesar de tudo o dia tinha sido bastante agradável e, tendo em conta a possível complexidade da situação, tudo acabou por correr pelo melhor. Também aqui uma palavra de apreço pelo esmerado trabalho do ACP.&lt;br /&gt;Não conseguia deixar de sorrir cada vez que pensava no Bruno. Por onde andaria, a esta hora, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;à mercê&lt;/span&gt; do seu novo companheiro marroquino? Só ele sabe... :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/71587345-O.jpg"&gt;Percurso do dia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-15-do-oued-en-nam-ao-oued-el.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-17-do-oued-el-mellah-moutbanc.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114702766320689981?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702766320689981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702766320689981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-16-espera-em-foum-zguid.html' title='Dia 16: A espera em Foum Zguid'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114702761137714969</id><published>2006-04-28T19:46:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:33:54.873+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2006'/><title type='text'>Dia 15: Do Oued En N'am ao Oued El Mellah</title><content type='html'>O Homem, à semelhança de qualquer outro animal, é um ser de hábitos. O presente formata constantemente o futuro, tal como o passado já formatou o presente. Somos capazes de viver de qualquer forma, em qualquer lado, de qualquer coisa... e sobreviver. Assim tenhamos tempo de formatar os hábitos.&lt;br /&gt;Felizmente, ao contrário de muitos outros animais, a nossa formatação é muito rápida. Tão rápida que em 15 dias até nós, habituados aos confortos-padrão do mundo ocidental, já estamos confortavelmente habituados a dormir no chão; a viver de enlatados; a dispensar o banho matinal; a montar e desmontar a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;casa&lt;/span&gt; em 15 minutos; a andar sempre de mãos sujas; a vestir a mesma roupa; a esfregar mal os dentes; a defecar de cócoras; a lavar o que podemos, onde podemos ou a passar 12 ou mais horas em cima da moto sem o mínimo resquício de cansaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma noite descansada. Mais uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;casa arrumada&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68549476-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68549476-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Sem demoras, retomámos a pista no local onde a tínhamos abandonado. Prosseguimos tranquilamente sobre o solo pedregoso, desfrutando da frescura do ar da manhã e da amplitude de horizontes proporcionada pela larga planície. Alguns quilómetros depois chegámos à &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Air Sidi Abu er Rahmane&lt;/span&gt;, um oásis de onde brota uma nascente de águas cristalinas. Aproveitámos para saciar a sede e atestar algumas garrafas.&lt;br /&gt;No local, além das inúmeras rãs residentes, encontravam-se alguns locais e também um jipe com turistas.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68551764-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68551764-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68550228-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 5px 5px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68550228-S.jpg" border="0" alt="" width="275" height="131";/&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Após breves minutos de contemplação, por entre monólogos surdos das jovens vendedores de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;souvenirs&lt;/span&gt;, continuámos em direcção ao Erg Chegaga.&lt;br /&gt;Enquanto contornávamos a enorme extensão de dunas, pela pista imediatamente a norte, parámos à sombra dumas acácias. Aproveitei a pausa para me tentar aproximar um pouco mais das dunas.&lt;br /&gt;Percorri cerca de dois quilómetros fora de pista, em direcção às dunas, e parecia que nunca mais lá chegava. Consternado, regressei. Não queria que o grupo perdesse tempo por minha causa. Tive de me consolar com a miragem ainda distante daquelas belas silhuetas douradas.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68552574-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68552574-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Estávamos já muito perto do Lac Iriki e, escassos momentos depois, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;voávamos&lt;/span&gt; a 130Km/h sobre aquela vastidão surpreendentemente plana e poeirenta. Aqui não há uma pista para seguir. Há mil, um milhão... é só escolher a direcção! A velocidade, essa, tem limite: aquele que a capacidade do motor e da aderência dos pneus ao solo impuserem. Fantástico!&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68552990-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68552990-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68553934-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68553934-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;A meio do lago, as pequenas dunas de areia proporcionaram alguns minutos de brincadeira... quando não eram excessivamente moles!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximava-se rapidamente o meio dia e, com ele, a hora de almoço. Recolhemos sob uma acácia frondosa e tratámos de comer. Mais uma vez, fiquei-me por uma lata de atum com tomate, acompanhada por um naco de pão e rematada com uma laranja.&lt;br /&gt;Após a breve refeição, retomámos o caminho e abandonámos as margens do seco Lac Iriki. Seguíamos agora em direcção à fronteira, para Sul, aqui delimitada pelo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Wad Draa&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Oued Draa&lt;/span&gt;, o maior rio de Marrocos, estende-se ao longo de cerca de 1100Km e é originado pela confluência do rio Dadés e do rio Imini. Corre desde as montanhas do Alto Atlas para sul, até Tagounite, seguindo depois para oeste até desaguar no Atlântico, um pouco a norte de Tan-Tan.&lt;br /&gt;Durante a maior parte do ano está seco após Tagounite, sendo indispensável na irrigação de culturas hortícolas e palmeirais ao longo do seu curso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco antes do Draa, encontrámos uma antiga pista do Dakar. Inconfundível. Balizada. E o melhor de tudo, seguia na direcção do azimute que havíamos traçado. Sem mais demoras, foi por ali que continuámos.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68555397-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand; width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68555397-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68556941-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 5px 5px; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand; width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68556941-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68555959-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:5px 5px 10px 0; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand; width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68555959-S-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68557743-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:5px 0 10px 5px; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand; width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68557743-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Os quilómetros passaram rapidamente. Calcorreámos zonas rápidas de terra batida, algumas de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;chapa ondulada&lt;/span&gt;, partes de muita pedra e alguns troços de areia de baixa dificuldade.&lt;br /&gt;Por volta das 15h30 chegámos às margens do Oued El Mellah. O calor fazia-se sentir, aparte de estarmos imundos, e o local era ideal para ir a banhos. Mais depressa feito do que dito... e já estávamos de molho.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68558730-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand; width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68558730-S-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68559656-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 5px 5px; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand;  width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68559656-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;As margens do rio, arenosas, estavam cobertas dum mineral esbranquiçado e granuloso. Parecia-me ser sal. Até haviam torrões! Decidi não colocar a teoria à &lt;span style="font-style:italic;"&gt;prova&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;De seguida foi a vez de lavar a roupa interior, acumulada nos últimos dias, aproveitando a vegetação circundante para a pendurar a secar.&lt;br /&gt;E por ali ficamos umas boas duas horas a descontrair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta das 17h30 decidimos prosseguir. Seguimos em direcção a uma pista que atravessava o leito do oued, poucas dezenas de metros para sul , através duma ampla bacia de grandes pedras roliças.&lt;br /&gt;O Bruno, lá na frente, entrou com demasiada confiança e esbarrou numa pedra maior. Desequilibrou-se e caiu para o lado. Apesar das protecções, embateu violentamente com o joelho noutra pedra e ficou-se a queixar.&lt;br /&gt;- "Aleijaste-te?" - perguntámos apreensivos.&lt;br /&gt;- "Epá... uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;beca&lt;/span&gt;!" - respondeu consternado.&lt;br /&gt;Com esta reposta percebemos imediatamente que a situação era mais séria do que poderia parecer. Normalmente, quando caímos, temos sempre tendência a erguer-nos rapidamente e, orgulhosamente, a disfarçar as dores. Para o Bruno responder "uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;beca&lt;/span&gt;", a situação tinha de ser séria!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite aproximava-se. Estávamos a cerca de 25Kms do asfalto e a pouco mais de 75Kms de Foum-Zguid mas o Bruno, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;modestamente&lt;/span&gt;, já só pedia um quarto de Hotel e gelo!&lt;br /&gt;Decidimos permanecer ali nessa noite para aguardar a evolução da lesão, avaliando na manhã seguinte se o Bruno reunia as condições físicas para continuar.&lt;br /&gt;Entretanto, aproximou-se uma coluna de 3 jipes Toyota com matrícula francesa. Deram algumas voltas pela zona e estacionaram, atrás dumas dunas, a cerca de 300m do nosso local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começávamos a montar acampamento, junto ao leito do rio, quando dei pela falta do meu Camelbak. Não seria preocupante não fosse eu ter os documentos todos lá dentro! Perguntei se alguém o tinha visto, mas as respostas eram negativas. Comecei de imediato a percorrer toda a área por onde tinha passado. Lembrava-me de o ter às costas quando arrancámos e também de o ter tirado enquanto auxiliava o Bruno. Mas não o conseguia ver em lado nenhum! &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Raios... aquilo não é assim tão pequeno!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já com o Quim envolvido na operação de busca, e depois de termos percorrido novamente os cerca de 500m de extensão por onde tínhamos passado, decidimos ir perguntar aos franceses se, por acaso, não o teriam visto ou recolhido.&lt;br /&gt;- "No... nous ne l'avons pas vu." - responderam, após breves instantes de conferência.&lt;br /&gt;Eram 3 casais de meia idade. Já tinham o acampamento montado com uma pequena cozinha, sala de jantar, uma tenda WC e - imagine-se - um chuveiro! Isto sim é luxo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressámos ao nosso modesto acampamento e enquanto montava a tenda, matutava já uma forma de resolver o grave problema da documentação...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já com a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;casa&lt;/span&gt; instalada, preparámos o jantar.  Saciei-me com uma dose reforçada de papa Cerelac e terminei com um café.&lt;br /&gt;Já sob a habitual imponência da cintilante abóbada celeste, recolhemos aos aposentos para mais uma tranquila e silenciosa noite no deserto.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68560472-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68560472-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/71587290-O.jpg"&gt;Percurso do dia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-14-de-tagounite-ao-oued-en-nam.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-16-espera-em-foum-zguid.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114702761137714969?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114702761137714969/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114702761137714969&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702761137714969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702761137714969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-15-do-oued-en-nam-ao-oued-el.html' title='Dia 15: Do Oued En N&apos;am ao Oued El Mellah'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114702758447914299</id><published>2006-04-27T19:46:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:33:54.874+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2006'/><title type='text'>Dia 14: De Tagounite ao Oued En N'am</title><content type='html'>A azáfama começou cedo - acordei ao som do burburinho matinal. Abri a tenda e espreitei lá fora. Já estavam todos a tratar do pequeno-almoço sob o olhar atento e curioso dos nossos anfitriões marroquinos. Preguiçosamente aprontei-me e saí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto tomava o pequeno-almoço, empunhando a gamela bem atestada de Cerelac, ouvia o Quim falar sabiamente acerca da necessidade de guardar e inspeccionar de manhã as vestes e botas antes de as colocar pois, sendo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;locais&lt;/span&gt; particularmente quentes e acolhedores, poderiam bem ser seleccionados por algum escorpião mais incauto como local de pernoita. &lt;br /&gt;A conversa despertou-me a atenção para as dezenas de rastos marcados na areia. Não havia dúvidas que eram rastos de insectos. Já tinha visto rastos semelhantes anteriormente... provavelmente seriam escaravelhos, talvez mesmo escorpiões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Findo o repasto começámos a desmontar as tendas e, assim que o Alex ergue a sua do solo, um escorpião rastejou apressadamente abrigando-se junto debaixo duma pedra.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68535072-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68535072-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Pequeno e alaranjado, ainda era júnior. Mesmo assim teria, talvez, poderio suficiente para causar sérios problemas a uma potencial vítima... felizmente, não chegou a nenhum de nós.&lt;br /&gt;Assim que os militares se aperceberam do que observávamos, fizeram o que tinham a fazer. Para sua própria segurança.&lt;br /&gt;Após agradecermos a hospitalidade dos nossos anfitriões e arrancámos velozmente para Este, rumo a Tagounite, através duma pista rápida com algumas secções de areia que se estendia ao longo da ampla bacia desértica. Pouco depois, diante de nós, a geografia tornava-se menos monótona. Alguns acidentes permitiam que ascendêssemos através de passos sinuosos, oferecendo-nos perspectivas maravilhosas sobre a imensa vastidão estéril onde nos encontrávamos &lt;em&gt;mergulhados&lt;/em&gt;. A pista semi-arenosa deu lugar a outra, de terra batida ladeada de xisto, bastante bem conservada e a coluna progredia num ritmo confortável.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68536110-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 0px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68536110-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68536795-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68536795-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68540079-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 5px 5px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68540079-S.jpg" border="0" alt="" width="275" height="131";/&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Alguns instantes depois, há medida que nos aproximávamos do oued Draa, surgiam as primeiras habitações junto aos palmeirais. Estávamos já nos arredores de Tagounite e as pistas começavam a divergir em quase todas as direcções.&lt;br /&gt;Após alguma indecisão sobre a pista a tomar lá disparámos todos em direcção ao aglomerado residencial. Ao atravessar a pequena localidade, Oulad Youssouf já nas margens do oued, convergimos junto a uma ponte. Só o Jacinto não aparecia. Esperámos um pouco sobre a ponte mas, sem sinais do Jacinto, o Ferreira e o Tiago regressaram à localidade para ver se o avistavam.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68542191-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68542191-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Não era preocupante. Estávamos a muito poucos quilómetros de Tagounite e, com o &lt;em&gt;à vontade&lt;/em&gt; que o Jacinto demonstrava na comunicação com os locais, facilmente se orientaria até ao nosso destino. Progredimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegámos a Tagounite com uma fome infernal. A primeira coisa a fazer, como sempre, era escolher uma esplanada para esticar as pernas e beber uma cola fresquinha... na medida do possível! A primeira esplanada que avistámos já estava reservada... o Jacinto já tinha tomado posse administrativa do local!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O restante pessoal foi chegando e começámos a pensar no repasto e logistica para os próximos dias. Encomendámos umas tagines no Restaurant du Sud e dispersámos pela localidade, cada um em busca do que precisava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz as minhas compras e regressei ao restaurante para petiscar. O Quim e o Ferreira tinham-se enfiado numa oficina de motorizadas. O Ferreira observava, divertido, enquanto um marroquino vulcanizava a câmara de ar. Ao que constou, tinha furado enquanto procurava o Jacinto! O Quim explicava a outro empregado que precisava duns pingos de solda nos apoios dos depósitos traseiros, que já tinham estalado quase todos com a fadiga provocada pelo peso e vibração. Engenhosamente, lá soldaram os apoios e arranjaram uma solução mais duradoura apoiando os depósitos um no outro através dum veio transversal. O Quim estava satisfeito, embora um pouco reticente, com o resultado alcançado. Enfim, era a solução possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Alex decidiu partir após o almoço. Tagounite usufrui de um bom acesso asfaltado para Norte, via Zagora, e era uma boa oportunidade de ele arrancar rumo a Portugal sem ter de dar muitas voltas. Despediu-se e partiu, deixando-nos ainda a descontrair na esplanada do Cafe du Sud.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68543341-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 0px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68543341-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68544152-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68544152-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Desconheço outra forma de conhecer pessoas que não seja partilhando incessantemente um pedaço de vida com elas. É muito diferente de &lt;em&gt;reconhecer&lt;/em&gt; alguém no emprego, no bairro ou na escola com quem até se possam partilhar algumas horas de conversa por dia.&lt;br /&gt;Conviver com esta intensidade, num meio que nos pode ser estranho ou submetidos à adversidade, por vezes eminente, expõe-nos flagrantemente ao &lt;em&gt;exame&lt;/em&gt; de quem connosco priva. Isso revela detalhes, facetas e pormenores de carácter que marcam determinantemente a diferença entre mais um colega ou vizinho e um potencial amigo e companheiro para as aventuras de uma vida.&lt;br /&gt;O Alex primou ao longo das semanas que partilhámos ininterruptamente pela boa disposição, pela serenidade e constância emocional e pela acutilante e mordaz perspicácia, sempre com a necessária dose de inteligência e humor que mantêm as conversas e os serões bastante animados. Com a sua partida, ficámos todos menos ricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois estávamos prontos a continuar. Com gasolina e mantimentos para 3 ou 4 dias de pista, rumámos a Noroeste em busca duma passagem através da Hassan Ou Brahim, uma escarpada &lt;em&gt;muralha&lt;/em&gt; natural que nos bloqueia a progressão para Sudoeste. Durante alguns quilómetros circulámos &lt;em&gt;hors piste&lt;/em&gt; (fora de pista), batendo a planície a norte de Tagounite em busca de trilhos. Pouco depois, demos com uma pista bastante marcada de terra batida e pedra.&lt;br /&gt;Eu fechava a coluna que seguia relativamente dispersa e foi com alguma surpresa que, quando nos reunimos numa biforcação, o Tiago já não estava entre nós.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68545884-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68545884-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Esperamos um bocado enquanto o Quim regressou, pela pista que tínhamos acabado de percorrer, em busca de sinais do Tiago. Passou, talvez, meia hora até surgirem os dois vultos no horizonte. O Tiago tinha ficado numa curva onde deveríamos passar, mas nós devemos ter seguido outra pista paralela e ele não nos viu. Já quando regressavam ao nosso encontro, um dos seus dois jerricans caiu e ficou irrecuperável - tinha agora menos 5L de autonomia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sol descia sobre o horinzonte à medida que progredíamos paulatinamente em direcção aos amplos espaços do sul marroquino. O solo poeirento e pedregoso, coroado por uma multidão progressivamente crescente de pequenas acácias retorcidas, preenchia de um tom caramelizado a amena atmosfera envolvente. Na distância, diante de mim, erguia-se a coluna de pó, deixada pela passagem das motos, pairando tranquila, difusa e &lt;em&gt;cintilante&lt;/em&gt; sob o suave toque dourado de uma luz celestial. A sós com os meus pensamentos, mergulhado no silêncio absurdo que só se obtem num fim de outro mundo ou num estado de &lt;em&gt;semi-consciência&lt;/em&gt; routinada pelo zoar monótono das 3500rpm, distante e alheio a todo o resto duma vida, a todo o resto deste mundo, &lt;em&gt;entranhei&lt;/em&gt; aquele momento como tudo o que existia. E nada mais era preciso. &lt;br /&gt;Foram escassos minutos... mas podiam bem ser longos anos. Uma emoção fugaz e inexplicável brota do ser nestes momentos. Um sentimento de união, de todo, de completude e complementaridade, tão avassalador quanto efémere. Não o sei descrever mas, felizmente, consigo-o sentir.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68547592-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68547592-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Não tínhamos ainda avançado muitos quilómetros quando encontrei o Jacinto parado na pista.&lt;br /&gt;-"Furei à frente..." - disse, consternado.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68548205-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 340px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68548205-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Imediatamente iniciámos a tarefa da reparação como se esta já tivesse sido &lt;em&gt;codificada&lt;/em&gt; nos genes. Aos poucos os mais avançados foram reaparecendo até que já só faltava o Quim. Alguns minutos depois, a coluna de poeira que se erguia subtilmente no horizonte delatava a sua aproximação veloz ao grupo.&lt;br /&gt;Ainda não tinha parado a moto e já exibia um sorriso rasgado! Não pelo sucedido, mas pela satisfação pessoal de ter equipado mousses nas suas rodas!&lt;br /&gt;Durante as duas primeiras semanas de viagem, através das trialeiras rochosas do Rif e pistas pedregosas do Rekkam, ninguém furou. O Quim já questionava o investimento avultado que tinha feito nas mousses. Mas os últimos dois dias, com o número anormal de furos registados, tinham-lhe provado cabalmente que tinha valido a pena tê-las colocado. Estava, na sua maneira muito própria, satisfeito com a sua opção! Eu, particularmente, não o podia censurar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demos por concluída a operação já convencidos que a próxima tarefa era encontrar um local para pernoitar. Arrancámos de olhos fixos na paisagem circundante em busca de qualquer característica geográfica ou biológica que nos pudesse servir de abrigo; dos rigores da noite mas, fundamentalmente, da possibilidade remota de passarem transeuntes mal intencionados naquela pista. &lt;br /&gt;Quase de imediato surgiu-nos um trilho mal marcado que divergia em direcção a um pequeno aglomerado de rochedos. Seguimos nessa direcção e, algumas centenas de metros depois, encontrámos o local onde teria acampado recentemente alguma família de nómadas. &lt;br /&gt;Instalámos o nosso &lt;em&gt;bivouac&lt;/em&gt; e jantámos. Mais uma vez, fiquei-me pelo atum com tomate, &lt;em&gt;empurrado&lt;/em&gt; por um naco de pão e rematado com duas laranjas, algumas colheres de compota de morango e o aroma familiar dum café. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última memória que guardo desse dia é uma visão sublime do imenso mar de estrelas que lenta, quase imperceptivelmente, desfilava no seu &lt;em&gt;eterno rodopiar&lt;/em&gt; sobre as nossas cabeças, enquanto trocávamos histórias pela noite dentro.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68548867-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68548867-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/71587250-O.jpg"&gt;Percurso do dia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-13-em-rota-para-tagounite.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-15-do-oued-en-nam-ao-oued-el.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114702758447914299?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114702758447914299/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114702758447914299&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702758447914299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702758447914299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-14-de-tagounite-ao-oued-en-nam.html' title='Dia 14: De Tagounite ao Oued En N&apos;am'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114702753965892383</id><published>2006-04-26T19:45:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:33:54.874+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2006'/><title type='text'>Dia 13: Em rota para Tagounite</title><content type='html'>&lt;em&gt;Mais um dia que começa!&lt;/em&gt; - Após o pequeno-almoço reforçado com a bela da Cerelac, passo a publicidade, deixámos a protecção da duna que confortavelmente nos acolheu e rumámos a Sul através da extensa bacia do oued El Maharch. &lt;br /&gt;Uma imensa planície estendia-se diante de nós. Plana, tão plana que nos permitia rolar em qualquer direcção a velocidades proibitivas. O solo seco e nivelado, embora duro, pedregoso e com algumas bolsas de areia, proporcionava a tranquilidade necessária a apreciar aquelas paragens com descontracção.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68520234-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68520234-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Pouco depois, erguia-se no horizonte a silhueta dos montes que marcam a fronteira com a Argélia. Cerca de 40 Kms depois, após a confluência com o oued Chouiref, alcançámos o estreito desfiladeiro entre o jbel El Mrakib e o jbel Maharch, porta de passagem para a bacia do oued El Ma'der. A Sul deste oued, ergue-se o jbel El Mziouida e, para lá deste, já é território argelino.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68521735-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68521735-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Seguimos para ocidente ao longo da fronteira, pela bacia do El Ma'der, através de estreitos carreiros sinuosos que rasgavam o solo duro e poeirento, contornando a encosta escarpada do jbel El Mziouida.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68525389-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 0 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68525389-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Na planura seca da bacia, uma manada de dromedários banqueteava-se com a escassa vegetação rasteira. São animais majestosos. De pose altiva e serena, observavam com indiferença a passagem das motos através das suas pastagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prosseguimos rumo a Sudoeste. Pela frente tínhamos agora uma vasta região arenosa, torrada impiedosamente pelo Sol, e pontuada por montes rochosos que, cobertos de areia, se assemelhavam a enormes dunas.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68527611-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68527611-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Subimos ao topo de um deles, que inevitavelmente nos barrava a progressão, para avaliarmos melhor a direcção a seguir. Do outro lado, estendia-se a vastidão desértica do vale do oued Bou Harara. Relaxámos um pouco os olhos sobre aquela monótona e imponente paisagem enquanto o Quim explorava uma passagem para o vale.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68529051-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68529051-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Alguns minutos depois, surgiu com a solução e descemos através duma íngreme reentrância na encosta pedregosa do monte, e retomávamos a conquista dos mais de 100Kms que, em linha recta, ainda nos separavam de Tagounite.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68530579-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68530579-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Por volta das 13:15 avistei um poço e decidi parar, aproveitando a frescura do local para podermos almoçar. Nas imediações, dois pastores nómadas saciavam a sede dos seus rebanhos de cabras. Parei junto do poço e cumprimentei os pastores.&lt;br /&gt;A escassas dezenas de metros um berbere repousava junto duma motorizada de &lt;em&gt;cross&lt;/em&gt; que se assemelhava às comuns DT50. Apressou-se a vir ter comigo e, com um ar esperançado, perguntou: "Essence?!..."&lt;br /&gt;Entretanto chegaram os restantes e lá dispensámos alguma gasolina ao homem. &lt;br /&gt;-"C'est sec!" - alertámos. Mas não havia problema. Eles andam sempre com uma garrafa de óleo atrás! Feita a mistura, o berbere lá abasteceu a montada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começámos e repasto sob o olhar atento dos nómadas e do berbere. Ficaria mal não partilharmos e lá lhes oferecemos umas latas de atum, pão e fruta.&lt;br /&gt;Enquanto petiscava uma lata de atum com tomate, divertíamo-nos com o comportamento dos bodes do rebanho que arrojadamente lutavam, berravam e exerciam a sua supremacia em torno das cabras receptivas. Perante a resistência feminina, organizavam-se aos três, cercando freneticamente a &lt;em&gt;vítima&lt;/em&gt; tentando consumar as suas pretensões sexuais!&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68533690-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68533690-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Por volta das 15H, decidimos prosseguir. Quando me preparava para arrancar, deparei-me com o pneu de trás vazio. &lt;em&gt;Raios...&lt;/em&gt; - pensei - &lt;em&gt;Tantos dias de TT por duras pistas trialeiras, com um pneu de trás na lona, nunca furou! E agora aqui, numa longa pista arenosa com um pneu traseiro novo, um furo! Isto há coisas...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desmontei a roda e, enquanto reparávamos a câmara de ar discutíamos com os nómadas a viabilidade de continuar ao longo do oued Ech Cheikh, através do vale Khoua Trik. Segundo eles não era possível pois a pista através desse vale segue rumo a território argelino. A pista indicada para Tagounite passava um pouco mais a Norte. Resolvemos &lt;em&gt;acatar&lt;/em&gt; a sugestão e prosseguimos a jornada, regressando escassas centenas de metros atrás para reencontrar o vale do Bou Harara.&lt;br /&gt;Escassos cinco quilómetros volvidos um novo furo, desta feita na roda da frente! &lt;em&gt;Um azar nunca vem só!&lt;/em&gt; - e começava assim um teste à validade dos ditados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A roda da frente teimava em não sair. O eixo estava estupidamente calcinado e só deu sinais de movimento quando, de forma dócil, começou a sentir as pancadas dum martelo! Uma pancada ligeiramente ao lado e... "AAAIIII! F%#@§€!!!" - De repente, o coração transferiu-se para a ponta do polegar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto um jipe marroquino aproximou-se. Um homem de meia idade, saiu da viatura e identificou-se como guarda de caça! Imediatamente tentou ajudar, estendendo uma ampla cobertura sobre o chão para que pudessem trabalhar confortavelmente! Pudessem eles... pois eu ainda andava às voltas agarrado o dedo! ;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois erguia-se uma coluna de poeira na distância. Alguns minutos depois, começaram a passar as primeiras motos.&lt;br /&gt;Seria talvez umas 10 &lt;em&gt;cabras do monte&lt;/em&gt;, na sua grande maioria, KTM. Escusado será dizer, claro está, que pouco tempo depois passou o carro de apoio à coluna!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminámos a reparação e prosseguimos.&lt;br /&gt;Não demorou muito a alcançarmos a viatura de apoio da coluna &lt;em&gt;alaranjada&lt;/em&gt;. No preciso momento em que ultrapassava o jipe, numa pista paralela, perdi subitamente a estabilidade da direcção e, com alguma dificuldade, consegui parar a moto de forma convencional! &lt;em&gt;Não há duas sem três!&lt;/em&gt; - "Nem acredito nisto..."&lt;br /&gt;A roda da frente estava novamente flácida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o Alex regressou, já eu estava furiosamente a desmontar o pneu. Uma câmara de ar reforçada - nova - e nem 3Kms tinha rodado! Não senti qualquer trancada em pedras ou buracos, a única explicação para os dois enormes cortes laterais é ter ficado trilhada entre a jante e o pneu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados alguns momentos, regressava o resto do grupo após amena cavaqueira com os elementos da coluna &lt;em&gt;alaranjada&lt;/em&gt;, quase todos italianos, parados escassos quilómetros mais adiante.&lt;br /&gt;Ao que parece, os italianos tinham ficado perplexos com as nossas montadas, particularmente com os pneus do Jacinto! :)&lt;br /&gt;"Guardi... gomma di strada!!"&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;UOOOHHHH&lt;/span&gt;!..." - exclamavam em uníssono enquanto um apontava aos &lt;em&gt;Trailwings&lt;/em&gt; do Jacinto que, efectivamente, tinham feito as mesmas pistas que as suas ágeis e leves &lt;em&gt;cabras do mato&lt;/em&gt;. A partir desse momento, o Jacinto ganhou um sonante cognome: o &lt;em&gt;Gomma di Strada&lt;/em&gt;! :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se não mata, só nos torna mais fortes!&lt;/em&gt; - mais um ditado verificado. A perícia e rapidez na reparação de furos tinha evoluído drasticamente nas últimas duas horas! ;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda antes de arrancarmos, aproximou-se uma coluna de três jipes. Ostentavam todos matrícula portuguesa, fartura de autocolantes e uns farrapos que outrora terão sido bandeiras portuguesas. Inevitavelmente um deles, um Patrol &lt;em&gt;pilotado&lt;/em&gt; por um típico "artista" lusitano de bigode espesso e cigarro em punho, seguia puxado por uma corda de reboque!&lt;br /&gt;Da mesma forma com que se aproximaram assim desapareceram, sob uma densa nuvem de pó, em direcção a Tagounite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvida a questão, continuámos rumo a Sudoeste. Mas lamentavelmente, quanto a contra-tempos, não ficaria ainda por aqui. Cerca de 1Km depois, o motor começou a perder força até que se calou. Manifestava claramente falta de combustível mas, estando o depósito praticamente meio, a razão para mim era óbvia: só poderia ser a bomba. Troquei rapidamente a relé "caseira" e lá continuámos caminho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A longa pista rectilínea era agora essencialmente pedregosa e ondulada, caracterizada pelo nefasto estilo "chapa de zinco", e uma autêntica ameaça à integridade dos rolamentos da caixa de direcção que, à falta de tempo, já tinham deixado Lisboa debilitados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que o sol tocava no horizonte, aproximávamo-nos também do momento de encontrar local de pernoita. Vários quilómetros depois, após termos dobrado a coluna de jipes portugueses, alcançámos o primeiro controlo militar a Este de Tagounite.&lt;br /&gt;O posto situa-se sobre uma pequena elevação por onde passa a pista. Esta descreve uma curva apertada, entre montes, que oculta o pequeno edifício até chegarmos bem perto da corrente que, qual cancela, atravessa a pista.&lt;br /&gt;Os militares envergando o "tradicional" uniforme informal - leia-se &lt;em&gt;t-shirt&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;raibantes&lt;/em&gt; e chinelos - revelavam muita descontracção e simpatia. Durante o controlo à documentação imediatamente se instalou um clima amigável e, dado que se aproximava o crepúsculo, fomos convidados a instalármo-nos no oásis adjacente e a tomarmos um chá. Aceitámos entusiasticamente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descemos a curta pista arenosa até ao oásis para prepararmos o acampamento.&lt;br /&gt;Eis que... "PULGAS!" - exclama o Quim, prostrado junto da base de umas palmeiras. Debandámos uns bons metros para o outro lado!&lt;br /&gt;No alto da encosta acentuada junto ao posto, onde pontifica a torre do depósito de àgua, o militar acenou oferecendo-nos do precioso líquido. Escalámos até junto do depósito e, na medida do possível, higienizámo-nos.&lt;br /&gt;Enquanto montávamos as tendas dois militares desceram com um monte de lenha que reuniram para a fogueira. Entretanto, começámos a preparar o jantar. Mais uma vez o atum constituía o essencial da farta refeição disponível. Para finalizar, um pouco de doce de morango e uma laranja remataram o repasto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já mergulhados numa noite límpida e amena, sob uma cintilante abóbada celeste, reunímo-nos em torno do crepitar acolhedor da fogueira onde, revivendo os momentos mais intensos da viagem, partilhávamos um excelente chá preto e cigarros com aqueles simpáticos homens que, por uma noite, foram nossos anfitriões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/71587198-O.jpg"&gt;Percurso do dia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-12-de-merzouga-imzizoui.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-14-de-tagounite-ao-oued-en-nam.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114702753965892383?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114702753965892383/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114702753965892383&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702753965892383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702753965892383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-13-em-rota-para-tagounite.html' title='Dia 13: Em rota para Tagounite'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114702749751649837</id><published>2006-04-25T19:44:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:33:54.874+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2006'/><title type='text'>Dia 12: De Merzouga a Imzizoui</title><content type='html'>Tempo de partir. Convergimos à sala de refeições para, demoradamente, tomar o pequeno-almoço. Após a refeição farta - convenhamos que limitações não faltariam nos próximos dias - arrumámos o equipamento e deixámos o albergue já por volta das 10:30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68517798-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68517798-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;O céu estava limpo e a temperatura agradável. Descemos a Merzouga para apanhar a velha pista para Rissani. Começou por ser dura e pedregosa, depois atravessámos uma parte arenosa com algumas dunas, até chegarmos à poeirenta bacia do oued Ziz que nos conduziu até à localidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tínhamos de abastecer de mantimentos e dirigímo-nos ao &lt;em&gt;souk&lt;/em&gt;(mercado) onde comprámos essencialmente fruta, pão, conservas e àgua.&lt;br /&gt;Estava na hora de almoço e decidimos aproveitar a ocasião para comer. &lt;em&gt;Estacionámos&lt;/em&gt; na esplanada de um restaurante e pedimos tagines e cuscuz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixámos Rissani, já quase a meio da tarde, com destino a Tagounite através duma pista dura e rolante, com bastantes passagens de areia, para Sudoeste. Ao longo dos amplos vales, a grandeza do sul extendia-se em todas as direcções. No horizonte erguiam-se planaltos que transpunhamos, ora através de estreitos desfiladeiros, ora ao longo de sinuosas trialeiras.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68512113-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68512113-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Ao fim da tarde já estávamos quase às portas do imenso vale de Imzizoui. O vento soprava intensamente e as colinas enrugadas refletiam a suave luz avermelhada do astro-rei. Parei para tirar umas fotos e a coluna prosseguiu. Alguns minutos depois, quando me lancei no seu encalce, o vento já tinha revolvido o fino pó que cobria o solo duro, eliminando os rastos das motos. Pouco depois, deparei-me num extenso vale com pistas a divergir em todas as direcções. Da comitiva, nem sinal... nem rastos.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68513343-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68513343-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Durante alguns minutos sondei as várias direcções possíveis em busca de traços... mas sem nenhum sucesso. Estava decidido a arrancar rumo a Tagounite mas, como provavelmente voltariam à minha procura, fiquei à espera mais alguns minutos.&lt;br /&gt;Pouco depois, surge o Alex de trás duma duna. Tinham saída de pista através duma grande duna que &lt;em&gt;barrava&lt;/em&gt; o acesso ao vale de Imzizoui e, devido ao vento, as marcas já tinham desaparecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reunímo-nos pouco depois e, devido ao aproximar da noite, decidimos procurar lugar para ficar por ali. Mesmo à entrada do vale, bem desviada da pista, uma longa duna de areia proporcionava um boa protecção ao vento e pouco depois já estávamos a montar o acampamento.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68514052-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68514052-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Ao jantar tratei-me com uma latinha de atum com tomate, meloa e laranjas. Apesar da noite ventosa, o abrigo dunar oferecia-nos uma boa protecção e, rapidamente, recolhemo-nos aos aposentos para descansar - "AHHhhh! Já estava com saudades deste som!" - interrompido apenas pelo silvar do vento, o som do silêncio ecoava profundamente pelo vale. O melhor som do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/71587162-O.jpg"&gt;Percurso do dia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-11-descanso-em-merzouga.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-13-em-rota-para-tagounite.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114702749751649837?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114702749751649837/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114702749751649837&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702749751649837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702749751649837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-12-de-merzouga-imzizoui.html' title='Dia 12: De Merzouga a Imzizoui'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114702744677271127</id><published>2006-04-24T19:43:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:33:54.875+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2006'/><title type='text'>Dia 11: Descanso em Merzouga</title><content type='html'>Dia de descanso - como é normal, acordámos um pouco mais tarde. Lá fora o dia estava muito sombrio, frio e até - imagine-se - chovia no Erg Chebbi!! As dunas, geralmente avermelhadas, apresentavam as manchas negras do pó &lt;span style="font-style:italic;"&gt;torrado&lt;/span&gt; humedecido pela precipitação.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68374737-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68374737-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Merzouga é uma aldeia berbére na vertente Sudoeste do Erg Chebbi, pequeno aglomerado de dunas a sul do vale de Taffilalet. Hoje em dia, Merzouga pouco conserva da pacatez e isolamento em que permaneceu durante muitas décadas. Agora, é ponto de passagem para quem pretende um contacto simplificado com o &lt;em&gt;deserto&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Apesar de estar muito longe do isolamento de um verdadeiro deserto, ou da imensidão do grande Sahara, muitos acorrem aqui motivados pelo fascínio de percorrer as dunas de dromedário ou de dormir sob as estrelas num oásis.&lt;br /&gt;O Erg Chebbi é &lt;em&gt;vendido&lt;/em&gt; internacionalmente como parte integrante do deserto do Sahara o que, sem surpresa, o torna num produto apetecível ao turista ocidental que frequentemente acorre a Marrocos, sequioso de aventuras das &lt;em&gt;mil-e-uma noites&lt;/em&gt;! &lt;br /&gt;Obviamente, não é essa a motivação que nos traz aqui! :)&lt;br /&gt;Além do florescente comércio local, a localidade oferece uma enorme variedade de albergues. Praticamente todos os habitantes trabalham, de alguma forma, para o turismo. Muitos vivem da interacção com o turista, seja através do comércio, seja através da oferta do serviço de guia pelas pistas circundantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por hoje, ficamos por cá. Esperamos a chegada do segundo grupo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68483971-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68483971-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Após o pequeno-almoço o tempo melhorou ligeiramente e iniciámos a manutenção das motos. Como em qualquer AT, que se preze, bastou lubrificar a corrente! ;)&lt;br /&gt;Contudo, tinha outra tarefa para executar: ver-me livre do pneu que &lt;em&gt;acartava&lt;/em&gt; à pendura desde Lisboa...&lt;br /&gt;O pneu traseiro já saiu de casa praticamente careca mas a falta de tempo prolongou-lhe a vida indefinidamente. Com o pneu novo na bagagem, alguma oportunidade chegaria para o trocar!...&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68484965-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68484965-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;A oportunidade chegou. Desmontei a roda traseira e meia hora depois estava pronto a responder ao desafio do Quim: "Vamos almoçar a Rissani? Quero ir ver ali umas pistas pelo oued..." - siga!&lt;br /&gt;Antes de sair, entregámos a roupa suja ao recepcionista, dispostos a pagar a alguém para a lavar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Tiago ainda andava cismado com o rolamento da direcção e decidiu permanecer no albergue para desmontar a moto. Deixámos o homem serenamente a trabalhar e partimos rumo a Rissani. Íamos bem levezinhos pois toda a tralha tinha ficado em &lt;em&gt;casa&lt;/em&gt;. Na bagagem, agora, só a máquina e nada mais! ;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já passavam das 13:30 quando &lt;em&gt;pousámos&lt;/em&gt; na esplanada de um restaurante, junto à entrada do Souk. Para variar, iríamos experimentar uma especialidade: pizza berbére!&lt;br /&gt;Várias &lt;span style="font-style:italic;"&gt;horas&lt;/span&gt; volvidas - pelo menos, foi o que nos pareceu aquela espera :) - eis que chega o excêntrico gourmet!&lt;br /&gt;Afinal, não é mais que um pão berbére, um pouco maior que o normal, recheado de um refogado de carne e cebola e codimentado com uma panóplia de ervas aromáticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o respasto, abastecemos e deixámos Rissani progredindo para ocidente até alcançármos o oued Ziz. Parámos e, enquanto falávamos, aproveitei para colocar a carteira na mochila da máquina pois, provavelmente, saltar-me-ia do bolso...&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68485696-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68485696-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Enveredámos pelos trilhos junto ao oued Ziz, em direcção a Erfoud. A pista era dura com algumas passagens de areias. Numa &lt;em&gt;duna&lt;/em&gt; com meio metro, mandei-me pelos ares. Estranhamente, tive a sensaçao que algo tinha saltado mais que eu...&lt;br /&gt;Reparei então que o Alex tinha ficado para trás. Quando o avistei percebi imediatamente que a minha máquina tinha aprendido a voar! Infelizmente, não tinha ainda aprendido era a aterrar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estupidamente, guardei a carteira e deixei a "#$%" da mochila escancarada! Pelo caminho, fui colecionando os destroços. Uma objectiva aqui, outro pedaço ali...&lt;br /&gt;O Alex já andava a tentar fazer o puzzle do que tinha encontrado... Surpreendentemente, ainda trabalhava... Apesar de ter partido os dentes dos apoios da objectiva e de terem saltado bocados da carcaça, ainda tirava fotos! Do mal, o menos!... Enfim, logo se veria o &lt;em&gt;efeito&lt;/em&gt; nas fotos quando chegasse a casa. :(&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68486331-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 380px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68486331-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Continuámos pelas pistas agrícolas, através da fértil bacia do oued Ziz, até alcançarmos Erfoud. Depois, à falta de alternativas, regressámos circulando dentro um enorme canal de rega que nos levou novamente à saída entre Erfoud e Rissani.&lt;br /&gt;Já em Rissani, contornámos a localidade pelo &lt;em&gt;roteiro histórico&lt;/em&gt; e enveredámos pela antiga pista para Merzouga, agora abandonada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Areia: geológicamente falando, matéria granular de classe compreendida entre o lodo e a gravilha. Vulgarmente constituida por sílica, a sua composição específica varia em função da geologia do local, ou seja, das rochas que lhe deram origem através de processos de erosão como o vento ou a chuva.&lt;br /&gt;Duna: geográficamente falando, colina de areia formada por processos eólicos. Quando &lt;em&gt;despida&lt;/em&gt; de vegetação, está sujeita a mudar de forma, tamanho e localização consoante a sua interacção com o vento. Existem diversas geometrias de dunas, definidas pela sua forma, e que resultam das características/direcções do vento no local. A mais alta duna do mundo é a &lt;em&gt;Dune 7&lt;/em&gt;, com 383m, no deserto do Namib(Namíbia).&lt;br /&gt;Cordão dunar: geográficamente falando, sequência de dunas normalmente alinhada em direcção perpendicular aos ventos dominantes. Nas regiões desérticas, os cordões podem ter centenas de quilómetros de comprimento e deslocar-se vários centímetros por dia, dependendo das condições climatéricas. Em larga escala, um cordão dunar apresenta um comportamento semelhante a uma onda no mar.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Erg&lt;/em&gt;: geográficamente falando, é uma grande àrea de deserto, relativamente plana, com pouca ou nenhuma vegetação, constituida fundamentalmente por areias móveis - sujeitas a interacção eólica. &lt;em&gt;Erg&lt;/em&gt; é uma palavra àrabe que significa "campo de dunas". Científicamente, um &lt;em&gt;Erg&lt;/em&gt; é uma àrea desértica com mais de 125Km^2 de areia móvel, que cubra mais de um quarto da superfície.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sahara&lt;/em&gt;: palavra àrabe que significa deserto. Maior deserto do planeta Terra, com cerca de 7 milhões de Km^2, constituido por diversos &lt;em&gt;Ergs&lt;/em&gt; como o Grand Erg Oriental na Argélia, o Erg Aoukar na Mauritânia ou o Ténéré no Niger. Compreendido entre o Atlântico a Ocidente, o Mar Vermelho a Oriente, as montanhas do Atlas e o Mediterrâneo a Norte e o Sudão e Vale do Niger a Sul. O Sahara é dividido em algumas regiões: Sahara Ocidental, Montanhas Ahaggar, Montanhas Tibesti, Montanhas Aïr (região de montanhas desérticas e altos planaltos), deserto Ténéré e deserto da Líbia (a região mais àrida). O ponto mais alto do Sahara é o &lt;em&gt;Emi Koussi&lt;/em&gt;, com 3415m, localizado nas Montanhas Tibesti do norte do Chad.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;obcessão&lt;/span&gt; arenosa. Talvez possa ser assim definida a força inexplicável com que me atrai este elemento. Nenhum outro ambiente me fastina tanto no todo-o-terreno.&lt;br /&gt;Na primeira vez que fiz fora de estrada, ainda a contar pelos dedos das mãos as semanas de experiência com a moto - e com motos - fui &lt;em&gt;traumatizado&lt;/em&gt; por um encontro imediato de 3ºgrau com as pistas da Comporta. Contráriamente ao que seria de esperar, desenvolvi uma fixação pelo granulado difícil de compreender. Não posso ver a areia... à distância!&lt;br /&gt;Teóricamente, o sul de Marrocos entra na geografia do grande deserto, mas a verdade é que pouco tem da verdadeira essência do Sahara. A vastidão desértica estende-se para lá da fronteira com a Argélia, deixando em Marrocos poucos e ínfimos Ergs, a saber: Chebbi, Lihoudi, Chegaga, Mghiti, Jerboia e Zemoul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68487611-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 380px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68487611-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Circulávamos agora em direcção ao Erg Chebbi, o aglomerado de dunas mais extenso - e também o mais alto com a &lt;em&gt;grand dune&lt;/em&gt; a atingir os 150m - de Marrocos.&lt;br /&gt;A pista é, na generalidade, dura com passagens de areia. Engolida parcialmente pelas areias do Erg, proporcionava algumas dunas pequenas por onde nos divertíamos a saltar.&lt;br /&gt;O céu continuava sombrio e começou a choviscar mas, à medida que nos aproximávamos de Merzouga, a nuvem provocadora ficou para trás.&lt;br /&gt;Entre nós e Merzouga extendia-se agora um estreito cordão de dunas. O Quim, sensatamente, decidiu contornar a dificuldade mas eu andava mortinho para me meter em trabalhos...&lt;br /&gt;Seguimos momentâneamente para norte, ao longo da periferia do cordão. Enquanto progredia pelas dunas, perdi-os de vista... já tinha uma boa desculpa para me enfiar pelo cordão a dentro! :)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68375508-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68375508-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não chegou a um quilómetro... e alguns minutos depois alcancei o albergue. No pátio já estavam os novos reforços da comitiva: Luís Ferreira na DR600, Luís Jacinto na AT e Bruno Valadas na XR600!&lt;br /&gt;Passados alguns minutos chegavam o Quim e o Alex e, enquanto não chegava a hora de jantar, ouvimos as peripérias que estes senhores tinham passado através dum Atlas criogénico! :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jantar começou com uma sopa de cuscuz maravilhosa, em dose dupla, antes de chegar a tagine de borrego. Estava tudo delicioso!&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68486931-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 380px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68486931-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Recolhemos aos quartos, onde sobre a cama já repousava a nossa roupa lavada, já passava da meia-noite e preparámos o corpo para mais uma viagem dentro da viagem. Desta vez, através do grande Sul de Marrocos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/71587115-O.jpg"&gt;Percurso do dia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-10-da-hamada-du-guir-merzouga.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-12-de-merzouga-imzizoui.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114702744677271127?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114702744677271127/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114702744677271127&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702744677271127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702744677271127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-11-descanso-em-merzouga.html' title='Dia 11: Descanso em Merzouga'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114702743711695727</id><published>2006-04-23T19:43:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:33:54.875+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2006'/><title type='text'>Dia 10: Da Hamada du Guir a Merzouga</title><content type='html'>"Raios...mas que é isto?" - acordei de madrugada mumificado e coberto de areia. Estava um vendaval enorme e as varetas da tenda vergavam até ao solo. Subitamente, as estacas cederam e a tenda colapsou sobre mim.&lt;br /&gt;Lá fora, já brilhava a luz de um frontal. Com alguma dificuldade lá consegui sair daquele emaranhado e encontrei o Tiago que já andava em manobras com a moto para criar uma &lt;em&gt;barreira artificial&lt;/em&gt; contra ao vento.&lt;br /&gt;Reuni as estacas e algumas pedras e tratei de alicerçar fortemente a tenda, tarefa hercúlea dadas as condições que se faziam sentir... o Tiago é que estava bastante divertido com a situação.&lt;br /&gt;Finalmente, regressei à turbulência do interior. Era 1:30 da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68363039-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 380px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68363039-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Acordámos com um dia esplendoroso. O céu estava limpo e a temperatura amena, felizmente, sem vento!&lt;br /&gt;Levantámos o arraial, deixámos o oued Taggourt e partímos em direcção a Sul. Percorremos uma pista rápida sobre o planalto de Bine El Korbine, orientando-nos progressivamente para Este-sudeste até Bou Zakrine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68363654-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68363654-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Detivémo-nos por alguns minutos junto de uma enorme &lt;em&gt;cascata&lt;/em&gt; formada pelo oued Bou Zakrine. O imponente panorama sobre o vale do oued Talrhemt extendia-se à nossa frente. Junto à enorme reentrância provocada pela queda de àgua, nómadas mantinham uma banca de venda de fósseis esculpidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68364249-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68364249-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;O sul de Marrocos apresenta uma grande variedade de fósseis marinhos do período cretácio. Ao longo de vastas bacias, sendo a mais famosa a bacia de Beni Mellal, podemos literalmente recolher fósseis do chão!&lt;br /&gt;Os locais reunem a pedra e esculpem os fósseis, que posteriormente vendem aos turistas ou exportam do país. Dos mais apreciados, descatam-se as trilobites e os dentes de tubarão.&lt;br /&gt;Praticamente por todo o lado, encontramos mesas e mobiliário de WC construído com esta pedra incrustada de fósseis que se recolhe na região.&lt;br /&gt;Quando cá estive no ano passado, nos arredores do Erg Chebbi, um berbére revelou-nos este &lt;em&gt;segredo&lt;/em&gt; que se esconde sob a areia e o pó. Numa planície aparentemente desolada e rochosa, afastou a areia de uma àrea comum de chão. Por baixo, a rocha acastanhada e suja não despertava particular interesse... até que derramou sobre ela uma pequena porção de àgua. Sob o nosso olhar maravilhado, dezenas de diferentes formas animais emergiam da outrora pálida superfície rochosa.&lt;br /&gt;Uma autêntica revelação e prova concreta de que, em tempos, o sul marroquino foi fundo marinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68365428-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68365428-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Caminhámos ao longo do penhasco em direcção ao amplo vale. Esta região assemelha-se a uma colossal escadaria que desce por degraus até ao Atlântico. Sobre o &lt;em&gt;degrau&lt;/em&gt; de Bou Zakrine, temos atrás e à nossa esquerda o &lt;em&gt;degrau&lt;/em&gt; da Hamada du Guir e à nossa frente o vale do Talrhemt que se estende para lá do que o horizonte nos permite contemplar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixámos Bou Zakrine e descemos ao vale, progredindo agora para oeste, ao longo do oued Talrhemt, através duma pista estreita e arenosa.&lt;br /&gt;Alguns quilómetros depois chegávamos aos limites das dunas que se extendem depois pelo Erg Moulay Aamar, a norte do Erg Chebbi, e finalmente já começava a haver areia com fartura! Um cordão dunar estendia-se agora diante de nós! - "Chegámos à areia!!!"&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68366181-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68366181-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Alcançámos um oásis e decidimos almoçar. À sombra das palmeiras junto ao poço, decoradas de roupa a enxugar, partilhei uma lata de salsichas com o Tiago.&lt;br /&gt;Entretanto aproximou-se uma burra com a cria. Deteve-se a uma distância segura e ficou a observar.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68368903-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 380px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68368903-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Obviamente que o jumento estava com sede, mas a nossa presença impedia o animal de se aproximar. Para lhe compensar o sofrimento puxámos àgua do poço, para dentro de um alguidar, para que pudésse beber abundantemente assim que partíssemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68370357-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 280px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68370357-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Deixámos o oásis atraves duma revoltada pista de areia. O Alex, que partira à frente, escolheu um desvio que nos levou directamente para o extenso e difícil areal onde alguns franceses rodeavam dois jipes completamente &lt;em&gt;artilhados&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;À passagem pelos franceses, bateu com a roda da frente num enorme calhau enterrado e, voando com arrojo sobre a frente a AT, aterrou praticamente aos pés dos &lt;em&gt;connâitres&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68371245-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68371245-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Após algumas centenas de metros, encontrei uma superfície mais consistente e parei. Ao longe, o Alex ainda lutava para colocar a AT sobre rodas sem a imprestável ajuda dos &lt;em&gt;connâitres&lt;/em&gt; e o Tiago aproximáva-se em dificuldades...&lt;br /&gt;"Bem, acabámos de chegar às areias e já é o &lt;em&gt;festival&lt;/em&gt; que se vê!" - pensei.&lt;br /&gt;O Tiago parou e exclamou: "A moto não trabalha!" - Empurrámos a moto para fora do areal e tentámos descortinar porque é que motor não pegava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, chegou o Alex com a sua nova decoração nas carenagens da AT...&lt;br /&gt;Após alguns minutos de despiste, substituimos a relé da bomba de gasolina e a AT lá &lt;em&gt;roncou&lt;/em&gt; de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no Erg Moulay Aamar, o Alex ficou sem gasolina. Tal como suspeitávamos, a bomba manual do marroquino de Boudnib, &lt;em&gt;estranhamente&lt;/em&gt;, não media bem os litros... Eu ainda tinha os cinco da reserva e transferimos o suficiente para chegar a uma aldeia berbére, onde nos venderam mais alguns litros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68372127-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 380px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68372127-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Enfretámos os últimos quilómetros até Merzouga a brincar pelas dunas. As rajadas de vento, que se tinham feito sentir ao longo da tarde, evoluiram para tempestade de areia e a visibilidade não chegava aos 20 metros!&lt;br /&gt;Decidimos instalar-nos num dos albergues de Merzouga. Estava previsto que o segundo grupo, constituido pelo Luís Ferreira, pelo Bruno Valadas e pelo Luís Jacinto, chegásse no dia seguinte e o Erg Chebbi era o local ideal para esperar por eles! ;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após rondármos alguns albergues, embrulhados na tremenda tempestade de areia, acabámos por escolher o Alberge &lt;em&gt;Erg Chebbi&lt;/em&gt; a norte de Merzouga. Por 190DRH instalaram-nos numa das torres onde tínhamos direito a uma cama, num quarto duplo com WC e àgua quente, com pequeno-almoço e jantar íncluido. Um verdadeiro luxo para quem andava à vários dias a viver como os &lt;em&gt;bichos&lt;/em&gt;! :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de descarregámos as motos tomámos o primeiro banho condígno, desde que deixámos a Europa :), e aproveitámos o resto da tarde para descansar e preguiçar pelos sofás do albergue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao jantar serviram-nos uma belíssima salada, seguida por uma saborosa tagine de carne picada com ovos. Depois apreciámos um chá de menta ao som da sempre agradável - quando bem executada - percursão de djambés, manipulados pelas mãos hábeis dos funcionários do albergue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68374038-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68374038-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Por volta da meia-noite, recolhemos ao quarto para descansar. Amanhã gozaremos o primeiro dia de pausa e repouso desde que iniciámos o TT. Será dedicado à limpeza da roupa, manutenção das máquinas e descanso do corpo... exceptuando, claro está, a brincadeira pelas dunas! :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/71587074-O.jpg"&gt;Percurso do dia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-9-de-bouanane-hamada-du-guir.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-11-descanso-em-merzouga.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114702743711695727?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114702743711695727/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114702743711695727&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702743711695727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702743711695727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-10-da-hamada-du-guir-merzouga.html' title='Dia 10: Da Hamada du Guir a Merzouga'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114702737776051908</id><published>2006-04-22T19:42:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:33:54.875+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2006'/><title type='text'>Dia 9: De Bouanane à Hamada du Guir</title><content type='html'>&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68355002-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68355002-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Alvorada! O dia estava magnífico. Pelas 8 da manhã já eu cozia em lume brando dentro duma tenda que mais se assemelhava a um forno!&lt;br /&gt;Enquanto levantávamos o acampamento, dois vultos surgiram no horizonte. Os marroquinos de meia idade aproximaram-se, cumprimentaram-nos, observaram-nos e partiram.&lt;br /&gt;"São militares" - disse o Quim - "O posto está além no cume daquele monte!"&lt;br /&gt;Concerteza que nos viram a sondar a àrea e a acampar na noite anterior... Afinal, estávamos bem guardados! :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixámos o local e seguimos a estrada para Sul. Precisava de àgua e a localidade seguinte, Ain Chouater - última povoação antes da fronteira, ficava mais próxima.&lt;br /&gt;Comprámos àgua e regressámos. Antes da localidade já tínhamos visto uma ténue pista que divergia para Oeste, sobre a nossa rota em direcção a Boudnib, e decidimos que seria mesmo por ali que seguiríamos.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68356249-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 370px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68356249-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;A pista rapidamente desvanecia na planície. Continuámos fora de pista até às margens do oued Bouanane. Prosseguimos para Noroeste, ao longo da margem do oued, para encontrar uma passagem acessível através do leito profundo e arenoso.&lt;br /&gt;Finalmente uma descida pronunciada, em areia, possibilitava a travessia. Entrámos no leito e, algumas dezenas de metros depois, alcançávamos saída na outra margem.&lt;br /&gt;Continuávamos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;off-pist&lt;/span&gt; até alcançarmos uma pista abandonada, praticamente rectilínia, que seguia precisamente na direcção de Boudnib. Tinha sido construida, por maquinaria, com uma precisão geométrica. Ao longo de quilómetros mantinha sempre o mesmo azimute e não se desviava de absolutamente nada! A julgar pelo seu estado, pouco teria sido utilizada e não aparentava sinais de passagens recentes.&lt;br /&gt;Seguia paralela ao oued Guir a uma distância média de, talvez, um quilómetro. Profundos regos transvessais - uns pequenos e ultrapassáveis, outros enormes mas contornáveis - provocados pelas àguas das chuvas que escorrem vale abaixo até ao oued, contribuiam ainda mais para a degradação da pista.&lt;br /&gt;Se esta era, na generalidade, fácil e agradável, o que poderei dizer da paisagem? O oued Guir, decorado constantemente pelo verde intenso dos palmeirais, proporcionava um panorama simplesmente fantástico materializando uma inconstestável verdade universal: onde há água, há vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o presente percorrer destas pistas representa o concretizar de um desejo, é verdade maior que fertiliza o solo de onde germinam constantemente outros mil. &lt;em&gt;Desejo ainda percorrer o leito sinuoso deste oued. Espero seguir, um dia, os trilhos que se perdem na àrida distância daquele erg. E que encontrarei eu para lá deste imponente jbel?&lt;/em&gt; - são desejos que nos inundam o ser a cada hora que passa, como uma sede insaciável que nos leva a perseguir a miragem de um oásis, através da imensa secura de um deserto, quando de antemão sabemos que apenas mais sedentos iremos ficar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegámos a Boudnib por volta do meio-dia. Parámos junto ao restaurante &lt;em&gt;Hamada du Guir&lt;/em&gt;, na praça central, dispostos a digerir mais uma refeição condigna. Instalámo-nos na esplanada, sob as arcadas do restaurante, fintando a praça.&lt;br /&gt;Alguns miúdos brincavam em redor duma seca fonte artificial enquanto pequenos grupos de militares se passeavam a uma cadência preguiçosa.&lt;br /&gt;Decorada simplesmente com alguns bancos de jardim a praça, tal como tudo o resto, torrava sob o sol já escaladante do meio dia.&lt;br /&gt;Numa extermidade, um pequeno aglomerado de pessoas diâmbulava naquilo que parecia ser uma feira de bicicletas.&lt;br /&gt;O calor desencorajava a permanência no exterior. Raros eram aqueles que deixavam a protecção refrescante da sombra proporcionada pelas arcadas dos edifícios que rodeiam a praça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto aguardávamos serenamente as tagines de borrego e frango, um estranho e jovem indivíduo aproximou-se do Alex e cumprimentou-o. Após alguns instantes, beijou e afagou-lhe o ombro enquanto balbuciava algumas palavras. Não se percebia propriamente o que ele pretendia... nem por que razão tinha escolhido o Alex! :P&lt;br /&gt;Eis que tenta, novamente, beijá-lo. &lt;em&gt;Gato escaldado...&lt;/em&gt; e o tipo espantou-se!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refeição saborosa, preço justo e serviço atencioso - para o Alex, até com uma &lt;em&gt;atençãozinha&lt;/em&gt; extra! :) Assim se resume o nosso almoço no restaurante &lt;em&gt;Hamada du Guir&lt;/em&gt; - Recomendado.&lt;br /&gt;Esta era a última refeição que partilharíamos os cinco. O Ricardo deixáva-nos hoje para iniciar o regresso a Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As escassos metros da praça ficava o &lt;em&gt;posto de abastecimento&lt;/em&gt;. Numa pequena loja de ferragens, uma arcáica e desmembrada bomba manual dispensava gasolina enbarrilada,  a força de braços.&lt;br /&gt;Uma coluna de jipes franceses deteve-se junto à oficina para também abastecer, um primeiro sinal de que estávamos a chegar ao Sul de Marrocos - e à &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Meca&lt;/span&gt; do TTurista. Os nossos dias por pistas isoladas pareciam prestes a terminar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, o marroquino deu por concluido o exercício dorsal. Esticou-se e pediu 14Drh/litro!... Nada a fazer, ali há escolha! Dez litros para cada um será suficiente até Merzouga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68358524-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 350px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68358524-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Despedímo-nos do Ricardo e atacámos uma pista para Sul à saída de Boudnib. Após alguns quilómetros em direcção à localidade de Taous por pista arenosa, subimos através duma extensa trialeira e fletimos para Sudoeste ao longo da Hamada du Guir. &lt;br /&gt;A pista era agora pedregosa e orientava-se progressivamente para Sul percorrendo, à escassa distância permitida, a base da Hamada du Guir para lá da qual se estende a zona militarizada de fronteira com a Argélia.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68359757-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68359757-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E porque estarão marroquinos e argelinos de costas voltadas? &lt;br /&gt;O conflito trans-fronteiríço remonta aos anos 50, quando a Argélia estava envolvida na gerra da independência contra a ocupação francesa (1954-62). O então lider nacionalista argelino, Ferhat Abbas, entregou os territórios, que Marrocos reclamava como históricamente seus, em troca do apoio do reino contra os franceses. Depois de Ferhat Abbas ter sido afastado do governo da Front de Libération Nationale, pela coligação militar liderada pelo radical Ben Bella, o governo argelino escusou-se de qualquer intenções de respeitar compromissos assumidos por Abbas ou reconhecer as pretenções de Marrocos, sejam políticas ou históricas, acusando Marrocos de aproveitamento da frágil condição da Argélia do pós-guerra.&lt;br /&gt;Em Outubro de 1963, após vários meses de pequenos conflitos fronteiríços entre os dois países, Marrocos empreendeu uma ofensiva em larga escala naquela que ficou conhecida como a "Sand War" - guerra de areia.&lt;br /&gt;Apesar da manifesta superioridade militar, Marrocos não coseguiu penetrar a sólida e experiente defesa argelina, protagonizada principalmente pelos veteranos da guerra da independência, e acabou por recuar após três semanas de combates.&lt;br /&gt;Em Fevereiro de 1964, Marrocos e Argélia assinaram formalmente um cessar-fogo e, posteriormente, os acordos de paz.&lt;br /&gt;Apesar disso, o mal-estar continuou. Em 1975, Marrocos ocupa o Sahara Ocidental - após Espanha se ter retirado - e a Argélia imediatamente apoia a frente Polisario nas suas pretenções independentistas.&lt;br /&gt;Tindouf na Argélia, território que chegou a ser reclamado pelo reino de Marrocos, hospeda desde então um número muito significativo de refugiados saharawi e é a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;base&lt;/span&gt; da frente Polisario e do governo exilado do Sahara Ocidental.&lt;br /&gt;A herança da "Sand War" perdura e ainda hoje as fronteiras entre os dois países permanecem fechadas.&lt;br /&gt;Marrocos mantêm estancionados importantes contingentes militares em todas as principais localidades fronteiríças. Uma faixa militarizada interdita, delineada pela chamada segunda linha, com vários quilómetros de largura percorre toda a fronteira do país. Em algumas zonas onde a passagem é tolerada, postos militares controlam a entrada e saída de pessoas e viaturas, fundamentalmente, TTuristas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68362305-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68362305-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Nesta zona de Marrocos, a Hamada du Guir marca a separação os dois países e todas as pistas que divergem na sua direcção estão interditas. Ao longo da berma escarpada da Hamada, postos militares marroquinos pontuam as elevações mais pronunciadas, com panorama priveligiada sobre uma vasta àrea. Para lá da enorme barreira natural que se ergue ao lado na longa pista que seguimos, extende-se uma imensidão planáltica que penetra pela Argélia. Que pena não podermos por ali seguir. Que pena que os povos não se consigam entender. Que pena que persistam fronteiras políticas no mundo. Que pena...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68361462-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68361462-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Praticamente rectilínia, interrompida frequentemente pelas enormes depressões e reentrâncias provocadas pelo escoamento de àguas, a nossa pista seguia paulatinamente para Sul-sudoeste durante largas dezenas de quilómetros.&lt;br /&gt;Quando chegámos ao vale do Bou Iferda, as trialeiras sucediam-se e chegou-se a colocar a hipótese de voltar atrás e apanhar outra alternativa. "Nada disso!" - se aquela pista segue por ali, era por ali que nós seguiríamos também! Ultrapassámos o vale e a pista fletia para oeste, afastando-nos da Hamada que se erguia à nossa frente.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68360503-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68360503-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O Sol lá se ia despedindo à medida que o vento forte levantava e, quando alcançámos o oued Taggourt, decidimos percorrer o seu leito até encontrar um bom local para pernoitar. Alguns quilómetros depois ancorámos no macio solo arenoso do oued, sob a protecção duma encosta acentuada. Montámos o acampamento e preparámos o jantar.&lt;br /&gt;Eu, relutantemente, lá regressei à &lt;span style="font-style:italic;"&gt;ração de combate&lt;/span&gt; e uma conserva de lulas, acompanhada com um bocado de pão, permitiram-me enganar a fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estávamos, em linha recta, a cerca de 40 quilómetros do Erg Chebbi. Pela manhã chegaríamos ao &lt;span style="font-style:italic;"&gt;parque de diversões&lt;/span&gt; mais famoso de Marrocos. "Dunas..." - e fomos todos descansar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/71587036-O.jpg"&gt;Percurso do dia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-8-do-plateau-du-rekkam-bouanane.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-10-da-hamada-du-guir-merzouga.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114702737776051908?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114702737776051908/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114702737776051908&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702737776051908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702737776051908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-9-de-bouanane-hamada-du-guir.html' title='Dia 9: De Bouanane à Hamada du Guir'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114702736842231593</id><published>2006-04-21T19:42:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:33:54.876+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2006'/><title type='text'>Dia 8: Do Plateau du Rekkam a Bouanane</title><content type='html'>Foi de forma inesperada que me acordaram. Já fui acordado por uma grande variedade de dispositivos e animais... mas ao som do azurrar de um burro deve ter sido a primeira vez! Para melhorar ainda mais a experiência, o providencial jumento foi pontual!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subi ao cume do monte adjacente para testemunhar o momento. Lá em baixo, no vale, o Tempo parou por instantes. Separadas por algumas dezenas de metros mas por centenas, talvez milhares, de anos de evolução e adaptação, fintavam-se duas gerações de nómadas, embora de propósitos bastante distintos.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68334524-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68334524-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Dum lado, uma modesta tenda de lã, suportada por varas de madeira e enormes calhaus, forrada com tapetes e prenchida com os escassos objectos pessoais que sustêm várias vidas. À sua volta, um rebalho de cabras simbolizava toda a riqueza reunida por aquela família. Na distância, sobre a encosta do outro monte, o burro rebusnava solitariamente.&lt;br /&gt;Do outro, erguiam-se tendas sintéticas ultra-leves, com pólos e estacas de alumínio, recheadas do conforto fornecido pelos colchões de ar e sacos-cama de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Micro-loft&lt;/span&gt;. À sua volta repousavam motos de alta cilindrada, veículos raros em Marrocos, equipadas com tecnologia da era espacial que não representam mais que luxos acessórios nas nossas vidas. Na distância, sobre este monte, eu observava solitariamente... e sorria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começámos a levantar o acampamento e o jovem nómada, que viera ao nosso encontro na noite anterior, aproximou-se de nós. Sentou-se e ficou, simplesmente, a observar.&lt;br /&gt;O Ricardo, que mais uma vez tinha dispensado a cápsula de poliester, tinha visto o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;motard&lt;/span&gt; partir pelo alvorecer - Talvez tenha ido buscar a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;mobilette&lt;/span&gt;! - Acabou de vazar um garrafão de 5 litros de àgua para dentro do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;drink-pak&lt;/span&gt; e pousou-o junto do nómada.&lt;br /&gt;Certamente seria utensílio mais útil para eles do que para nós!O jovem levantou-se e recolheu o garrafão.&lt;br /&gt;Escassos minutos volvidos regressou. Trazia o garrafão cheio de àgua e pousou-o junto de nós.&lt;br /&gt;Apesar de não ser essa a nossa intenção, abalou-me a tremenda generosidade do rapaz. Jamais me esquecerei deste momento.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Dissemos-lhe&lt;/span&gt; que não pretendíamos a àgua mas apenas oferecer-lhe o garrafão, gesto que agradeceu como se lhe tivéssemos deixado uma jóia. Aprendi mais uma grande verdade: a necessidade define a utilidade e o valor dos bens, facto que raramente ponderamos na consumista sociedade ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradecemos a hospitalidade e partimos rumo a Sul. Pela frente estendia-se o que nos restava do Plateau du Rekkam.&lt;br /&gt;Após escassos quilómetros de pistas rápidas, rumámos a Este para convergir com a nossa rota. Tínhamos de atravessar uma cordilheira de montanhas e era essencial acertar com a única passagem da região, junto ao jbel El Ourak.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68336011-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68336011-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Por entre os montes de Saibet acompanhámos um oued até alcançarmos a rota marcada. A via priveligiada era a pista 5358, longa, arenosa e rectilínea, que nos levaria velozmente para Sudoeste em direcção à aldeia de Bel Ghiada. Depois, corrigimos o azimute para Sudeste para irmos ao encontro do jbel El Ourak. Através dum amplo vale arenoso, alcançamos o estreito desfiladeiro que nos permitia progredir para Sul... e deixar definitivamente o Rekkam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A passagem do desfiladeiro proporcionou-me uma das mais belas paisagens que já pude contemplar. O passo angulado, que descia pelo desfiladeiro, tinha sido calçado para evitar a degradação e continuava depois junto à margem de um oued. Parámos junto ao oued e decidimos ali almoçar.&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68337444-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68337444-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O vento soprava forte através do desfiladeiro, compensando o calor que o Sol já insistia em transmitir.&lt;br /&gt;Na poeira do desfiladeiro surge, inesperadamente, um berbére. Montava um jumento cruzado que, a passo, percorria pacientemente a pista na nossa direcção.&lt;br /&gt;À passagem pelo aglomerado de motos encostadas à berma da pista o ancião, enrolado numa velha manta de lã, cumprimentou-nos suavemente com a cabeça. Não sei quem era, de onde veio, nem para onde foi. Mas sei que tinha todo o resto da sua vida para o fazer. A passo, sem pressa.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68339630-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68339630-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Um dia, se chegar a ancião, espero envelhecer num mundo onde ainda se viva assim. Num mundo onde cada minuto serve para percorrer mais uns metros, onde cada dia importa e faz diferença. Onde cada ano ainda enriquece o ser. Não numa qualquer cidade ocidental onde a velhice, além de ridicularizada na sociedade e nos nossos lares, não passa da antecâmara do esquecimento, da solidão, da paralisia e da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O almoço já o tinha pronto. Deliciei-me com os grãos e atum que tinham sobrado do jantar, à sombra de uma àrvore ancorada na beira do leito.&lt;br /&gt;Após o repasto deixámos o desfiladeiro e contornámos o jbel El Ourak, dirigindo-nos para ocidente junto à sua vertente sul.&lt;br /&gt;Alguns quilómetros depois, através duma pista pedregosa e degradada, alcançámos um pequeno oásis. Nas redondezas, algumas cabanas de alvenaria e um poço.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68342888-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 140px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68342888-S-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68341597-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 195px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68341597-S-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68343921-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:center; margin:10px 0 10px 5px; text-align:right;cursor:pointer; cursor:hand;width: 195px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68343921-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Algumas mulheres e crianças afastavam-se por um pequeno carreiro acidentado. Levavam àgua e roupa lavada. Certamente haveria ali alguma aldeia por perto.&lt;br /&gt;A pista terminava ali, junto do poço, e após explorarmos um pouco o vale encontrámos  traços até outra pista, esta sim, que nos levaria então através do vale de Dayet El Mahrouta, depois junto ao oued Bou Kheehha pela Batene Aj-Jedari - na vertente sudeste do jbel Talmeust.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68346683-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 5px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68346683-S-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68346010-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 5px 5px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68346010-S-1.jpg" border="0" alt="" width="275" height="131";/&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68347553-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:5px 5px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68347553-S.jpg" border="0" alt="" width="275" height="157"/&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68350448-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:5px 0 10px 5px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68350448-S.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Já tínhamos percorrido bem mais de 500Km e as nossas reservas de gasolina deveriam estar mesmo, mesmo a acabar!&lt;br /&gt;Chegámos aos arredores de Bouanane praticamente a vapores. Aliás, o Alex ficaria a meia dúzia de quilómetros não fosse o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;excesso&lt;/span&gt; que o Quim transportava. Após uma pequena transfega, percorremos os carreiros que atravessavam as culturas que se extendem ao longo do palmeiral, cruzámos o ainda razoável caudal do oued Bouanane e completámos os últimos quilómetros até à localidade pelas suas férteis margens.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68351450-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68351450-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A localidade de Bouanane recebeu-nos quase à hora de jantar. Parámos junto a um café na praça central e refrescámo-nos com algumas bebidas e chá.&lt;br /&gt;Aqui não há estação de serviço e, portanto, teríamos de abastecer comprando gasolina  enbarrilada aos locais.&lt;br /&gt;Decidimos jantar por ali e encomendámos uma tagine de borrego. Enquanto preparavam a refeição, partimos com um local em busca da gasolina.&lt;br /&gt;Levou-nos até uma zona residencial na períferia onde, através do portão duma pequena garagem, duas mulheres se encarregaram de fornecer o precioso líquido. Dois garrafões de 5 litros para cada um e seria suficiente para nos levar até Boudnib.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68352585-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68352585-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Esgotámos as reservas do barril e ainda faltavam mais 10 litros para o Ricardo.&lt;br /&gt;A miudagem do bairro imediatamente acorreu ao local, não para pedinchar, mas apenas para satisfazer a curiosidade natural pelas motos. A festa estava garantida! :)&lt;br /&gt;Regressei com o Quim ao café, enquanto os outros foram comprar gasolina a outra casa. O Quim estava &lt;span style="font-style:italic;"&gt;em pulgas&lt;/span&gt; para sondar uma pista para Sul e esperei por todos no café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite tinha caído mas, como é normal em Marrocos, a azafama da localidade não tinha diminuido. Antes pelo contrário! Bouanane revelava-se uma localidade pacata, sem a pressão que normalmente os miúdos e os comerciantes fazem sobre os forasteiros. Durante as horas que permanecemos na vila, senti-me integrado!&lt;br /&gt;Após termos jantado, comprámos pão e àgua e deixámos a vila em busca de local para acampar. Rumámos a Sul, em direcção à fronteira, na esperança de encontrar uma pista que nos afastasse dos olhares passageiros.&lt;br /&gt;Progredimos cerca de 12Km e, após avaliarmos vários locais, acabámos por nos afastar da estrada por fora de pista, em direcção a Este, até junto de alguns arbustos.&lt;br /&gt;Na escuridão da planície desértica, montámos as tendas e fomos descansar. Daqui em diante a nossa rota rumará para Sudoeste, através das longas pistas do grande sul de Marrocos!&lt;br /&gt;"Venha a areia! Vamos a ela!" - Estamos prontos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/71586996-O.jpg"&gt;Percurso do dia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-7-de-ersaf-ao-plateau-du-rekkam.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-9-de-bouanane-hamada-du-guir.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114702736842231593?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114702736842231593/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114702736842231593&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702736842231593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702736842231593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-8-do-plateau-du-rekkam-bouanane.html' title='Dia 8: Do Plateau du Rekkam a Bouanane'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114702733565296167</id><published>2006-04-20T19:41:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:33:54.876+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2006'/><title type='text'>Dia 7: De Ersaf ao Plateau du Rekkam</title><content type='html'>&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68444040-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68444040-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Arrumámos o equipamento e deixámos o acampamento por volta das 8:30. Prosseguimos a rota para Sudeste, por pistas planas e rolantes até ao momento em que nos deparámos junto dum entroncamento, à beira duma depressão. Por um lado, caminhos de montanha que enrolavam as encostas a perder de vista. Por outro, uma larga e deteorada trialeira que descia através do amplo vale do oued Bezzouz, em direcção à localidade de Al Kerma.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68444612-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68444612-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;A nossa rota, marcada grosseiramente sobre antigas cartas do IGN, era pela trialeira que nos orientava.&lt;br /&gt;Descemos o caminho, que vagamente me recordava uma majestosa calçada romana, e atravessámos a estrada, agora asfaltada que surgia, perpendicularmente, no fundo do vale.&lt;br /&gt;Tentámos várias alternativas para prosseguir naquele azimute, mas todas elas terminavam junto a casas ou desapareciam sob campos agora cultivados. Obviamente, a estrada asfaltada encarregou-se de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;eliminar&lt;/span&gt; as pistas...&lt;br /&gt;Regressámos, pela trialeira acima, até ao entroncamento e seguímos a alternativa restante. Teríamos de avançar, ainda mais, à descoberta pois estávamos agora também fora da rota.&lt;br /&gt;Apontámos a uma barragem que se revelava no horizonte, junto do jbel Lemqam, e através de estreitas pistas pela serra, algumas recém-criadas, alcançámos a represa sem dificuldades de maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tom azul turqueza das límpidas àguas da barragem contrastava com o seco beje avermelhado do cenário envolvente. Um pedaço de céu caiu na terra, diria. Pelas margens, um rebanho de cabras banqueteava-se com a escassa vegetação rasteira. Aproveitámos a frescura do local para almoçar e eu empunhei uma sandes de atum.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68445187-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68445187-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Por alguns instantes, observei uma borboleta que sobrevoava as margens calmas da barragem. Lutava freneticamente contra o vento forte que contrariava as suas intenções. A cada rajada, a frágil borboleta era arrastada para trás alguns metros. Mas, munida duma vontade incompreensível, não desistia e continuava obcecada com a sua rota.&lt;br /&gt;Num acto aparentemente insano, a borboleta, que até então se tinha mantido sobre a segurança do solo firme, lançou-se na travessia dum braço de àgua. À sua frente um &lt;em&gt;oceano&lt;/em&gt; com cerca de setenta metros, uma verdadeira epopeia à sua escala pois, com o vento forte que a contrariava, facilmente os setenta metros se transformariam nuns tumultuosos duzentos. Observei, com apreensão, o desfecho da sua aventura.&lt;br /&gt;Surpreendentemente, após inúmeras e forçadas acrobacias aéreas, o pequeno insecto concluiu com sucesso o seu empreendimento.&lt;br /&gt;Aquela borboleta surpreendeu-me da mesma forma que os seres humanos por vezes nos surpreendem. Na natureza, nada acontece por acaso. Tudo tem um propósito, por mais incompreensíveis que determinados acontecimentos nos possam parecer.&lt;br /&gt;A razão que leva uma frágil borboleta a lutar contra a força do impiedoso vento, sobre as àguas para si &lt;em&gt;mortíferas&lt;/em&gt; da barragem, talvez tenha pouco a ver com o ímpeto que nos levou a enfrentar oceanos há mais de meio milénio atrás. Alguém diria ainda que a borboleta nem se apercebe sequer da façanha! Talvez, pois a razão tem razões que ela própria desconhece e nós não conhecemos certamente as motivações duma borboleta. Possivelmente, nem estaremos geneticamente aptos para as compreender!&lt;br /&gt;Seja qual for a razão, fico feliz por reconhecer que, de alguma forma, seres humanos e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;animais&lt;/span&gt; ainda são unos. Que ainda partilhamos semelhanças com uma borboleta.&lt;br /&gt;Há quem, felizmente, ainda preserve a genuína alma destemida de enfrentar o perigo e o desconhecido para chegar um pouco mais além. Contra os preconceitos e contra a razão. Quem não a possui, não a compreende. Quem não a possui, rotula-a de inconsciência. Quem não tem a coragem de aos perigos se expor, considera-os riscos desnecessários. Mas o que é certo é que o risco de uns, geralmente, é o benefício de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68445738-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68445738-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Deixámos a barragem e retomámos a rota para Sul. À nossa frente erguiam-se as encostas escarpadas que delimitam o planalto. &lt;br /&gt;Após alguns quilómetros a subir pelas pistas sinuosas da encosta, chegámos ao topo através dum largo desfiladeiro. Progressivamente, a pista foi nivelando e alargando e o horizonte, repentinamente, expandiu-se... até onde a vista alcança. Tínhamos chegado: já estávamos perante o imenso Plateau du Rekkam.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68447489-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68447489-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Plano e alto... estávamos a cerca de 1300 metros de altitude. Plano, surpreendentemente plano. A pista quase rectilínia estendiam-se ao infinito e rolávamos depressa, muito depressa. Punho trancado, quase a 130 no GPS... com este peso, não dá mais. Talvez desse, se a roda traseira conseguisse manter tracção.&lt;br /&gt;Os traços divergiam em todos os sentidos e a pista, que cada um tomava, era definida pela imaginação.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68330468-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68330468-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Na ampla planura do Rekkam, só as nuvens de pó que emergiam do solo revelavam a localização das motos.&lt;br /&gt;Subitamente, várias pistas convergiam numa pequena elevação e lá nos reunimos. No alto do observatório, um pequeno posto militar. Parámos para apreciar a grandeza do local.&lt;br /&gt;Após trocármos algumas palavras com os militares, certamente habituados a observar pelos omnipresentes binóculos as loucuras dos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;étrangiers&lt;/span&gt;, lá prosseguimos a estafeta.&lt;br /&gt;Muitas dezenas de quilómetros depois, surgiam as primeiras elevações no horizonte... e apareciam algumas armadilhas encobertas pela ilusão alimentada de planura.&lt;br /&gt;Sem anúncios, grandes rasgos no solo surgem no caminho. Fios de àgua que ao longo dos tempos formaram extensos canais, erodindo o planalto até às suas entranhas pedregosas.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68330988-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68330988-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Não é raro deparármo-nos com autênticos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;precipícios&lt;/span&gt; de três ou quatro metros de altura. Rasgar velozmente a imensidão plana do Rekkam pode criar ilusões dispendiosas. Toda a atenção é pouca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim da tarde avançávamos já através da pequena localidade de Matarka. Aproximava-se a hora de procurar local para acampar e tentámos seguir uma pista junto a um pequeno oued. Depois, mais alguns metros pelo oued...&lt;br /&gt;Mas a pista não tinha saída, terminava junto de algumas casas isoladas e o oued era intransitável.&lt;br /&gt;Regressámos à pista principal no momento em que passava um verdadeiro nómada numa &lt;span style="font-style:italic;"&gt;mobilette&lt;/span&gt;. O Quim fez-lhe sinal que parásse e trocaram alguns gestos.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68333745-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68333745-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Prosseguimos pela pista e volvidos alguns quilómetros detivémo-nos, por entre as elevações de Armachene Gara, num enorme pátio arenoso. O local era magnífico para pernoitar!&lt;br /&gt;Alguns minutos depois passa, pela pista, o nómada da mobilette. Para assegurar a conveniência do acampamento, o Quim lembrou-se de pedir ao homem que parasse novamente para lhe perguntar se ficaríamos bem ali... se seria seguro.&lt;br /&gt;Ao que constou, parece que sim... e o nómada partiria, se ao menos a mobilette pegásse!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram momentos de frustação para o jovem nómada. De fisionomia alta e esguia, ostentava feições genuinamente beduínas. Não teria certamente mais de 30 anos de idade. Sob o impotente olhar ignorante dos cinco &lt;span style="font-style:italic;"&gt;étrangiers&lt;/span&gt;, começou por verificar a vela. Faz faísca... mas troca-se na mesma. O cachimbo não existia... com a ponta descarnada do fio em torno do pivot da vela, verificou se dava choques enquanto accionava os pedais... dá choque, como pudemos comprovar!&lt;br /&gt;Depois retirou, dos pequenos alforges da mobilette onde parecia caber quase tudo, duas garrafas de mistura que trocou com a que estava no depósito... ainda assim não pega, não era da mistura. Pedalava furiosamente, corria com a mobilette dum lado para o outro pela pista fora... e nada.&lt;br /&gt;Não compreendíamos porque é que a maldita acelera não queria pegar! Tinha mistura no carburador e tinha ignição... o que mais é preciso para um motor tão arcáico e singelo funcionar? Talvez a admissão de ar? Nós não sabíamos... e o pobre homem, que tentou de tudo o que pode, também não.&lt;br /&gt;O Quim observava consternado as tentativas infrutíferas do infeliz, talvez com uma certa dose de culpa a atormentar-lhe na consciência. Afinal, o tipo só ali tinha parado por sua solicitação!... e a noite já havia caído.&lt;br /&gt;Entretanto passa um furgão Mercedes - afamado transporte colectivo pelas pistas africanas - que acabou com as nossas intenções de ali pernoitar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se costuma dizer: o mal de uns é a fortuna de outros, e nós sentíamos óbviamente a necessidade de reparar a situação.&lt;br /&gt;Num diálogo surdo perguntámos ao nómada onde tinha a sua casa. Sugerimos que deixasse a &lt;em&gt;mobilette&lt;/em&gt; escondida por ali e oferecemo-nos para o levar à pendura até lá. Com sorte até poderíamos montar acampamento por perto. O homem anuiu efusivamente e lançou de imediato a &lt;em&gt;mobilette&lt;/em&gt; para a berma da pista!&lt;br /&gt;- "Não seria aconselhável esconder aquilo um pouco melhor?"&lt;br /&gt;- "Ele é que sabe..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68332697-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68332697-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Deixámos o local, com o nómada à pendura do Alex. Pela escuridão da noite, guiou-nos através da planície. Andávamos fora de pista surgindo, apenas esporádicamente, algumas marcas das sucessivas passagens da &lt;em&gt;mobilette&lt;/em&gt;. Impressionava a capacidade de orientação no bréu do, agora felizardo :), pendura da AT.&lt;br /&gt;Após quase uma dezena de quilómetros, parámos - "É aqui".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na escuridão total, não conseguimos ver a ponta duma tenda! :) Apenas o ladrar furioso de um cão revelava a presença humana.&lt;br /&gt;Entretanto, outro nómada surgiu na penúmbra e trocaram palavras animadas. O nómada agradeceu entusiasticamente a nossa boleia e aproveitámos a deixa para gestualmente solicitar a nossa permanência ali durante a noite.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Oficialmente&lt;/em&gt; autorizados, iniciámos a instalação do arraial de imediato. Visivelmente maravilhados, os nómadas observaram atentamente a montagem das tendas, enquanto ajudavam a espetar as estacas e comentavam entre si a qualidade e resistência dos materiais.&lt;br /&gt;O cão não pretendia parar de ladrar apesar de começar a apresentar sintomas de afonia! Finalmente, após a &lt;em&gt;ajuda delicada&lt;/em&gt; dos zelosos mestres, lá se engasgou e sossegou.&lt;br /&gt;Jantámos; eu acabei por aquecer uma lata de grãos que acompanhei com o incontornável atum; e fomos merecidamente descançar o corpo dos mais de 330Km que o dia tinha rendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/71586944-O.jpg"&gt;Percurso do dia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-6-de-saka-ersaf.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-8-do-plateau-du-rekkam-bouanane.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114702733565296167?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114702733565296167/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114702733565296167&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702733565296167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702733565296167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-7-de-ersaf-ao-plateau-du-rekkam.html' title='Dia 7: De Ersaf ao Plateau du Rekkam'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114702730015896867</id><published>2006-04-19T19:41:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:33:54.877+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2006'/><title type='text'>Dia 6: De Saka a Ersaf</title><content type='html'>Acordei pouco antes das 8:00 e apressei-me a escalar um dos montes circundantes. Queria capturar a grandiosidade do vale, ou melhor, a pequenez da nossa existência perante aquele panorama magnificente.&lt;br /&gt;Sob a terna envolvência de duas elevações do jbel Yerene, velada pela magnitude titânica do jbel Mezgout, repousava a efémere e insignificante presença de cinco seres humanos e seus estranhos artefactos. Uma visão sublime que jamais poderemos fielmente retratar.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68468159-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68468159-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Regressei à minha condição e preparámos um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;thé a la ment&lt;/span&gt; com a menta que comprámos em Saka no dia anterior.&lt;br /&gt;Arrumámos o material e iniciámos a jornada já por volta das 9:00.&lt;br /&gt;Tentámos seguir os vestígios duma pista através das encostas do jbel Yerene mas, como se verificou, estava à muito abandonada e grande parte já tinha desaparecido. &lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68470611-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68470611-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Incertos da sua viabilidade, decidimos optar por seguir o leito seco do oued contornando o jbel por oriente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após cerca de uma hora a progredir suavemente sobre piso de cascalho, avistámos uma pista que fletia na direcção desejada e abandonámos o oued. Seguímos ao longo de um amplo desfiladeiro até alcançarmos uma planície imensa que nos permitiu rolar a bom ritmo.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68471338-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68471338-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Por volta das 10:30 já tínhamos passado pela aldeia de Ain Nkhil e, meia hora depois, atravessávamos a bacia plana e os campos de cultivo que se estendem pelas margens do caudaloso oued Moulouya.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximei-me do oued e atravessei-o. Com cerca de 40 metros de largura, mas pouco profundo, de àguas cristalinas e fundo pedregoso. Junto de nós afunilava junto dum pequeno degrau erodido no solo que, ao aumentar consideravelmente a corrente e velocidade das àguas, criava uma espécie de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;rápido&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68473343-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68473343-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Saltei da moto e preparei-me para fotografar os companheiros. Sem dificuldades, foram atravessando o oued.&lt;br /&gt;Por fim, o Tiago mandou-se às àguas. Quando estava quase a chegar à outra margem, a traseira da moto fugiu num pequeno slide e parou. "A corrente!" - exclamou. Acorri em seu auxílio e empurrámos a moto para a margem do oued. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por contacto nalgum calhau a corrente tinha saltado da cremalheira e, cedendo à força com que se enrolou em torno do pinhão de ataque, partiu-se.&lt;br /&gt;"Bem, já que não saimos daqui tão cedo, aproveito para tomar um banho!" - oportunidades destas são raras!&lt;br /&gt;Enquanto o Tiago tratava de solucionar o problema, fomos todos tomando banho.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68442797-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68442797-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Algumas centenas de metros a montante, o motor duma bomba rugia ferozmente para desviar a àgua para os canais de rega. Junto dela, algumas mulheres e várias crianças. Pouco depois um simpático marroquino, aparentemente o chefe de família, estava junto de nós. Apesar de não falar francês tentou ajudar a soltar a corrente e, depois, prostrou-se no chão ao nosso lado observando atentamente os trabalhos de reparação.&lt;br /&gt;Entretanto almoçámos. Eu optei por pão com paté e uma laranja.&lt;br /&gt;Após mais de três horas de trabalho, o problema estava finalmente resolvido. Foi então a vez do Tiago tomar banho e comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passavam das 16:00 quando retomámos a pista e continuámos a progredir para Sudeste, ao longo de pistas fáceis sobre a planície. Estávamos prestes a iniciar a etapa-maratona que nos levaria através do Plateau du Rekkam e necessitávamos de reabastecer de combustível e mantimentos.&lt;br /&gt;Chegámos ao asfalto entre Guercif e Taourirt e interrompemos a rota. Tentámos mas, à  falta de alternativas por pista, lá prosseguimos por asfalto para Taourirt.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reabastecemos as motos, atestámos os jerricans, comprámos àgua e pão. Aproveitámos e lanchámos numa pastelaria muito bem arranjada. Bebemos chá e orientei-me com um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;crèpe avec mel&lt;/span&gt;. Luxos, a que devemos sempre dar o devido valor. ;)&lt;br /&gt;Por volta das 18:45 deixámos Taourirt preparados para, no mínimo, 450Km de autonomia. Regressámos rapidamente ao local onde tínhamos abandonado a pista anteriormente e retomámos a nossa rota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68443167-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68443167-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Por pistas duras e rápidas seguimos, ao longo de um gasóduto, para Sudeste. O Sol já estava baixo e era tempo de procurar local de pernoita.&lt;br /&gt;Pouco antes do asfalto entre Taourirt e Debdou, nas proximidades da localidade de Ersaf, localizámos um baixio junto a uns terrenos de cultivo, à beira do gasóduto, que se prestava perfeitamente ao que pretendíamos.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68443712-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68443712-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Montámos o acampamento e, já com noite cerrada, jantámos. Mais uma vez a sandes de paté fez as honras acompanhada, desta feita, por uma conserva de lulas.&lt;br /&gt;A jornada, apesar de curta devido às quatro horas de paragem forçada, tinha sido suficientemente rentável e estávamos já praticamente "às portas" do Plateau de Rekkam.&lt;br /&gt;Não demorámos muito a recolher aos aposentos para mais uma merecida noite de decanso. Amanhã, vamos andar muuuuito bem! :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/71586895-O.jpg"&gt;Percurso do dia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-5-de-al-hoceima-saka.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-7-de-ersaf-ao-plateau-du-rekkam.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114702730015896867?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114702730015896867/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114702730015896867&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702730015896867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702730015896867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-6-de-saka-ersaf.html' title='Dia 6: De Saka a Ersaf'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114702714611140290</id><published>2006-04-18T19:38:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:33:54.877+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2006'/><title type='text'>Dia 5: De Al Hoceima a Saka</title><content type='html'>"Já há um número significativo de pessoas levantadas!" - Rapidamente, arrumámos o material e deixámos o camping. Não posso dizer que o recomende a alguém. Os designados WC tinham de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tudo&lt;/span&gt; menos água e o piso era duro, com muito cascalho irregular, um autêntico pesadelo para sustentar uma tenda.&lt;br /&gt;Abastecemos as motos e procurámos o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;thé a la ment&lt;/span&gt; e os &lt;span style="font-style:italic;"&gt;crépes avec mel&lt;/span&gt; para o pequeno-almoço. Após a refeição, buscámos o necessário pão e àgua para a jornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixámos Al Hoceima pela estrada para Nador. Logo após a saída da cidade sondámos um caminho para este, que seguia em direcção ao mar, na tentativa de abandonar imediatamente o asfalto. O caminho terminava junto da baía e não evidenciava sinais de continuar. Na baía de Al Hoceima, pontuavam pequenos rochedos, alguns totalmente desolados que pouco mais que ninhos de gaivotas albergavam. Isso e... "Aquilo não são bandeiras espanholas?" - perguntei.&lt;br /&gt;"Aquela ali ao fundo com a fortaleza e a torre, se não me engano, foi o primeiro Club Med" - afirmou o Quim.&lt;br /&gt;Dentro de poucos momentos, apareceu um militar marroquino, vindo da praia - "Bienvenue au Maroc!" - exclamou.&lt;br /&gt;Na curta conversa com o simpático soldado, explicou que as ilhas tinha sido "roubadas" por Espanha o que, de facto, era uma tristeza... chamam-lhe os espanhóis, o Penón de Alhucemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltámos à estrada e procurámos um track que começava poucos quilómetros adiante, em Imzouren. Imediatamente antes desta localidade, divergímos para este, pelos campos de cultivo que preenchem todo o vale do oued Nekor.&lt;br /&gt;Atravessámos o vale por pistas agrícolas que serpenteiam por entre os inúmeros canais do sistema de rega. O vale aparenta ser um importante fornecedor de produtos agrícolas à região, particulamente à cidade de Al Hoceima.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68460995-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68460995-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;No extremo oposto do vale o track prosseguia por asfalto, contornando a montanha que se estendia até ao mar. Nós tentámos enveredar por caminhos que subiam acentuadamente pela montanha, por entre aldeias pitorescas e searas verdejantes,  tentando evitar o asfalto até ao ponto em que pela frente não tínhamos mais que ténues carreiros de pedra degradados. Tentámos  forçar a passagem o mais que conseguimos mas não tínhamos condições de progredir.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68462978-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68462978-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Amarga derrota perante a assistência distante dos aldeões circundantes que já nos haviam informado que ali só passavam burros. :)&lt;br /&gt;Não conseguimos transpor aquela barreira natural, mas a tarefa àrdua foi recompensada pela vista dislumbrante obtida sobre o vale do Nekor e baía de Al Hoceima.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68461875-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68461875-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Regressámos ao asfalto e prosseguimos pelo track. Após transpormos a inclinação da montanha pela estrada caprichosa, o caminho marcado revelava-se à esquerda. Apesar dos declives, a pista estava bastante bem marcada, era larga e rápida permitindo-nos progredir a bom ritmo e apreciar simultâneamente a magnífica paisagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após alguns quilómetros, o track regressava novamente ao asfalto. Cruzámo-nos com o oued Amekrâne e decidimos por ele avançar na tentativa, claro está, de fugir do asfalto.&lt;br /&gt;O oued levava bastante àgua, para os padrões marroquinos, e o solo estava algo elameado. Progredimos meia dúzia de kilómetros para montante (sul) mas as dificuldades aumentavam e parecia de facto não haver por ali caminho. Acabámos num acolhedor vale onde aproveitámos para almoçar. Pão com paté e uma conserva de polvo foi a ementa escolhida.&lt;br /&gt;Em poucos momentos, dois marroquinos surgiram no alto do monte empunhando uma marreta e uma picareta. Ao que constactámos, andavam por ali a partir pedra.&lt;br /&gt;Doi-me o corpo só de ver a forma como estes homens reduzem enormes pedregulhos a pequenos calhaus, que posteriormente utilizam como tijolos para construção.&lt;br /&gt;Alguns minutos depois chegou um tractor, pelo mesma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;via&lt;/span&gt; que tomámos, com uma galera a reboque para onde carregaram a pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixámos o local e regressávamos ao asfalto, aproveitando para lavar a moto na caudalosa linha de àgua do oued. O Quim parou e queixou-se da suspensão - "Está a bater!"&lt;br /&gt;Estranhamente, batia mesmo e parecia excessivamente mole. Apesar da pré-carga estar regulada no mínimo, não deveria bater assim tão facilmente... teria a mola cedido e perdido elasticidade? Ou terá o reservatório perdido gás?&lt;br /&gt;Chegámos à estrada e o Quim estava seriamente preocupado com o estado da suspensão. Pensámos que o melhor seria procurar uma oficina e tornar a suspensão mais dura, aumentando a pré-carga da mola, pois mais que isso certamente não conseguiríamos por ali fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68464909-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68464909-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Avançámos por asfalto e atravessámos um passo muito interessante antes de chegar a Irhmirene. Depois continuámos até Tifriste, localidade onde encontrámos finalmente uma oficina.&lt;br /&gt;O mecânico também não tinha ferramenta adequada e tivémos mesmo que efectuar o serviço à lei do martelo e chave de fendas. Várias voltas depois, a suspensão continuava mole e esgotava facilmente - "Estranho, vê lá... onde é que isso está a bater?"&lt;br /&gt;Surpreendentemente, o problema nada tinha a ver com a suspensão! Enquanto andávamos a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;trepar paredes&lt;/span&gt; nos montes limítrofes de Al Hoceima, o Quim tinha deixado cair a moto e dobrou ligeiramente um dos reservatórios traseiros. Com a compressão da suspensão, a base do reservatório, colidia com a protecção de corrente e causava a ilusão de esgotamento de curso! Ironicamente, isso também justificava o facto da protecção estar feita num oito...&lt;br /&gt;"Que estupidez..." - pensámos. E lá corrigimos o problema...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguimos para sul, em direcção a Midar, onde apanharíamos novamente o track. A pista espectacular seguia em direcção a uns montes de vegetação luxuriante, Sendo bastante rolante prosseguiamos a bom ritmo e, em pouco tempo, transpusémos a cadeia acidentada e alcançámos o leito seco do oued Kert.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68465536-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68465536-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Rolávamos agora em pistas rápidas através dum grandioso vale em direcção a Saka. Parámos para apreciar aquele cenário e, em poucos minutos, um simpático ancião aproximou-se de nós. Cumprimentou-nos efusivamente e falou-nos algo em bérbere. Como nós infelizmente não falamos bérbere e ele, compreensivelmente, não falava francês, foi por gestos que comunicámos. Perguntáva-nos para onde queríamos ir. "Saka é por ali!" - &lt;span style="font-style:italic;"&gt;dizía-nos&lt;/span&gt;. Quem precisa de GPS em Marrocos quando se encontram pessoas assim?&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68467687-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68467687-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Chegámos a Saka já ao fim da tarde. Aproveitámos o mercado para comprar fruta e menta e bebemos um chá num café adjacente. Após a pausa, o dono do café observou que tínhamos comprado a menta e imediatamente foi buscar uma garrafa de àgua para que mergulhássemos os talos da menta, mantendo-a viva. Apesar de agradecer a boa vontade do simpático homem, delicadamente expliquei-lhe que seria complicado manter a àgua e a menta dentro da garrafa, na moto, assim que partisse pelas pistas! :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixámos Saka com os olhos atentos a possíveis locais de pernoita. Entrámos em pista e, poucos kilómetros depois, chegámos a um oued arenoso suficientemente largo e profundo para nos acolher.&lt;br /&gt;Ainda estávamos a discutir a possibilidade de ficar ali quando os primeiros miúdos se assomaram na encosta. "Bem... aqui já não é!"&lt;br /&gt;Seguimos mais algus qulómetros pelo oued e parámos de novo. Estávamos num bom local e, por termos circulado durante algum tempo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;abaixo&lt;/span&gt; do nível do solo, convictamente pensámos que ninguém nos tinha visto parar ali. Errado, nem 5 minutos demoraram a alcançar-nos. Não poderíamos ficar ali sabendo que em breve seria local público.&lt;br /&gt;Partimos novamente, decididos a avançar o mais possível para os montes onde dificilmente seríamos localizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pista desaparecia progressivamente por entre os grandiosos montes pedregosos do jbel Yerene. Parámos um bocado e subi ao cume de um dos montes. O cenário grandioso cortava a respiração. Enormes vales remotos abraçavam picos rochosos de cor intensa, em tons de castanho, num panorama a perder de vista. Ao longe o jbel Mezgout preenchia imponentemente o horizonte. São momentos como este que, para mim, justificam todo o empenho com que empreendemos aventuras deste género.&lt;br /&gt;Avançámos um pouco mais, por fora de pista, até um enorme vale de aspecto lunar. A noite havia caído mas já tínhamos local para acampar.&lt;br /&gt;Esperámos alguns momentos para ver se apareciam, novamente, curiosos. Decidímos entretanto jantar e partilhei com o Tiago uma dose de esparguete e uma lata de atum. Passou quase uma hora e nem sinal de locais. Quando íamos dar ínicio à montagem do acampamento ouvimos um cumprimento distante. Do alto do monte, um vulto acenava. "Raios, não vai ser fácil hoje!" - exclamámos. Ponderámos o risco de ficar ali isolados sendo que, em breve, saberiam a nossa localização na vila. Decidimos arriscar e montámos as tendas, à excepção do Ricardo que decidiu dormir ao relento. O vale ventoso ameaçava uma noite fria e, sob o imenso céu estrelado que nos embalou naquela noite, não apareceu mais ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/71586829-O.jpg"&gt;Percurso do dia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-4-de-torres-de-alcal-al-hoceima.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-6-de-saka-ersaf.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114702714611140290?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114702714611140290/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114702714611140290&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702714611140290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702714611140290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-5-de-al-hoceima-saka.html' title='Dia 5: De Al Hoceima a Saka'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114702712586376393</id><published>2006-04-17T19:38:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:33:54.878+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2006'/><title type='text'>Dia 4: De Torres de Alcalá a Al Hoceima</title><content type='html'>A luz do dia despertou-me duma agradável noite de sono. Cá fora o sol brilhava por entre as poucas nuvens altas e uma agradável brisa amena convidava ao passeio.&lt;br /&gt;Arrumámos o material e dirigímo-nos para Torres de Alcalá em busca do chá da manhã.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68293873-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68293873-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Chegados a Torres, seguímos a estrada junto ao pequeno oued até à beira do mar. A estrada terminava de uma forma surpreendente. Parecia um daqueles panoramas saídos das magazines de viagem. Num enorme pátio acimentado, amparado pelo mar de azul profundo e coroado por um céu sarapintado de pequenas nuvens acetinadas, pontuavam duas mesas de esplanada ladeadas por quatro cadeiras. Era algo intocável. Uma daquelas visões que gostamos de apreciar à distância: "Não mexam! Está lindo assim."&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68295420-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68295420-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Estacionámos as motos junto ao mar na esperança de tomar o chá num café próximo. Estranhamente, o marroquino fechou o estabelecimento. Decidimos esquecer o chá e prosseguir. Continuámos pela pista sinuosa ao longo da linha costeira até estarmos praticamente em frente do rochedo espanhol de Penón de Velez de la Gomera.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68273927-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68273927-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;O Penón está ligado ao continente através de uma ínfima língua de areia que o ancora numa praia idílica, na foz do oued El Ansor.&lt;br /&gt;Estávamos perante o terminus da pista. Acabava numa trialeira, severamente degradada pelas chuvas e de acentuada inclinação, que ziguezagueava pela encosta abaixo até à praia. Percorri com o Quim, a pé, parte da trialeira para aferirmos da sua exequibilidade. "A furguneta passava! Uma roda aqui, outra ali..." - dizia. Mas decidimos não correr o risco. Os rasgos longitudinais profundos no pisco facilmente trancariam as rodas e mandariam-nos, com as motos pesadas, pela ribanceira abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltámos para trás até Torres, em busca de caminho para chegar aquela praia idílica. Percorremos pela estrada alguns quilómetros para Este em busca de alternativa. E não foi fácil encontrá-la. Por algumas horas, tentámos sem sucesso praticamente todas as pistas que divergiam em direcção ao mar.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68310003-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68310003-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Vales profundos intercalavam montes caprichosos, veredas apertadas sucediam as subidas pedregosas que, por vezes, causavam algumas dificuldades. A cadeia montanhosa que nos separava da costa mostrava-se inexpugnável.&lt;br /&gt;Regressámos à estrada e continuámos na senda daquela praia. Alguns quilómetros adiante encontrámos finalmente a pista que nos levaria até lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68315346-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68315346-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Chegámos à foz do oued El Ansor. O Penón, lotado de bonitas casas caiadas de branco, ostentava orgulhosamente a bandeira espanhola em jeito de desafio aos militares marroquinos. Sedeados numa pequena barraca sobreelevada de onde vigiavam a praia e formalizavam a fronteira, observavam apreensivamente todos os nossos movimentos.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68318167-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68318167-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Na estreita língua de areia, botes de pesca repousavam à beira das àguas claras e translúcidas que banhavam a baía.&lt;br /&gt;Num canto, junto ao Penón, uma pequeníssima ponte transpunha uma vala transversalmente escavada na areia. Ridiculamente, constituia a fronteira. Os quatro marcos brancos, dois em cada margem, exibiam tatuados as bandeiras da soberania em vigor.&lt;br /&gt;Aproximei-me com a camara discretamente, pois estou bem consciente das sensibilidades marroquinas em questões militares e fronteiriças, mas duas dezenas de metros antes de alcançar a ponte o militar, que me observava com olhar de falcão, deu-me finalmente ordem de recúo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitámos a espectacularidade e sossego do local para almoçar. Aqueci uma lata de feijão frade que acompanhei com atum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68452800-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68452800-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Após o repasto, enveredámos pelo oued acima para evitar voltar atrás pelo mesmo caminho. Infelizmente, após poucos quilómetros o oued estreitava entre grandes pedras e não era possível progredir mais. Acabámos por regressar pela mesma pista e orientámo-nos para Este. &lt;br /&gt;O Rif revelava-se cada vez mais luxuriante à medida que nos aproximávamos da localidade de Rouadi. Ao contrário do panorama que a rodeia, a localidade é totalmente desinteressante e partimos de imediato.&lt;br /&gt;Estávamos agora a seguir uma rota do Gandini que terminava junto de Al Hoceima.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68454170-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68454170-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Durante toda a tarde, percorremos encostas, subimos e descemos trialeiras, atravessámos vales, aldeias e campos de cultivo. Por vezes divergíamos da rota e dávamos conosco a seguir carreiros pelo meio de searas verdejantes.&lt;br /&gt;A cor da terra variava brusca e constantemente. Ao tom vermelho alaranjado, sucedia-se o lilás, violáceo, amarelado... uma paleta de cores garridas que desafiava a imaginação.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68455371-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 5px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 195px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68455371-S-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68456415-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 140px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68456415-S-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68457854-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:center; margin:10px 0 10px 5px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 195px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68457854-S-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A poucos quilómetros de Al Hoceima o Tiago, que se queixava regularmente do estado da direcção, verificou que não tinha condições de prosseguir e decidiu que tinha de tratar do problema. Combinámos instalar-nos no camping e ele prosseguiu para a cidade. Nós continuámos pela magnífica rota do Gandini até ao fim, numa praia próxima de Al Hoceima.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68459745-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68459745-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Os guardas da praia convidaram-nos a ficar e montar acampamento mas, com o Tiago já instalado no camping, o convite teve de ser recusado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegámos ao camping e já o Tiago tinha a suspensão da frente espalhada pelo chão. Formalizámos a nossa presença e, com uma certa dificuldade, reconstruimos a moto :) e montámos as tendas. O chão era autêntica pedra e só com a ajuda de calhaus consegui erguer o alojamento.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68460222-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68460222-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Na vizinhança do camping, um restaurante emanava música àrabe dum ambiente bastante animado. Rapimente atraiu as atenções do Ricardo que lá foi em busca de qualquer coisa para petiscar, talvez comida... :)&lt;br /&gt;Eu dividi uma lata de salsichas com o Tiago e matámos o resto do serão à conversa.&lt;br /&gt;O DJ do restaurante-bar lá sossegou finalmente e acabámos por ir todos descansar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã deixamos o Rif. Fica-me na memória como um lugar indiscritível. Uma daquelas raras regiões onde, quando pensamos que já vimos de tudo e do melhor, o dobrar de um novo cume ou o contornar de uma nova colina nos revela a mais surpreendente das panorâmicas.&lt;br /&gt;Merece, por si só, uma viagem dedicada de aventura e descoberta pois, se o fugaz olhar passageiro de um transeunte desvenda tanto pormenor e riqueza, que maravilhas ocultas ficaram por revelar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/71586775-O.jpg"&gt;Percurso do dia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-3-de-martil-torres-de-alcal.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-5-de-al-hoceima-saka.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114702712586376393?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114702712586376393/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114702712586376393&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702712586376393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702712586376393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-4-de-torres-de-alcal-al-hoceima.html' title='Dia 4: De Torres de Alcalá a Al Hoceima'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114702709792612890</id><published>2006-04-16T19:37:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:33:54.878+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2006'/><title type='text'>Dia 3: De Martil a Torres de Alcalá</title><content type='html'>Acordámos cedo. O dia estava agradável mas ligeiramente enevoado. Aproveitámos o comércio próximo para tomar o pequeno-almoço e comprar o indispensável pão e àgua para a jornada. Abastecemos e abandonámos Martil pela estrada em direcção a Tétouan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos arredores da cidade, encaminhámo-nos para a estrada costeira que nos levaria até Bou Ahmed. Tencionávamos seguir serpenteando pelas encostas verdejantes do Rif que suavemente abraçam o Mediterrâneo e, sem surpresa, o Rif proporcionáva-nos constantemente paisagens indiscritíveis.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68275848-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68275848-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A região montanhosa do Rif (Er Rif) estende-se desde o cabo Spartel(ponto mais a norte de África) a Oeste até ao cabo Tres Forcas a Este. A Sul é delimitada pelo oued Ouargha e a Norte pelo Mediterrâneo.&lt;br /&gt;Ao longo dos tempos os berbéres do Rif, conjunto das várias tribos que habitam a região, sempre foram considerados um povo orgulhoso e resistente. Na Idade Média, a região constituia o Reino de Nekor, um emirado fundado por um imigrante àrabe - Salih I ibn Mansur al-Himyarī - sob a tutela do Califa de Bagdad, com o intuito de converter os berbéres locais ao Islão.&lt;br /&gt;Já durante a ocupação espanhola, em 1921, o povo desta região que havia sido dos mais activos na resistência contra os avanços franceses pelo deserto, revoltou-se sob a liderança de Abd el-Krim el-Khattabi, um forte líder tribal, e fundou a República do Rif.&lt;br /&gt;Apesar dos esforços militares espanhóis para dissolver a recém-proclamada república, não foi antes de 1927 que uma força militar conjunta franco-espanhola conseguiu finalmente tomar a região e dissolver o estado. Abd el-Krim el-Khattabi permanece hoje como um afamado herói nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avançávamos com alegria e vontade pela estrada sinuosa. Atravessámos Bou Ahmed e, por esta hora, buscávamos já uma refeição.&lt;br /&gt;Estávamos irredutíveis: teria de ser peixe fresco, ora não estivéssemos nós junto ao mar! Poucas ou nenhumas oportunidades de comer peixe teríamos assim que divergíssemos para o interior.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68278112-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68278112-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Após algumas tentativas pouco sucedidas, fomos informados que poderíamos satisfazer o desejo de pescado na localidade seguinte: El Jebha. E foi para lá que nos dirigimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegámos em boa hora. À entrada da localidade, a azafama era enorme em torno do pátio amplo duma tasca onde se grelhava peixe, principalmente sardinhas. O &lt;span style="font-style:italic;"&gt;staff&lt;/span&gt; da tasca parecia não ter mãos a medir para a clientela; estava casa cheia. Encomendámos tagine de peixe, besugos por sinal, e algumas sardinhas assadas. Gentilmente prepararam-nos uma mesa no exterior, num baldio contíguo, à sombra dumas laranjeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o necessário tempo de preparação, a refeição começou a chegar. Salada, as tagines, sardinhas e batatas fritas. Depois mais sardinhas... e ainda mais sardinhas! "ALTO!" - exclamámos. "C'est beaucoup de sardines!..." - Decididamente, não queriam que saíssemos dali com fome!... e não saímos!&lt;br /&gt;Tudo estava saborosíssimo, particularmente as tagines, pois de sardinhas confesso não ser grande fã.&lt;br /&gt;Após o abastado repasto, coisa que concerteza seria rara nos próximos tempos, estávamos prontos para continuar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de boa mesa, El Jebha tinha outra particularidade: marcava o fim do asfalto, ou melhor, o verdadeiro início da nossa viagem.&lt;br /&gt;Após El Jebha, a estrada alcatroada flete para sudeste em direcção a Ketama - a mal afamada capital do haxixe - mas nós pretendíamos seguir a maravilhosa linha costeira, apertados entre o lençol azul turqueza mediterrânico e a esplendorosa manta enrugada de retalhos verdejantes e avermelhados a que chamam o Rif.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68284148-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68284148-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Saímos de El Jebha a sondar possíveis pistas para este. Rapidamente o Quim, que já havia por ali andando com a furgoneta, nos conduziu ao caminho correcto.&lt;br /&gt;Prosseguimos por uma das pistas mais belas que já tive o prazer de percorrer.&lt;br /&gt;Ao dobrar de cada colina o esplendor do Rif revelava-se de forma cada vez mais surpreendente.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68284596-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68284596-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68286585-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68286585-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Não é possível cansarmo-nos de por ali diâmbular.&lt;br /&gt;Mais adiante subimos um oued que proporcionou as primeiras dificuldades, pequenas é certo, da viagem. Muita pedra e alguns degraus serviram para apimentar ainda mais a espectacular pista que seguíamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuámos por pistas de montanha até chegarmos a um enorme estradão recém criado por maquinaria pesada.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68289569-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68289569-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Andam a construir uma nova estrada pelo Rif e não pouparam esforços para mover montanhas. Entristecia ver as entranhas do Rif expostas de forma tão agressiva.&lt;br /&gt;A tarde passou lesta e o pôr-do-sol encontrou-nos sobre um miradouro, naturalmente debruçado sob o mar, à beira da pista com Torres de Alcalá no horizonte. O local era apropriado e decidimos ficar por ali nessa noite.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68292689-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68292689-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Montámos as tendas, jantámos e conversámos sob um imenso céu estrelado. Por fim, descansámos embalados pelo som do harmónico murmúrio do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/71586730-O.jpg"&gt;Percurso do dia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-2-de-paymogo-martil.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-4-de-torres-de-alcal-al-hoceima.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114702709792612890?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114702709792612890/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114702709792612890&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702709792612890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702709792612890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-3-de-martil-torres-de-alcal.html' title='Dia 3: De Martil a Torres de Alcalá'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114702706852715315</id><published>2006-04-15T19:37:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:33:54.878+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2006'/><title type='text'>Dia 2: De Paymogo a Martil</title><content type='html'>Terei, num sono profundo, sonhado que estava semi-consciente ou teria passado a noite num estado absurdo de semi-consciência? Não sei... as poucas horas que intermediaram a lucidez foram suficientes para acelerar o nascer do sol.&lt;br /&gt;Eram cerca das 7:00 TEP(Tempo Em Portugal - o relógio "expedicionário" marca sempre a hora portuguesa) e já andava às voltas para tomar o pequeno-almoço no café do Hostel. Finalmente, lá abriram o tasco e acabei com o jejum.&lt;br /&gt;Aos poucos, lá foram aparecendo os restantes companheiros e calmamente preparámos a partida.&lt;br /&gt;O sol irradiava da sua energia em abundância, o que permitia não só encarar com optimismo a jornada como também aproveitar a pausa para secar a roupa enxarcada da noite anterior.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68269266-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68269266-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Por volta das 9:30 lá deixámos Paymogo, em direcção a sul, rumo a Algeciras.&lt;br /&gt;Após alcançarmos a autovia perto de Huelva e de a percorrermos até Sevilha, continuámos para Jerez.&lt;br /&gt;Retomámos a carretera nacional a meio caminho e, à passagem por El Cuervo, uma viatura de matrícula portuguesa buzinava entusiasticamente à nossa passagem. Parámos nos semáforos e o Alex comentou comigo: "Aquele carro tem um autocolante dos Nomad's!" - Achámos, simplesmente, curioso... mas nada mais.&lt;br /&gt;Pouco depois, já fora da localidade, estava novamente atrás de nós a buzinar a acenar! Ultrapassou-nos e ligou os 4 piscas... "Bem, o tipo curtiu mesmo a nossa onda!" - pensei.&lt;br /&gt;Abrandou na berma e o Quim, à frente da coluna, ultrapassou sem sequer pestanejar! Só quando passei junto ao carro é que me apercebi do aficionado condutor: era o Nuno, o irmão do Tiago! Lá encostámos finalmente...&lt;br /&gt;Já passava da hora de almoço e decidimos ir petiscar ao Romerijo, em Puerto de Santa Maria, para debicar o belo peixe frito. Acabámos à volta duma mista de peixe, lulas e choco, no jardim, junto à margem do rio Guadalete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do repasto, despedímo-nos do Nuno e da sua esposa e partimos para Algeciras.&lt;br /&gt;Os quilómetros voaram e África estava cada vez mais perto.&lt;br /&gt;Chegámos a Algeciras em boa hora. O barco saía às 19:00. Tínhamos uma hora disponível, tempo suficiente para comprar passagens e dirhams.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68270163-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68270163-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Já a bordo, acautelámos os vícios (tabaco para uns, "xarope" para outros :) ) e ultimámos os detalhes do percurso que enfrentaríamos nos próximos dias.&lt;br /&gt;Para já iríamos jantar e dormir nos arredores de Tétouan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;África revela-se serenamente por entre a bruma do estreito. À chegada a Ceuta, o tempo estava ameno e agradável e os raios de sol inundavam o enclave. Após abastecermos as montadas, prosseguimos para as formalidades fronteiriças.&lt;br /&gt;Sem dificuldade, desenbaráçamo-nos da burocracia alfandegária... até que os funcionários marroquinos deram pela falta de uma tal declaração. A moto do filho do Quim :) corria o risco de não passar de Ceuta!...&lt;br /&gt;De alguma forma, o Quim lá mostrou os seus galões e o chefe da alfândega teve de puxar do carimbo! :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A caminho de Tétouan, parámos para jantar em El Meliallyne. O Quim levou-nos a uma tasca já sua conhecida e o peixe frito que nos prepararam tinha tal calibre que envergonhava muitos "romerijo" por essa Europa fora... e custou uma pequena fracção do preço.&lt;br /&gt;Nos arredores de Tétouan, dificilmente conseguiríamos acampar despercebidos. Assim, após o jantar, o nosso guia conduziu-nos a uma modesta mas acolhedora pensão na localidade costeira de Martil.&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/68274527-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 360px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/68274527-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Com as motos guardadas na recepção no rés de chão, lá recolhemos aos quartos para descansar e carregar baterias.&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, abandonaríamos o asfalto. Na manhã seguinte, daríamos início à maior odisseia por fora de estrada das nossas vidas, até mais ver...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-1-de-lisboa-paymogo.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-3-de-martil-torres-de-alcal.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114702706852715315?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114702706852715315/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114702706852715315&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702706852715315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702706852715315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-2-de-paymogo-martil.html' title='Dia 2: De Paymogo a Martil'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114702704608501245</id><published>2006-04-14T19:37:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:33:54.879+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2006'/><title type='text'>Dia 1: De Lisboa a Paymogo</title><content type='html'>Após mais uma noite de trabalho, estava finalmente livre para viver mais 3 semanas! Regressei a casa pelas 8:30, disposto a tratar dos restantes preparativos e arrumar o material para a viagem. A partida estava marcada para as 15:00 na Marateca mas já tinha avisado o pessoal que integraria a coluna mais tarde, pois pretendia ainda descansar algumas horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia anterior, passado praticamente em claro (situação anormal para quem faz a vida ao contrário do comum dos mortais), reuni quase todo o equipamento que precisava com excepção do meio de o transportar pois, mais uma vez, não fui decente e atempadamente servido pela "famosa" TT-I e não tinha as necessárias malas de alumínio...&lt;br /&gt;Andava eu às voltas para tentar localizar uns alforges para desenrascar quando o Teles gentilmente se lembrou de mim e deu-se à massada de se deslocar lá a casa com as malas. Problema resolvido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta das 14:30, consegui dar por concluídos os preparativos e dispus-me a dormir um par de horas antes de iniciar a perseguição ao grupo...&lt;br /&gt;Acordei poucos minutos após as 18:00. Apesar do mísero descanso que tinha tido nos últimos dias, sentia-me pronto a iniciar a odisseia.&lt;br /&gt;Saí de casa, já debaixo de aguaceiros, eram 19:30 e rumei em direcção a Espanha. Não sabia ainda por onde a comitiva andava, mas certamente estariam algures na zona fronteiriça.&lt;br /&gt;Parei na Marateca para atestar a moto e contactei o Quim. Estavam a jantar na Aldeia Nova de São Bento e, devido ao mau tempo, planeavam ir dormir num Hostel em Paymogo, uma aldeia espanhola a uma vintena de quilómetros da fronteira. Já tinha destino para a minha jornada solitária.&lt;br /&gt;No Torrão parei para forrar o estômago com uma tosta e recebi uma mensagem do Quim com as coordenadas do Hostel. Chuvia desalmadamente...e chuveu até Paymogo.&lt;br /&gt;Pouco passavam das 23:00 quando entrei enxarcado pela portada do café do Hostel e encontrei o Quim à conversa com o Ricardo. O Tiago e o Alex já estavam a descansar e não demorou muito a que lhes fossemos fazer companhia.&lt;br /&gt;Eis que enfim uma cama! Até estranhei o seu propósito...&lt;br /&gt;Nem me cheguei a arrepender de ter deixado em casa o impermeável. Acho que estava demasiado cansado até para arrependimentos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/de-regresso-frica.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-2-de-paymogo-martil.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114702704608501245?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114702704608501245/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114702704608501245&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702704608501245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114702704608501245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-1-de-lisboa-paymogo.html' title='Dia 1: De Lisboa a Paymogo'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114247302312078869</id><published>2006-04-05T00:42:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:33:54.879+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2006'/><title type='text'>De Regresso a África...</title><content type='html'>Faltam 10 dias... já faltou mais! ;)&lt;br /&gt;Finalmente, regressarei a África, ao reino marroquino e ao deserto...&lt;br /&gt;Um deserto de pedra e pó, de pistas pouco frequentadas, de aldeias menos visitadas e de berbéres. A areia neste deserto é pouca, pois nem só de areia vive um deserto!&lt;br /&gt;Desertarei também da relativa abundância, do sempre presente (des)conforto, das facilidades e comodidades da selva urbana... mas também da constante routina, prisão, monotonia e atrofia mental que ela nos cobra. Um preço demasiado alto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35832606-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 15px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35832606-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Seremos quatro ou cinco, talvez seis ou sete durante algum tempo... mas isso não importa nem incomoda, pois o importante para mim é partir.&lt;br /&gt;Eu sou solitário por natureza; gosto de ser auto-suficiente e de enfrentar sozinho as dificuldades e condicionantes de uma viagem. A isso dou preferência, sempre que posso. A companhia isola-nos de estranhos e improvisos.&lt;br /&gt;Por mais que se tente evitar esse isolamento , é inevitável que ele ocorra. Um grupo é sempre um isolante eficaz ao meio.&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/40745119-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 220px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/40745119-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt; Apenas a solo deixamos realmente tudo para trás e nos expomos ao mundo e às pessoas. Essa é, para mim, a essência de viajar: a aprendizagem pela exposição e pelo improviso e o enriquecimento pelo experiência.&lt;br /&gt;No entanto, de forma alguma esse sentimento constituirá impedimento. Ter companhia não me incomoda nem facilmente me distrai. Viajar em grupo tem as suas desvantagens... mas também proporciona vantagens. Torna-nos mais autónomos, podemos ir mais longe e com mais segurança, podemos ousar mais e arriscar menos. Juntos, somos como um farol que nos impede de naufragar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À frente da pequena coluna brilha a luz da inestimável experiência de um homem habituado a estas andaças. O Quim, como lhe chamamos, o Guru. Antecipo com expectativa a oportunidade de partilhar da sua companhia, e quem sabe de um pouco da sua sabedoria. Com a mesma expectativa aguardo também as muitas lições que tenho para aprender. Já falta pouco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concretizaremos, por coincidência, a rota geral que havia delineado aquanto da minha anterior, e primeira, incursão em Marrocos. Isso, e muito mais. Não foi possível na altura, será incontornável agora.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/56625319-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 15px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/56625319-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;A entrada no continente africano dará ínicio à odisseia por todo-o-terreno que nos levará em direcção a Este, até junto da fronteira argelina. Depois a Sul, junto à fronteira pelo planalto de Rekkam, até corrigirmos o azimute a Sudoeste.&lt;br /&gt;Revisitaremos o Erg Chebbi onde enfrentaremos grande parte da pouca areia que a viagem nos reserva. Espero atravessar o Erg Chebbi a azimute. Espero dormir, mais uma vez, à sombra da Grand Dune. Sonho...&lt;br /&gt;Depois, seguiremos por pistas pedregosas ao longo de oueds até ao Lac Iriki, e continuaremos pelo vale do Draa até ao extremo sul marroquino e à "virtual" fronteira com o Sahara Ocidental.&lt;br /&gt;Não existe, mas para mim está lá: eu reconheço o SO.&lt;br /&gt;Smara, a capital saharawi ocupada, espera-nos no calor do deserto. Será difícil chegar até aqui e não continuar mais para Sul. O apelo da vastidão desértica far-se-á sentir tremendamente e, dali até Dhakla, somos só nós e o deserto. Não temos condições logísticas de responder ao chamamento. São necessários 80 litros de combustível por moto, demasiado para a capacidade de autonomia que possuímos. Terá, infelizmente, de ficar para outra oportunidade...&lt;br /&gt;Deixaremos Smara e o Sul, rumaremos a Noroeste até ao Atlântico e, pela costa, seguiremos para Norte. Portugal será já, por esta altura, o azimute da viagem e as sementes da saudade do deserto já estarão novamente semeadas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Tiago, precursor desta viagem, juntam-se o Quim, o Alex (que certamente levará a Dra Rute à pendura :) ), o Ricardo e eu. Parcialmente, contaremos também com a agradável companhia do Luís Ferreira, do Bruno Valadas e do Luís Jacinto. Parece-me um grupo bastante homogéneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante as magras três semanas que dispomos, queremos mergulhar na liberdade dos grandes espaços, na genuinidade das gentes, nos sorrisos das crianças, na secura do deserto de pedra e pó e num horizonte cada vez mais amplo de longas pistas isoladas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inch'Allah todos voltemos bem. Já faltou mais!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://deus.smugmug.com/photos/35832096-O-2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35832096-M-2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-1-de-lisboa-paymogo.html"&gt;seguinte &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114247302312078869?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114247302312078869/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114247302312078869&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114247302312078869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114247302312078869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/de-regresso-frica.html' title='De Regresso a África...'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114418451993096581</id><published>2006-04-02T22:01:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:34:48.260+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trans-Extremeña'/><title type='text'>Dia 3: Do Gévora a Cañaveral</title><content type='html'>Eram quase dez da manhã quando acordei. O Cesár já andava atarefado. Lá de fora exclamou: "Por aqui não passamos! Temos de voltar para trás!" - Já tinha andado a passear pelas redondezas à procura de caminho!&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/63102442-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/63102442-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Preparámos o café e, após o pequeno-almoço, fui também dar uma volta para reconhecer a àrea que tínhamos trilhado na noite anterior.&lt;br /&gt;Já fiz muitos kilómetros de TT nocturno, mas por terreno "virgem" era uma estreia! A erva alta e as silvas cresciam por todo o lado, e os únicos trilhos visíveis eram os que tínhamos desbravado há poucas horas.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/63104187-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/63104187-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Segui os meus rastos até à margem do Gévora. No outro lado, avistava-se a rampa de acesso ao leito mas do lado de cá, nem vestígios...&lt;br /&gt;O rio estava caudaloso e, no pico da época das chuvas, deve ter corroído as margens  e desfeito o acesso que necessitávamos no nosso lado... o mato engoliu  o resto de tudo.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/63105722-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/63105722-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Decidimos jogar pelo seguro e voltar atrás até à ponte de Batoa, e depois retomar a pista em Alburquerque. O restante pessoal já tinha feito o "check-out" do castelo. Tínhamos bastantes quilómetros para recuperar para os restantes grupos e descontraídamente começámos a arrumar o material.&lt;br /&gt;Poucos depois estávamos em marcha. Cruzámos a ponte e rumámos por estrada até Alburquerque. Rapidamente retomámos o track e, pouco tempo depois alcançávamos o primeiro grupo de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;hermanos&lt;/span&gt; a reparar a LC4: tinha furado atrás.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/63107692-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/63107692-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Após uma curta pausa, continuámos a jornada em direcção a Cañaveral. A pista não apresentava dificuldades de maior, pelo que progredíamos com facilidade e diversão. Apenas as irritantes cancelas sucessivas interropiam o avanço. Nada que não estejamos já habituados a constactar no nosso Alentejo. Pelo menos, aqui não haviam cadeados...&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/63109869-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/63109869-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Grandes espaços abertos intercalavam com estreitos caminhos que serpenteavam junto a velhos muros de alvenaria insossa. Por alguma razão que desconheço, gosto de muros de alvenaria. Aliás, devo mesmo dizer que circular junto destas relíquias em ruínas me provoca uma enorme satisfação. Talvez seja por serem testemunhos de outras eras; de tempos passados.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/63112039-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/63112039-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Tempos em que a divisão de propriedade só era possível com muito suor e esforço.&lt;br /&gt;Demorariam meses, talvez anos, a erguer centenas de metros de muro em torno de uma propriedade. Pedra a pedra. Um muro de alvenaria insossa é um adorno natural; um cerca de arame é uma aberração, uma ameaça, uma descaracterização do meio. Um muro de pedra até caracteriza uma região, a sua cultura, a sua geologia; não destroi nem afecta a Natureza, modela-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais adiante, esperava o Cesár numa cancela. O Elbling tinha avançado um pouco mais. Fizémos uma pausa e, pouco depois, regressava o Elbling visivelmente consternado.&lt;br /&gt;Tinha voltado para trás devido à nossa demora e, coisas do destino :), espalhou-se dentro duma poça de lama mais traiçoeira!&lt;br /&gt;Foi prova demasiado dura para as fraquinhas malas laterais da Givi. Não partiram, é verdade, mas deformam-se com muita facilidade. Um autêntico conjunto de tupperwares! :)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/63113481-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/63113481-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Enquanto descansava à sombra de um velho sobreiro, o Elbling estendia a roupa, outrora lavada, pelo chão numa desesperada tentativa de secar a peças íntimas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-2-de-valle-de-carrasco-ao-gvora.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; Continua...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114418451993096581?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114418451993096581/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114418451993096581&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114418451993096581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114418451993096581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-3-do-gvora-caaveral.html' title='Dia 3: Do Gévora a Cañaveral'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114418447257214292</id><published>2006-04-01T22:00:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:34:48.261+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trans-Extremeña'/><title type='text'>Dia 2: De Valle de Carrasco ao Gévora</title><content type='html'>Despertei exausto duma noite curta e ruidosa...&lt;br /&gt;Por diversas vezes acordei em sobressalto, atropelado pelo som esmagador de trânsito do comboio. A cada passagem, o "gentil" maquinista fazia questão de soar a sirene, como se o barulho titânico da composição não fosse suficiente para despertar o mais profundo dos comas... o reboliço era de tal ordem que parecia que me ia passar por cima.&lt;br /&gt;E enquanto não passava o comboio, o silêncio era violado pela algazarra ensurdecedora de porcos em arrojado acto sexual. O ruído era de tal forma intenso que estava genuinamente convencido que se tratavam de cavalos a relinchar a meio metro da tenda! Não sabia bem onde estava...&lt;br /&gt;Eis que, enfim, regressa a luz do dia. Saí para fora da tenda para me aperceber da localização do acampamento. Estava a cerca de 10 metros da linha e a uns 200 metros duma pocilga... estava tudo explicado.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/63025419-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:10px 0 10px 0px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/63025419-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/63026060-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0 0 10px 0px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/63026060-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Após tomármos o pequeno-almoço, arrumámos a casa e enveredámos por trilhos na Serra de Aracena.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/63027753-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/63027753-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;A paisagem prometia e a vontade de verdascar era incontrolável!&lt;br /&gt;Para despertar a coluna, nada melhor que umas trialeiras pela manhã. O Fernando pensou em tudo! ;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O andamento era pacífico e permitia disfrutar do magnífico cenário que nos envolvia. Apesar das óbvias semelhanças ao ambiente alentejano, conseguia sentir ali uma amplitude de espaços inexistente no Alentejo.&lt;br /&gt;A presença da fauna carasterística era constante. Felizmente, o contacto era apenas visual! ;) O gado bravo observava a nossa passagem com desconfiança e parecia de facto merecer prudência na aproximação e manter uma certa distância de segurança!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/63031257-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/63031257-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Por entre o montado, espreitava outra da riqueza da região: os serranos! Eram leitões, muitos porquinhos pretos em crescimento selvagem! Não admira que os seus derivados sejam dos mais apreciados por todos nós. Ui, aquele presunto... ;)&lt;br /&gt;A coluna progredia moderadamente sobre piso muito seco e pedregoso. Pouco antes de chegarmos a Jerez de los Caballeros ocorreu o primeiro azar. O colega da LC8, que seguia atrás de mim, caiu numa rara passagem lamacenta e magoou-se no joelho.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/63035033-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 380px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/63035033-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Prontamente acorremos ao "Centro de Salud" de Jerez onde foi diagnosticada uma entorse. Infelizmente, acabava ali a sua participação nesta ruta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As quase 3 horas passadas na vila, forçaram-nos a dividir a comitiva para recuperar do atraso. "Los portugueses" formaram um grupo! =)&lt;br /&gt;A partir desse momento o ritmo da progressão aumentou consideravelmente e sentíamo-nos mais livres, mais envoltos pelo ambiente. Circular num grupo coeso de 15 motos é radicalmente diferente de integrar um grupo de apenas 3 máquinas: aumenta o espaço, alonga a comitiva, aumenta a liberdade.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/63052844-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/63052844-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Foram sensações indiscritíveis. É cansativo procurar adjectivos para a paisagem. São coisas que não se dizem: vivem-se e sentem-se. Para quem realmente gosta de passear pelo campo, um simples olhar ao horizonte revela-nos detalhes e harmonias que dificilmente podemos traduzir por palavras. Gostaria de poder dizer mais, mas esgotei o meu vocabulário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do aumento do ritmo de progressão, as frequentes pausas para absorver todo aquele esplêndor, e captar umas fotos, ditaram que o tempo disponível não fosse suficiente. Já o sol se tinha escondido e nós estávamos ainda a cerca de 25Km de Alburquerque, talvez 40Km pela ruta.&lt;br /&gt;Chegámos às margens do Gévora, exactamente sobre a fronteira portuguesa, sobre campos de pasto alto por onde não divisávamos caminho. Tentámos durante algum tempo descobrir uma passagem pelo rio, mas a escuridão não dava tréguas e o avanço sobre terreno totalmente oculto pelo pasto representava um risco acrescido à segurança.&lt;br /&gt;Pelo meio da erva alta, surgiu-me o abismo. Deparei-me a meio metro de me lançar dum penhasco de 3 metros sobre as àguas do rio.&lt;br /&gt;Entretanto o Fernando contactou-nos. Tinham retomado o asfalto quando a noite caiu e já estavam em Alburquerque, num castelo isolado. Não valia a pena andarmos às voltas no bréu.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/63056434-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/63056434-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Decidímos acampar ali nessa noite, o local era explêndido e já havíamos atravessado uma pequena mata com aspecto muito hospitaleiro. A noite estava linda e aproveitámos para descansar e jantar condignamente o frango assado que comprámos em Badajoz. Não estou certo da nacionalidade do solo que me acolheu e embalou nessa noite. Talvez estivéssemos a menos de 300m da pátria-mãe, o nosso querido Portugal. Penso qual seria o meu sentimento, se ali estivesse à 20 anos atrás, quando as fronteiras ainda eram uma realidade. Não poderei saber... por agora durmo, mergulhado no harmónico murmúrio das àguas do rio Gévora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/03/dia-1-de-lisboa-valle-de-carrasco.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-3-do-gvora-caaveral.html"&gt;próximo &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114418447257214292?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114418447257214292/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114418447257214292&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114418447257214292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114418447257214292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-2-de-valle-de-carrasco-ao-gvora.html' title='Dia 2: De Valle de Carrasco ao Gévora'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114418443158544619</id><published>2006-03-31T22:00:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:34:48.261+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trans-Extremeña'/><title type='text'>Dia 1: De Lisboa a Valle de Carrasco</title><content type='html'>Tinha mais de 270Km pela frente até ao local de encontro, nos arredores de Valle de Carrasco. Queria sair cedo, para chegar cedo. Queria... passavam já das 20:00 quando me consegui sair de Lisboa.&lt;br /&gt;Serenamente, dirigi-me para Barrancos, última localidade portuguesa antes de entrar na Extremadura. Montijo, Águas de Moura, Alcácer do Sal, Torrão, Alvito, Moura... os kilómetros sucederam-se.&lt;br /&gt;Pelas 23:00 estava já em território estremenho, numa bela estradinha estreita que serpenteava pela encosta da serra.&lt;br /&gt;Estava cansado. Andei toda a semana a dormir pouco e aqueles 200 e muitos kilómetros de escuridão e ruído já pesavam no corpo. Em certos momentos, sentia-me de tal maneira dormente que era como se estivesse anestesiado em cima da moto. Em sobressalto, irrompia do entorpecimento mental que insistentemente me tentava subjugar.&lt;br /&gt;As curvas apertadas sucediam-se a um ritmo constante, quase sempre acompanhadas de gravilha... uma combinação explosiva que exigia atenção redobrada!&lt;br /&gt;Numa curva aparentemente inocente, distraí-me. Entrei rápido... a frente fugiu.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/63023326-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/63023326-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Consegui segurá-la novamente, mas perdi o momento da travagem e ia claramente depressa para a conseguir concretizar. Bloqueei a roda de trás, tentando desfazer a curva em "slide" e apontar a moto na direcção correcta. Foi por uma unha negra... saí ainda de estrada e enfiei-me pela valeta de escoamento, por escassos centímetros esquivei-me da àrvore e acabei por esbarrar contra um degrau de pedra que sobressaía da encosta... apesar do despiste, até correu bem. Não caí. Considerando as possibilidades, podia ter sido muito pior.&lt;br /&gt;Parei um pouco para recuperar do susto. Estava a apenas 10Km do local de pernoita, junto à linha do caminho de ferro e foi com renovada cautela que me dispus a percorrê-los.&lt;br /&gt;Encontrei o grupo em amena cavaqueira junto à linha. Instalei-me sob um imenso céu estrelado e disfrutámos do convívio até às tantas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/63024097-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/63024097-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/03/pelos-trilhos-de-espanha-extremadura.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/04/dia-2-de-valle-de-carrasco-ao-gvora.html"&gt;próximo &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114418443158544619?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114418443158544619/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114418443158544619&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114418443158544619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114418443158544619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/03/dia-1-de-lisboa-valle-de-carrasco.html' title='Dia 1: De Lisboa a Valle de Carrasco'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-114418436806191884</id><published>2006-03-30T21:58:00.002+01:00</published><updated>2008-10-22T17:34:48.261+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trans-Extremeña'/><title type='text'>Pelos Trilhos de Espanha: Extremadura</title><content type='html'>É mesmo, mesmo aqui ao lado. A Extremadura espanhola, uma das comunidades autónomas que constituem o Reino de Espanha, extende-se por mais de 40 mil Km2 ao longo da fronteira oriental de Portugal. Encerra a província de Cáceres a Norte e a de Badajoz a Sul. Aborda o Alentejo e as Beiras e representa mais de 8% do território espanhol.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/63111604_hgTin-L.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 136px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/63111604_hgTin-L.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Apenas 2,6% dos espanhóis são extremenhos. À semelhança do interior lusitano que se lhe avizinha, também aqui a densidade populacional é baixa. A geografia confunde-se pois Alentejo e Badajoz, Beiras e Cáceres não são mais que as faces de uma mesma moeda, extensões naturais mútuas... pois a Natureza não reconhece fronteiras políticas.&lt;br /&gt;Quanto a semelhanças, ficamos quase por aqui. As diferenças, é o que queremos e esperamos descobrir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Fernando Mendonza, um Nomad de Badajoz, gentilmente cedeu do seu tempo e suor para nos preparar um desafio: atravessar a Extremadura em autonomia, durante 3 dias, rasgando os horizontes de Sul para Norte. Mais, não precisa de me dizer: &lt;em&gt;I'm in!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/03/dia-1-de-lisboa-valle-de-carrasco.html"&gt;próximo &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-114418436806191884?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/114418436806191884/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=114418436806191884&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114418436806191884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/114418436806191884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/03/pelos-trilhos-de-espanha-extremadura.html' title='Pelos Trilhos de Espanha: Extremadura'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-113693413708990931</id><published>2006-01-08T23:01:00.000Z</published><updated>2008-10-22T17:35:11.306+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alengarve'/><title type='text'>Dia 5: De Loulé a Sines</title><content type='html'>Acordei eram 10:15. "Raios" - o pequeno-almoço era servido até às 10:00.&lt;br /&gt;O Nuno entrou no quarto já saciado e espicaçou-me o apetite! Apressei-me a comparecer na sala de refeições... mas nada mais que café já frio e sumo instântaneo havia disponível. Resignado com a fraca refeição, regressei ao quarto para arrumar a trouxa.&lt;br /&gt;O Sol já ia alto e, em virtude do contratempo do dia anterior, tínhamos ainda muitos kilómetros pela frente. Decidimos abandonar as serras algarvias, nas quais teríamos que progredir à descoberta com o inevitável custo temporal, e avançar pela Via do Infante até Portimão.&lt;br /&gt;O plano: apanhar as pistas conhecidas do Tróia-Sagres, a partir de Aljezur, e efectuar o percurso pelas areias até Sines. Era o elemento que faltava. Depois da terra batida e arenosa, da gravilha e muita poça do "Sado"; passando pelo barro, lama consistente e pedra solta do Alentejo interior; até às picadas pedregosas, lamacentas e escorregadias do Algarve; só nos faltavam umas boas pistas de areia para completar o "todo" do terreno que nos tínhamos proposto atravessar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá avançámos descontraidamente pela auto-estrada que, gostemos ou não, até o Dakar tem destas coisas! :) Além do mais, "Todo-o-Terreno" forçosamente engloba o asfalto! E já chega de desculpas esfarrapadas... ;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51702706-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 15px; text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51702706-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Talvez fosse perto do meio-dia quando parámos, na estrada para Monchique, à beira dum café. O Nuno já me tinha despertado os sentidos para umas tais sandes de presunto, do melhor que se poderia arranjar na região, e a curiosidade aliou-se à vontade! Que maravilha...imperdível para quem passe nestas bandas!&lt;br /&gt;E, satisfeitos, lá continuámos a nossa rota rumo a Aljezur, sempre com a serra a encher-nos o horizonte, e com os caminhos a encher-nos os sonhos - "Quando é que cá voltamos para correr isto?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51703250-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 15px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51703250-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Após Aljezur fomos ao encontro do track do Troska e, a partir daí, foi sempre a "enrolar punho" até Sines :) Exceptuando as vistas, sempre surpreendentes e refrescantes, nada de especial há a acrescentar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51705650-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51705650-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51696257-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51696257-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51706349-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51706349-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51706505-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51706505-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51696040-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 15px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51696040-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;No Cabo Sardão, tirámos a última "foto de família", infelizmente, sem o nosso companheiro Daniel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na falésia grave e escarpada, uma silhueta humana deslocava-se lenta e hesitantemente em direcção ao mar, parecia um praticante de escalada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51706817-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 15px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51706817-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;-"Espera... o tipo não leva uma cana de pesca?"&lt;br /&gt;-"Com mochila às costas!"&lt;br /&gt;-"É maluco!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51707265-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 15px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51707265-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Sem qualquer segurança, bastava um pequeno deslise e este homem cairia duma altura de 30m sobre as rochas junto ao mar... valerá o "spot" de pesca tanto risco? É insano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais adiante, os "três duques" lá guardavam a pista. Das três ou quatro vezes que já fiz este percurso, eles reunem-se sempre ali. Aguardam, pacientemente sentados, pelo avanço dos intrusos e, "in extremis", carregam sobre as motos! Isto é que é sentido de dever! O que, obviamente, tem pouco a ver com eficácia no seu cumprimento... :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51707626-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51707626-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Posto isto, às 17:00 estávamos em Sines. Após lavármos as motos, separámo-nos e o Nuno seguiu o seu rumo para casa! Eu ficaria lá mais umas horas antes de fazer o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51708645-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 15px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51708645-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;E assim terminou a nossa viagem, um pouco curta mas muito intensa, pelo sul do nosso cantinho à beira-mar plantado. Tantos trilhos, caminhos e estradões; tantas paisagens, lugares e cenários; tanto para ver, sentir e viver... tanto ficou por fazer. Uma experiência que, certamente, se vai repetir... muito em breve, "inch'Allah"! ;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51700075-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51700075-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Todas as fotos desta "expedição" estão disponíveis &lt;a href="http://deus.smugmug.com/gallery/1108816/"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/01/dia-4-de-alcoutim-loul.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-113693413708990931?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/113693413708990931/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=113693413708990931&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/113693413708990931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/113693413708990931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/01/dia-5-de-loul-sines.html' title='Dia 5: De Loulé a Sines'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-113693411066778558</id><published>2006-01-07T23:01:00.000Z</published><updated>2008-10-22T17:35:11.307+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alengarve'/><title type='text'>Dia 4: De Alcoutim a Loulé</title><content type='html'>Bela noite de sono. Lá fora, estava um dia risonho e convidativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51687284-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 15px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51687284-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Apressámo-nos a tomar o pequeno-almoço na pousada. Pelas 10:00 estávamos a saltar para cima das motos, prontos para mais um dia de "verdasca", desta feita pelas terras do "Al-Gharb". O destino alinhavado para o dia era Monchique.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51687874-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 15px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51687874-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Deixámos Alcoutim, junto às margens do Vascão, seguindo um estradão recente que nos levavia ao paredão duma nova represa.&lt;br /&gt;Poucos minutos depois alcançávamos, por mero acaso, a última zona espetáculo do Dakar em terras lusas. Inevitavelmente :) seguimos pela pista! As imagens seguintes dispensam comentários...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51688264-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 5px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51688264-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51688619-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 5px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51688619-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51688781-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 5px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51688781-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51689061-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 5px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51689061-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51689626-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 5px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51689626-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51689786-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 5px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51689786-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51689853-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 15px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51689853-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Com o ânimo ao rubro :) perdi os colegas de "prova" e acabei por ficar à espera junto a mais um riacho, passagem que me pareceu boa para mais umas fotos ;)&lt;br /&gt;Esperei e desesperei, até que finalmente liguei e não tinha rede... continuei.&lt;br /&gt;Já no topo da serra, lá apanhei rede e recebi a indicação do seu paradeiro: tinham perdido a pista algures e já estavam em Martim Longo. Apressei-me a ir ao seu encontro e abandonámos o imenso estradão-pista do Dakar. Seguiríamos então pelos verdadeiros trilhos da serra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51690302-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 15px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51690302-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Vários kilómetros depois andávamos já a desbravar a serra, sem quaisquer vestígios de presença humana, em direcção azimutal a ténues linhas pedonais marcadas em cartas com 25 anos... o resultado era, simplesmente, espectacular!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51690389-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 15px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51690389-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Por entre o mato alto, o ar puro perfumado com aromas de jasmim extasiáva-nos os sentidos; a cada curva, o contentamento de mais uma descoberta; no topo dos montes sucessivos, a inspiração de mais uma vista cortante...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51690540-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 5px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51690540-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51690698-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 5px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51690698-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Até apanhármos caminhos fabulosos que serpenteavam pelos picos e vales do Caldeirão, num interminável carrosel de maravilha que nos cortava a respiração!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51709131-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 5px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51709131-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51709819-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 5px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51709819-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51710126-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 5px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51710126-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Lugares paradisíacos e de difícil acesso, devido à providencial falta de caminhos ;), onde uma moto é o veículo de eleição para quem se quer aventurar!&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51697390-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 5px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51697390-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E assim fomos progredindo atrás do Sol, alternando cumes onde a vista era espectacular, com vales magníficos onde só apetecia ficar e montar o acampamento! Que pena não podermos parar no tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51699747-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0 15px 0 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51699747-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51701353-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 570px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51701353-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;O Sol já estava baixo e encontrávamo-nos novamente às portas da pista "dakariana", um pouco a sul do cabeço de Mú. O tempo escasseava e, se ainda almejávamos chegar a Monchique, teríamos de tomar um caminho rápido....&lt;br /&gt;Com o alcatrão fora de questão, venha de lá o estradão! :)&lt;br /&gt;A pista estava muito enlameada e escorregadia. Previam-se dificuldades para progredir por ali assim que o Sol se escondesse. O Nuno tomou a dianteira e eu fechei o pelotão.&lt;br /&gt;Ainda não tínhamos feito 5Km na pista a bom ritmo... o Daniel, poucos metros à minha frente, entra mal numa curva muito elameada e escavada, perde o controlo da moto, caí desamparado contra a encosta pedregosa e começa a exclamar com dores!&lt;br /&gt;Assustado, saltei da moto e corri para junto dele...&lt;br /&gt;- "O que sentes, onde te doí?"&lt;br /&gt;- "O braço... parti o braço!..."&lt;br /&gt;- "Não te doi mais nada? As costas, o pescoço? Consegues-te mexer?"&lt;br /&gt;- "Sim..."&lt;br /&gt;- "Sentes-te bem?"&lt;br /&gt;- "Sim..."&lt;br /&gt;Retirei-lhe a moto de cima e apressei-me a chamar o 112.&lt;br /&gt;- "Vou desmaiar..."&lt;br /&gt;- "Não vais nada!" - e despertei-o enquanto o ajudava a imobilizar o braço.&lt;br /&gt;Deitado no chão com dores, pediu-me a última coisa que pensei possível:&lt;br /&gt;- "Tira-me uma fotografia... para se ver onde foi!"&lt;br /&gt;Perplexo, tive que me render à sua insistência!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51701628-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 15px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51701628-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Após alguns minutos, ligam-me os bombeiros de Loulé. Expliquei-lhes onde estávamos e, azar, não era a sua jurisdição! Novamente liguei para o 112 e, desta vez, especifiquei claramente que deveriam encaminhar a situação para os bombeiros de Almodôvar.&lt;br /&gt;Entretanto ajudámos o Daniel a levantar-se. A temperatura descia drásticamente e teria de se manter em movimento para não arrefecer demasiado. Já com peúgas e sapatilhas secas, lá começou a andar dum lado para o outro.&lt;br /&gt;Entretanto, liguei para o seguro para accionar um reboque. Após a burocracia do costume, lá nos disseram que iriam enviar alguém para buscar a moto.&lt;br /&gt;Obviamente, teríamos de arranjar forma de a colocar no alcatrão, mas isso era uma questão menor!&lt;br /&gt;Não sabíamos bem qual era o estado da lesão do Daniel nem quanto tempo demoraria a ambulância a chegar, se é que conseguisse ali chegar!&lt;br /&gt;Recebo, finalmente, a chamada dos bombeiros de Almodôvar. Combinei encontrar-me com eles no alcatrão para os orientar, junto à entrada do estradão. Peguei na moto do Daniel e fui ao seu encontro.&lt;br /&gt;Assim que chegaram, deixei-a no alcatrão e enfiei-me na ambulância.&lt;br /&gt;Lá fizémos, com alguma dificuldade, os 5Km pela pista fora até os encontrarmos.&lt;br /&gt;O Daniel já se sentia nitidamente melhor a lá se enfiou na ambulância, junto com as suas bagagens, a caminho de Beja com "escala" no CS de Almodôvar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51701717-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 15px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51701717-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Entretanto a seguradora ligou para mais uma dose da sua adorada burocracia. O importante: assegurariam o táxi para levar o Daniel de Beja para Lisboa.&lt;br /&gt;Com o Daniel, já estamos mais descansados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou mais de uma hora e nem sinal do reboque. No alto da serra a noite havia caído. Tínhamos os pés ensopados e estávamos a gelar.&lt;br /&gt;Ligámos novamente à seguradora e fomos informados que já haviam despachado um reboque há meia hora e que já deveríamos ter sido contactados!&lt;br /&gt;Estupefactos, aguardámos... ao frio.&lt;br /&gt;Finalmente, contactaram-nos com a "novidade" de que o tipo se havia "baldado" e não encontravam nenhum reboque disponível na região... teria de sair um de Ourique.&lt;br /&gt;Esperámos... e congelámos. Gelados, esperámos um pouco mais. Estávamos há quase 3 horas ao relento.&lt;br /&gt;Naquele serão criogénico, descalcei as botas alagadas e desatei a correr no asfalto para ver se aquecia os pés um pouco...&lt;br /&gt;Esperámos... e quando estávamos mais que fartos de esperar, esperámos um pouco mais.&lt;br /&gt;Decidimos esconder a moto do Daniel e seguir uns kilómetros à procura dum café.&lt;br /&gt;Encontrámos um a cerca de 6Km para sul. Já havia lá chegado a notícia duma ambulância que andava pela serra e duma moto parada junto ao asfalto, com a GNR ao lado! Parece que quando a ambulância chegou ao asfalto já lá estava a GNR, mas foram-se embora antes de nós chegarmos!&lt;br /&gt;Impressionante... até já sabiam mais que nós!&lt;br /&gt;Já nós estávamos a salivar com a possibilidade de despachar uma linguiça assada quando liga o motorista do reboque: "Estou aí em 20 minutos!" - Lá esquecemos a linguiça...&lt;br /&gt;Regressámos ao local e aguardámos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"ALELUIA! Lá vem ele! Só demoraram 4 horas!!..." - Estávamos alucinados...&lt;br /&gt;Já devíamos ter zonas do cérebro petrificadas e o raciocínio já não era o melhor! Era só rir...&lt;br /&gt;O motorista era um tipo jovem e cheio de vida! Alegremente, carregámos a moto enquanto sonhávamos com pés secos e quentes, comida gostosa e quente, cama confortável e quente, quente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51701881-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 15px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51701881-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;O Daniel manteve-nos ao corrente da sua situação e, por volta da hora em que despachávamos a sua moto, já ele tinha tido alta do hospital em Beja com um diagnóstico mais animador: luxação do cotovelo. Séria mas, felizmente, não tinha nada partido.&lt;br /&gt;Ficámos bem mais tranquilos.&lt;br /&gt;O motorista risonho, mecânico de profissão, também ele amigo do TT das 4 rodas, imediatamente começou a desbobinar as suas aventuras com o Vitara todo preparado... delicadamente, tivémos de o "enfiar" na cabina e "mandá-lo" para casa! Noutras circunstâncias seria uma boa companhia. Na presente situação, era um obstáculo entre nós e o "quente"!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observámos o reboque desaparecer na noite fria e decidimos rumar a sul, até Salir, em busca dum quarto para passar a noite. Pelo caminho parámos num restaurante-gasolineira para atestar a moto. Eram quase dez da noite. Mortinhos por atestar logo ali, também, o estômago, o proprietário não se mostrou muito receptivo à ideia...&lt;br /&gt;- "Ainda têm alguma coisa que possamos comer?"&lt;br /&gt;- "Umas sandes..."&lt;br /&gt;- "Qualquer coisa quente...não se arranja? Restos de sopa?..."&lt;br /&gt;Entretanto surge a esposa-cozinheira...&lt;br /&gt;- "Ela é que sabe..."&lt;br /&gt;Aplicámo-nos convictamente numa "choradinha" e lá se dispôs a cozinhar qualquer coisa. Serviu-nos bifes e batatas fritas, acompanhados por uma bela salada de alface e tomate. Soube-nos a manjar dos Deuses!...&lt;br /&gt;Comemos afincadamente enquanto víamos, na Eurosport, o resumo do Dakar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Satisfeitos, e mais quentes :), progredimos até Salir. Lá chegados não ficámos satisfeitos, decidimos continuar até Loulé. Lá teríamos mais escolha para alojamento.&lt;br /&gt;Passava das 23:00 quando encontrámos uma residencial. Foi a escolhida pela sua qualidade mais evidente: foi a primeira que apareceu! :)&lt;br /&gt;Instalámo-nos, lavámo-nos, aquecemo-nos e desvanecemos progressivamente num sono profundo, reconfortante, merecido... e quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/01/dia-3-de-serpa-alcoutim.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/01/dia-5-de-loul-sines.html"&gt;próximo &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-113693411066778558?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/113693411066778558/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=113693411066778558&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/113693411066778558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/113693411066778558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/01/dia-4-de-alcoutim-loul.html' title='Dia 4: De Alcoutim a Loulé'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-113693409033039455</id><published>2006-01-06T23:01:00.000Z</published><updated>2008-10-22T17:35:11.307+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alengarve'/><title type='text'>Dia 3: De Serpa a Alcoutim</title><content type='html'>Conforme combinado, às 8:30 estávamos na rua a carregar as motos. Chuviscava insistentemente e parecia que teríamos pela frente um dia hostíl às nossas intenções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51659562-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 5px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51659562-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Após o pequeno-almoço, rumámos a sul através de largos estradões até às margens do Guadiana. Enveredámos depois por trilhos barrentos bem à moda de Serpa que, mais uma vez, não nos levavam a lado nenhum. As discrepâncias entre o terreno e as cartas eram grandes e não conseguimos encontrar alternativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51660688-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 5px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51660688-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Após mais de uma hora às voltas nas ladeiras de barro, muito peganhento devido à chuva antecedente, o material acusava já o esforço... a motos aqueciam e as rodas da frente já começavam a bloquear.&lt;br /&gt;Numa subida íngreme, coroada no topo por um planalto cultivado, foi necessário proceder a uma inversão de marcha delicada. Enquanto efectuava a manobra no espaço exíguo, pontuado por enormes calhaus, ouvi um estalo tenso e perdi a tracção. "Pronto, parti a corrente!..." - exclamei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51667441-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 15px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51667441-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Parei a moto e analisei a trajectória e o estrago. Passava junto a um enorme calhau e, felizmente, não tinha partido a corrente. A protecção de alumínio tinha cedido à pressão contra a pedra e empurrou literalmente a corrente para fora da cremalheira.&lt;br /&gt;Enquanto a colocava novamente no sítio o Nuno, que andava por ali às voltas, perdeu a embraiagem na subida e viu-se forçado a entrar pelo campo lavrado a dentro. Bloqueou a roda da frente com barro e pronto, lá teve de analizar a massa consistente bem de perto :) ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51668378-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51668378-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, conseguimos retirar as motos daquela pasta impiedosa e proceder à desmontagem e limpeza dos guarda-lamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51669319-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51669319-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Decidimos então, em boa hora, regressar a Serpa e procurar melhores caminhos para sul. Por aqui estava visto que não iríamos a lado nenhum. Eram 11:30 e ainda andávamos nos arrabaldes de Serpa...&lt;br /&gt;O céu lavou a cara e deixou o Sol penetrar. O dia estava agora agradável e luminoso. Enveredámos pela estrada asfaltada em direccção a S. Brás, sondando as bermas em busca de um desvio para o campo.&lt;br /&gt;Poucos kilómetros adiante, um caminho frequentado levou-nos pelos montes junto ao rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51673843-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51673843-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Mas não por muito tempo. Recentes alterações nas propriedades vedaram todas as saídas daquele local e vimo-nos forçados a regressar ao asfalto. Tentámos praticamente todas os caminhos que divergiam da estrada, mas sem grande sucesso.&lt;br /&gt;E com isto chegámos ao estradão que nos leva ao Pulo do Lobo.&lt;br /&gt;A enrolar punho por ali fora, ia para meter a quarta... BOIIING! - "Epaaaah!..." - lá se foi o cabo da embraiagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51676408-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51676408-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O mal era antigo. O cabo foi-se desgastando pela fricção na boca da bicha e eventualmente cedeu. "Aqui não ficamos!" - e saquei do rolo de arame.&lt;br /&gt;Com a preciosa ajudo de dois hábeis "tecelões", lá improvisámos um cabo novo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51675854-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51675854-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51676846-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51676846-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Retirado que estava o antigo, o cabo novo deslizou pela bicha adentro sem problemas! Arcaicamente instalado, estava pronto a cumprir a sua função: tirar-nos dali!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51677983-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51677983-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51677688-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51677688-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Passados poucos momentos e estávamos de novo em andamento. Não muito seguros da eficácia do improviso, decidimos retomar a estrada para Mértola. Lá tentaria remediar melhor o contratempo.&lt;br /&gt;O céu entretanto vestiu-se de nuvens e a aproximação à vila fez-se já debaixo de aguaceiros. Eram duas da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51679011-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51679011-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Recolhemo-nos a um restaurante para repôr energias e disfrutámos do saboroso lombo assado e de sopas de peixe do rio. Iguarias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51679959-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51679959-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Após o repasto, saí em busca duma oficina de motorizadas para comprar um cabo. Rapidamente encontrei o que procurava e bastaram 10 minutos para solucionar o problema.&lt;br /&gt;Deixámos Mértola e dirigimo-nos para sul junto ao Guadiana. A paisagem fenomenal encantáva-nos ao dobrar de cada esquina. O Guadiana pacificamente seguia o seu rumo para o mar e nós pretendiamos seguir-lhe as voltas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51680372-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51680372-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Progredíamos num estradão bem marcado que nos levou até uma propriedade fechada e desolada. Atravessámos o portão aberto e continuámos pelo caminho até junto dos casarões em ruínas. Ali, o caminho desvanecia e perdia-se numa descida pedregosa. Não hesitei e fiz-me à descida. Eis que surge uma vedação, repentinamente, no meio da descida e, sem grande margem para travagens, passei-lhe por cima!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51680907-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51680907-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A descida morria nas margens de uma ribeira e, pacientemente, analisámos as hipóteses de a atravessar incólumes.&lt;br /&gt;No entretanto, surgiu uma pickup no topo da subida e lá de dentro saiu um homem exclamando: "Vô fechar o portaummm!"&lt;br /&gt;Perguntámos, ligeiramente encavacádos pelo estado da vedação, se dava para atravessar a ribeira e se eventualmente haveria saída do outro lado, ao que respondeu: "Nã sei... eu name meto aí com a carrinha! Nã sei o cá além daquele lado! Se quizerem voltar para trás táli uma passagem piquena das ovelhas junto ao murro pronde podem sair... eu vô fechar o portão!"&lt;br /&gt;Enfiou-se na pickup e ficou a apreciar o espetáculo...&lt;br /&gt;"Belo!" - exclamámos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51681499-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51681499-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Como não há àgua que meta medo aos nómadas, só havia um caminho: para a frente! Sem preocupações com a possibilidade de não haver saída do outro lado do vale, decidimos: "Aqui não ficamos!" - O Guadiana segue o seu rumo e nós queremos ir com ele. Haja o que houver!&lt;br /&gt;Sendo a AT a moto com a entrada de ar mais elevada, coube-me a tarefa de avaliar a real profundidade da ribeira. Apesar de haver um pequeno fundão a meio, e da saída ser um pouco íngreme em areão solto, passei sem dificuldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51710662-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51710662-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A frente da moto "abria" as àguas e, com os pés nos apoios, nem molhei os joelhos. Poderiam agora progredir as DR's sem receio.&lt;br /&gt;O ataque à ribeira era também complicado, pois a recta mais segura para a transpôr iniciava-se num ponto da margem muito arenoso e "vedado" pelos ramos de uma velha àrvore.&lt;br /&gt;O Nuno resolveu então ser o primeiro a "testar" a DR...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51681801-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51681801-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51682227-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51682227-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51682384-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51682384-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E só faltava o Daniel, que estava a sentir algumas dificuldades em manobrar a "Suzy" sobre o areão, agora sozinho do outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51683040-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51683040-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E, evidentemente, necessitaria de ajuda a colocar-se no melhor ponto de transposição. Ainda estava eu a pensar no assunto, já o Nuno andava dentro de àgua para ir ajudar o Daniel!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51683262-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51683262-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Este é o inigualável espírito deste grupo de amigos!&lt;br /&gt;Depois de devidamente posicionado, o Daniel enfrentou a sua travessia sem nenhum problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51683974-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51683974-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51684182-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51684182-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E lá teve o Nuno que se "demolhar" novamente na àgua para finalmente averiguarmos para onde seguiríamos a partir dali. E haverá alguém que afirme que este sorriso não pertence a quem é apaixonado pelo que faz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51684620-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51684620-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Alguns metros adiante encontrávamo-nos num velho pomar abandonado. As àrvores de fruto mortas, cadavéricas, negras; as ruínas de algumas casas, os muros de pedra, tudo envolto na erva alta. Quando teria alguem ali estado pela última vez? Não sei precisar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51684774-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51684774-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51684872-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51684872-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Após reconhecermos o local a pé, determinámos que a melhor saída seria arranjar forma de progredir pela encosta cima ao encontro de um caminho marcado na carta, se ainda existisse.&lt;br /&gt;O terreno era muito escorregadio. A erva verde, o solo barrento e molhado, os calhaus soltos do tamanho de meloas, as valas rasgadas pelas enchurradas e a encosta inclinada deram-nos trabalhos para quase uma hora. Uma a uma, as motos lá foram progredindo até ao topo do monte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51685003-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:left;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51685003-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51685080-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:right;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51685080-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51685306-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:left;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51685306-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51685609-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:right;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51685609-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51685757-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:left;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51685757-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51685836-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:right;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51685836-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;No topo encontrámos, de facto, vestígios do que teria sido em tempos um caminho! Prosseguimos já com o dia a despedir-se atrás dos montes e, pouco depois, iniciámos a espectacular "noturna" pela serra que nos levaria até Alcoutim, interrompida apenas pela necessidade de cruzar o Vascão pelo asfalto.&lt;br /&gt;Pelas 21:00, estávamos à porta da Pousada da Juventude onde decidimos passar a noite. Plantada na encosta com um vista suberba sobre a vila, a pousada sumptuosa estava praticamente vazia. Não sei como se justificam os investimentos neste país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51686885-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:right;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51686885-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Depois de instalados e lavados, descemos à vila para jantar e acabámos por sucumbir a um cozido de grão magistral!&lt;br /&gt;Regressámos à pousada e delineámos grosseiramente o dia seguinte, já por terras algarvias. Despedimo-nos do Alentejo com um "até já", pois as inesquecíveis paisagens de que disfrutámos são apenas uma gota de àgua no imenso caudal de um Guadiana abundante que queremos, em breve, revisitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51687015-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:right;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51687015-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Oxalá permitamos ao Alentejo conservar todo o seu esplendor; oxalá saibamos resistir ao apelo do turismo de massas, selvagem e ambientalmente desinteressado; oxalá sejamos capazes de preservar as maravilhas ocultas que o Alentejo nos revela atrás de cada colina; oxalá possamos mostrar aos nossos netos os mesmos caminhos por onde um dia, felizes, enveredámos; "inch'Allah"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/01/dia-2-do-alvito-serpa.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/01/dia-4-de-alcoutim-loul.html"&gt;próximo &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-113693409033039455?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/113693409033039455/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=113693409033039455&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/113693409033039455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/113693409033039455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/01/dia-3-de-serpa-alcoutim.html' title='Dia 3: De Serpa a Alcoutim'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-113693407083342347</id><published>2006-01-05T23:00:00.000Z</published><updated>2008-10-22T17:35:11.308+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alengarve'/><title type='text'>Dia 2: Do Alvito a Serpa</title><content type='html'>A manhã nasceu amena, embora sombria e carregada, como que desafiando a noite límpida e gelada que me acordou por diversas vezes. No topo da colina desamparada, o frio seco da planície fez duas vítimas nessa noite. Duas apenas, pois o amigo Daniel manteve-se quente de alguma forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51621149-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51621149-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Desfez-se o acampamento, descemos da colina e rapidamente nos dirigimos ao Alvito em busca do pequeno-almoço.&lt;br /&gt;Com a fome mitigada, enveredámos pelos trilhos com destino a Serpa. A progressão revelava-se fácil e certeira com caminhos quase sempre disponíveis, apesar de alguns terem sido há muito apagados das rotas das gentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51626146-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51626146-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Foi já a meio da manhã que sofremos o primeiro contratempo: um dos depósitos da "Suzy" estava seco e o outro, apesar de atestado, recusava-se a fornecer o necessário conteúdo.&lt;br /&gt;Estava severamente entupido, possivelmente por detritos de ferrugem, e foi necessário proceder à transfusão da gasolina para o depósito vazio. A tarefa foi executada com recurso aos tubos de respiro e à capacidade desumana de degustação do desagradável nectar... vá lá que haviam pastilhas de menta disponíveis!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51631640-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51631640-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Resolvida a questão, prosseguimos a jornada. O astro-rei cresceu forte e dissolveu a neblusidade matinal, espreitando agora radiante através dos ceús do Alentejo.&lt;br /&gt;Após vários kilómetros de verdadeiro TT, através da planície desmarcada, chegámos a um açude. O nível das àguas era máximo e o caminho óbvio estava submerso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51638372-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51638372-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A alternativa evidente era transpor o refugo do açude e trepar a encosta adjacente. Nada de excepcional e não perdemos muito tempo com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51641225-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51641225-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Continuámos por caminhos desaparecidos dos quais só as bermas enrugadas, criadas em tempos, revelavam que as cartas estavam correctas. Maravilhados, estávamos já a sudeste da Vidigueira e a caminho do Pedrogão, onde atravessaríamos o rio para a margem esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51642130-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51642130-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51643101-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51643101-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois passámos pelo Pedrogão e atravessámos a ponte sobre o Guadiana, encurralado mais uma vez por um novo paredão de barragem. E muita àgua tem o nosso Guadiana... o Alentejo não se acostuma a tanta fartura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51646242-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51646242-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51645404-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51645404-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Deixámos novamente o asfalto após a ponte e apanhámos um dos braços da albufeira. Seguimos pela margem algumas centenas de metros em busca dum local para o transpor. E foi junto a uma grande vala que encontrámos as condições "ideais" para o fazer!&lt;br /&gt;O piso estava bastante mole e escorregadio e os deslizes, por vezes, eram inevitáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51647363-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51647363-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Enveredámos por trilhos ao longo da margem do Guadiana e o rio não se fez esperar: juntou-se aos campos para nos brindar com um festival de paisagens inesquéciveis, autênticas pérolas selvagens onde só os rebanhos na distância nos recordavam a proximidade da civilização.&lt;br /&gt;São estes os caminhos escondidos que procurávamos. Os recantos perdidos por onde nada mais que uma brisa suave, um pastor e seu rebanho, manifestam a sua presença. Hoje, estas paragens foram visitadas por três estranhos. Quem sabe quando tornarão a vislumbrar gentes desconhecidas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51651270-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51651270-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A noroeste de Serpa, junto ao Guadiana, uma azenha de àgua jaz na margem do rio que um dia lhe deu a vida, que lhe justificou a existência. Muito longe, perdida dos anos em que moeu do grão que alimentava todo um país, esta peça de engenharia está em ruínas. É difícil enfrentar a ruína sem sentir um choque, uma nostalgia de um passado tão próximo e que, ao mesmo tempo, parece tão distante. Fantasmas de outros tempos gravados para sempre na paisagem, quais cicatrizes antigas marcadas nas margens do rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51656023-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51656023-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;À medida que Serpa surgia no horizonte, os trilhos vagos deram lugar aos caminhos que, por sua vez, deram lugar aos estradões. E foi através dum largo estradão, a mais de cem à hora, que nos aproximámos em apoteose da vila.&lt;br /&gt;A fome era negra mas o destino estava bem claro. Conhecedor destas paragens, o Nuno rapidamente nos encaminhou até às "fresquinhas" mais vivas do país, acompanhadas por bom pão, queijo, azeitonas, salada de ovas e cabeça de borrego assada. Eu ainda dispensei tais iguarias e saciei-me com uma sopa de legumes como há muito não comia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51656695-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51656695-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Após o repasto tratámos da merecida manutenção das motos, com direito a banho para nos livrarmos das dezenas de kilos indesejados de barro e lama.&lt;br /&gt;O Nuno desencantou uma casa de hóspedes e lá decidimos abdicar da noite gelada por um banho revigorante e uma cama quentinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro lado da rua, homens evergando samarras típicas entoavam cantigos corais à porta de um café. Em silêncio dispersavam para, novamente, se reunir numa rua mais à frente. Não era um festival, não era um concerto, não era um evento nem uma arruada. Era apenas mais uma noite de um qualquer dia de semana numa vila alentejana. Este ritual secular permanece vivo nas almas destas gentes. A tradição, felizmente, ainda vai sobrevivendo e certas coisas ainda são o que eram. E porque não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da higiene, rumámos novamente à cervejaria para mais umas "fresquinhas". Eu cumpri o ritual e debrucei-me sobre uma travessa de migas com entrecosto frito! Aqui a comida tem "aquele" sabor.&lt;br /&gt;Satisfeito o corpo e alma, restava dar-lhe o merecido descanso. A cama acolheu-nos já passava da meia noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/01/dia-1-de-lisboa-ao-alvito.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/01/dia-3-de-serpa-alcoutim.html"&gt;próximo &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-113693407083342347?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/113693407083342347/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=113693407083342347&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/113693407083342347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/113693407083342347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/01/dia-2-do-alvito-serpa.html' title='Dia 2: Do Alvito a Serpa'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-113693404204345863</id><published>2006-01-04T23:00:00.000Z</published><updated>2008-10-22T17:35:11.308+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alengarve'/><title type='text'>Dia 1: De Lisboa ao Alvito</title><content type='html'>O despertador tocou às 8:00. Arrancado a um sono curto, nada tinha ainda preparado e desatei a fazer a trouxa à pressa. Pouca roupa e muita vontade compunham a minha bagagem.&lt;br /&gt;Saltei para cima da moto já passavam as 9:00, hora que tinha combinado estar no Forum Montijo para me encontrar com os companheiros Nuno Cesár e Daniel Santos. Apressei-me a transpôr o Tejo e às 9:20 estava no local de encontro.&lt;br /&gt;Da companhia ainda não havia sinal! O Nuno tinha tido um pequeno contratempo familiar e o Daniel lidava ainda com problemas no filtro de gasolina da "Suzy".&lt;br /&gt;Pouco depois das 10:00 já estávamos reunidos e prontos para arrancar. Queriamos chegar ao coração do Alentejo o mais depressa possível, e decidimos percorrer a rota do "Terras do Sado" até ao Torrão, começando depois ali a navegação "desorientada" por trilhos desconhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51682787-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51682787-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Depois de transpor o "lago" que tanto trabalho deu no último passeio "Nomad", aguardei algum tempo pela chegada dos companheiros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51613463-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51613463-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois, decidi ligar ao Nuno para saber o que se passava. Do outro lado, respondeu-me: "Submarino!!"... Ao que parece o Daniel já acusava o calor da manhã solarenga e decidi mergulhar na mesma piscina que o nosso amigo Luís Duarte (na foto em baixo) escolheu naquela bela manhã de Novembro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/45319500-M.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/45319500-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Depois de todos cruzarem o "lago" onde os esperava, desta vez sem escapatórias laterais e sem contratempos, continuámos pelo "Terras do Sado" ainda bastante alagadas... agora também com o Daniel bastante ensopado! :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51636302-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51636302-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Rapidamente chegámos a Casebres onde nos aguardavam umas bifanas deliciosas que serviram de almoço. Antes de retomar os trilhos, o Daniel resolveu "despir-se" a rigor, livrou-se das calças ensopadas e enveredou pelo Alentejo adentro de ceroulas! Ah, Homem duro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51638374-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51638374-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Encotrámos um Alentejo húmido e verdejante como já há alguns anos não conhecia. As duas fotos seguintes são do mesmo açude, a primeira tirada nos reconhecimentos em Setembro, a segunda presentemente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/37807978-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/37807978-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51638945-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51638945-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sem mais contratempos, progredimos até Sta Susana, transpusemos a Barragem do Pego do Altar e continuámos em direcção à Barragem do Vale do Gaio, encantados com o cenário duma recente plantação de oliveiras. Felizmente, ainda há quem ame a terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51658960-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51658960-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Já nas margens da Barragem, decidimos parar e absorver um pouco daquele cenário idílico. Porque há momentos que param no tempo, sinto-me um homem incomensuravelmente rico por poder partilhar momentos como este em tão perfeita companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51672358-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51672358-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51669995-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51669995-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Continuámos a nossa rota conhecida até ao Torrão e a partir dali começou a navegação pura e dura, com muitos caminhos sem saída e muitos outros já inexistentes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51674402-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51674402-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A progressão para Este era lenta e sinuosa e acabámos por encontrar o fim do dia nos arredores do Alvito. Na aproximação à vila, cruzámo-nos com dois velhos moinhos em ruínas e, quais "bungalows" de outra era, decidimos assentar mesmo ali o acampamento, sobre a colina, com a vila a nossos pés!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51677023-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51677023-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51677627-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51677627-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O Sol caía lentamente na planicíe enquanto montávamos as tendas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51680789-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51680789-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Após instalado o "bivouac", fomos jantar à vila e regressámos para acender uma belissíma fogueira sob um céu translúcido rasgado pelo brilho das estrelas. Um momento único.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51679557-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51679557-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51681472-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51681472-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51682312-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51682312-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O lume foi desvanecendo conosco e retirámo-nos aos aposentos para uma noite passada como mais gostamos: a monte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/01/alengarve-haver-melhor-forma-de-comear.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/01/dia-2-do-alvito-serpa.html"&gt;próximo &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-113693404204345863?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/113693404204345863/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=113693404204345863&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/113693404204345863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/113693404204345863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/01/dia-1-de-lisboa-ao-alvito.html' title='Dia 1: De Lisboa ao Alvito'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-113693197655650719</id><published>2006-01-03T21:35:00.000Z</published><updated>2008-10-22T17:35:11.309+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alengarve'/><title type='text'>Alengarve! Haverá melhor forma de começar um novo ano?</title><content type='html'>Após concretizada a vontade de disfrutar de férias a primeira semana do ano, os meus planos, partilhados com os de alguns nómadas de raça, alma e coração, convergiram na ambição de cruzar trilhos remotos.&lt;br /&gt;O tempo disponível era exíguo e não permitiria grandes cruzadas, daí que os 5 dias disponíveis fossem direccionados para o Portugal dos "mouros", a região mais pobre da Europa: o Alentejo; e a mais badalada do país: o Algarve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Alentejo: terra rude, crua e despida; de gente rija, endurecida pela àrdua vida de trabalho no campo, pelas securas do calor do Verão...e do frio seco do Inverno. &lt;br /&gt;Após décadas a fio, continua mergulhado na ressaca da reforma agrária, com pomares ressequidos, inertes e sombrios, abandonados, com casas arruinadas e obras desfeitas. Terra da minha gente, dos meus genes e valores, da minha cultura. Sinto-me um cidadão do mundo, mas parte da minha alma vive ali, nas colinas despojadas de abundâncias ou caprichos. No Alentejo tudo é singelo, pacífico e despretencioso. O meu coração está em casa.&lt;br /&gt;Redescobrir o "meu" Alentejo aos comandos duma moto é uma aventura inesquecível, inesgotável, é um prazer desmedido, um encanto constante, uma alegria interminável... uma experiência marcante.&lt;br /&gt;Estradas ligam as localidades e as pessoas... mas desligam um laço fundamental: a identidade das gentes, a relação directa do Homem com a terra, com o fauna e flora das suas origens; o cheiro da erva verde pisada, da palha humedecida pelo orvalho da manhã, do rosmaninho em flôr. O montado e a vinha, a companhia dos caseiros num pátio exposto ao sol da tardinha e o "chocalhar" ritmado de um rebanho na planície.&lt;br /&gt;São essas mesmas estradas que arrancam os jovens e os levam para longe empobrecendo, ainda mais, o que já de si parece tão estéril. Parece apenas, pois a verdadeira fertilidade do Alentejo não salta à vista, não brota do solo despropositadamente. É necessário o esforço dos Homens, o trabalho, o suor e tempo, muito tempo, para revelar a riqueza escondida desta terra agreste.&lt;br /&gt;Das memórias que guardo das minhas gentes, recordo os traços mais marcantes de todas elas: a contemplação e a paciência. Carácteres moldados pela terra e pelo tempo, muito tempo. O Alentejo nunca foi habitado pelas personagens anedóticas criadas pelos pobres de espírito. Lá só habitam pensadores, poetas, sonhadores e filósofos, pois aqui o tempo tem outro ritmo: o ritmo de quem está habituado a dar tempo ao tempo, trabalhar sem pensar em enriquecer, pois a verdadeira riqueza advêm de viver contemplando e ajudando a natureza a brotar o pão nosso de cada dia.&lt;br /&gt;Cada recanto enche-se de encanto, cada caminho esquecido na planície nos leva às memórias, aos locais, aos sonhos perdidos de quem um dia fez do Alentejo a sua casa, a sua terra e a sua alma.&lt;br /&gt;Esquecido no caminho das praias e resorts do Algarve, o Alentejo "chora" o abandono de um país que raramente o encontra, que frequentemente o despreza e que nunca lhe reconhece o devido valor histórico, cultural e humano que tem.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51636204-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:10px 15px 10px 0; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51636204-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Queremos ir por trilhos que já não existem, por aldeias e lugares há muito abandonados, por planícies perdidas onde o Homem só pisa para colher a cortiça a cada 9 anos, por montes, por herdades privadas e vedadas, terras feitas prisioneiras de poucos para prejuízo de muitos, por vales e ribeiras, por entre azinheiras, sobreiros e oliveiras, pelas serras e pelo Guadiana, já prenho de um "grande lago" há muito prometido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não conheço o Algarve. Espero vislumbrar, nem que seja fugazmente, um pouco da sua beleza, da sua alma e do jeito das suas gentes.&lt;br /&gt;Das dezenas de vezes que já lá estive, calcurreei estradas de V.R. de Sto António a Sagres, de S. Brás a Silves, mas nunca consegui sentir o seu genuíno palpitar, a sua essência pré-saxónica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/51650339-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:10px 0 10px 15px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/51650339-L.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Juntos, decidimos embarcar numa viagem pelas entranhas do Portugal mais esquecido. Este é um convite à descoberta e à alienação. Um convite a abrirmos a alma e deixarmo-nos invadir pelas paisagens e costumes destas regiões tão iguais e, contudo, tratadas de forma tão diferente.&lt;br /&gt;Longe das estradas e dos ajuntamentos das grandes cidades, esperamos encontrar o palpitar latente de um povo adormecido pelos anos de isolamento, duma cultura habituada à dureza e à restrição, duma terra perdida que jamais se encontra nas bermas de uma A2 ou de um IP1. É esta a terra que queremos explorar, percorrer, queremos calcurrear e absorver para, quem sabe um dia, desvendar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/01/dia-1-de-lisboa-ao-alvito.html"&gt;próximo &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-113693197655650719?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/113693197655650719/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=113693197655650719&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/113693197655650719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/113693197655650719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2006/01/alengarve-haver-melhor-forma-de-comear.html' title='Alengarve! Haverá melhor forma de começar um novo ano?'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-112584460687467857</id><published>2005-09-02T15:36:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:35:30.432+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2005'/><title type='text'>Dia 10: De Kenitra a Lisboa</title><content type='html'>O último dia em solo marroquino foi passado praticamente na estrada. Saímos de Kenitra e seguimos a autoestrada até Larache, onde depois apanhámos a estrada para Tetouan. Pelo caminho deixei cair os óculos esculos e, nos escassos segundos que medearam o incidente e a inversão de marcha, um carro fez o "favor" de os reduzir a fragmentos :(&lt;br /&gt;Daqui em diante, a viagem confunde-se com qualquer outra: Ceuta, Algeciras, Jerez, Sevilha, Ficalho, Beja, Grândola, Montijo e Lisboa.&lt;br /&gt;Chegámos passavam das 2:30 da madrugada de sábado, dia 3, quase 4500Km e 11 dias depois da partida.&lt;br /&gt;Mais uma vez, apraz-me registar a quantidade de problemas que me deu a AT: 0(zero).&lt;br /&gt;No mapa parece um local distante, mas Marrocos é já ali ;) Voltarei muito em breve para concretizar o plano original: percorrer as pistas do sul desde o Erg Chebbi até ao Atlântico! Já faltou mais... ;)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35791754-O.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35791754-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O álbum completo está disponível &lt;a href="http://deus.smugmug.com/gallery/781102/"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2005/09/dia-9-de-essaouira-kenitra.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-112584460687467857?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/112584460687467857/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=112584460687467857&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/112584460687467857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/112584460687467857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2005/09/dia-10-de-kenitra-lisboa_02.html' title='Dia 10: De Kenitra a Lisboa'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-112584452548321048</id><published>2005-09-01T15:35:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:35:30.433+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2005'/><title type='text'>Dia 9: De Essaouira a Kenitra</title><content type='html'>Passavam poucos minutos das 11 da manhã quando deixámos a estalagem. O dia estava solarengo e posso afirmar que me sentia bastante melhor! A dor de garganta, pelo menos, havia diminuido mas não o suficiente para me permitir o "luxo" de comer novamente...&lt;br /&gt;Os planos para o dia estavam definidos: visitar Marrakesh e iniciar o regresso a Portugal.&lt;br /&gt;Por volta das 12:15, parámos num restaurante de grelhados à beira da estrada, onde autocarros de turistas faziam paragem obrigatória. Apesar da fome "apertar", fiquei-me pelos alimentos líquidos...&lt;br /&gt;Seguimos viagem para Marrakesh e, à medida que nos afastávamos da costa, o terreno circundante tornava-se novamente desértico e nem a vegetação rasteira singrava neste ambiente escaldante...&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35242244-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35242244-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35832491-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35832491-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;À chegada a Chichaoua...&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35832476-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35832476-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E por volta das 14:00 estávamos em Marrakesh, e na famosa Praça Djemaa el Fna...&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35242257-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35242257-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;...entre "encantadores" de serpentes moribundas...&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35242272-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35242272-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;...e um copo de sumo de laranja natural!&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35830705-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35830705-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Seguimos depois para uma breve passeio pela medina, uma das mais carismáticas do mundo àrabe.&lt;br /&gt;Posto isto as 16:00 marcaram o nosso regresso à estrada, com Lisboa como destino, embora tivessemos planeado passar a noite em local ainda incerto...&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35242355-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35242355-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Settat e Casablanca passaram por nós como clarões distantes na noite, à medida que progredíamos pela autoestrada que nos levaria até Rabat. Seguimos depois para Salé onde jantámos num restaurante à beira da praia.&lt;br /&gt;Para os padrões marroquinos, e considerando a hora já bastante avançada, estava bastante gente na praia.&lt;br /&gt;Após o jantar, decidimos deixar a confusão de Rabat para trás e prosseguir até Kenitra, local que escolhemos para passar a noite.&lt;br /&gt;Não foi difícil descobrir um hotel com garagem na cidade. Apesar das 4*, o hotel parecia votado ao abandono, com pequenas "obras" aqui e ali. Não perdemos tempo e fomos acompanhados pelo porteiro à garagem.&lt;br /&gt;Ao subir, pelas escadas de serviço, até ao piso da recepção apontou-nos uma porta e esboçou uma careta insunuatória. Imediatamente me lembrei duma conversa com o amigo LL sobre os famosos "-1" marroquinos ;)&lt;br /&gt;Poucos momentos depois estávamos instalados e, enquanto eu tomava duche, os outros dois "varões" esquivaram-se para o "-1" para reconhecer o ambiente...&lt;br /&gt;Não demoraram muito a regressar... ao que parece, a "fauna" tinha tanto de feroz como de repulsiva e o melhor a fazer era mesmo trancar a porta do quarto e evitar dar sinal de vida :)&lt;br /&gt;Ao longo da noite as "hienas" circularam pelo corredor, de quarto em quarto, acompanhadas por indivíduos corpulentos e intimidatórios...&lt;br /&gt;Dormi bem! Não sei se bateram à nossa porta naquela noite :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2005/08/dia-8-de-agadir-essaouira.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2005/09/dia-10-de-kenitra-lisboa_02.html"&gt;próximo &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-112584452548321048?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/112584452548321048/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=112584452548321048&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/112584452548321048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/112584452548321048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2005/09/dia-9-de-essaouira-kenitra.html' title='Dia 9: De Essaouira a Kenitra'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-112584449551273780</id><published>2005-08-31T15:34:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:35:30.433+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2005'/><title type='text'>Dia 8: De Agadir a Essaouira</title><content type='html'>Cedo deixámos Agadir e, seguindo para norte em direcção a Essaouira, ladeámos a colina onde pontifica o forte "lusitano", agora sobre inscrições àrabes na encosta que poderiam ser traduzidas por "Agadir Sauda-vos".&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35242037-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35242037-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ao longo dos kms da linha costeira, que nos acompanham até Essaouira, o cenário é monótono e pouco vistoso. Depois, à medida que iniciamos a travessia do Anti-Atlas, a estrada torna-se caprichosa, enroscada ao longo das encostas e o ambiente muda progressivamente. A vegetação rasteira e o solo avermelhado vão cedendo lugar a oliveiras, sobreiros e ao pasto mediterrânico.&lt;br /&gt;A sinuosidade do percurso rapidamente me entusiasmou, e o 4x4 foi ficando, inevitavelmente, para trás!&lt;br /&gt;Ao longo da estrada, vendedores com bancas improvisadas distribuem-se ao longo de várias dezenas de quilómetros, com intervalos de escassas centenas de metros entre si. Erguem garrafas de vidro à minha passagem. O conteúdo é translucido... pareceu-me azeite, embora não tenha parado para comprovar.&lt;br /&gt;A cerca de 10Km de Essaouira decidi parar num café à beira da estrada e aguardar pelo resto do pessoal.&lt;br /&gt;Ao longo dos últimos dias, e paricularmente durante toda a manhã, vinha sentindo a garganta seca e alguma dificuldade em deglutir pelo que aproveitei para beber um refresco.&lt;br /&gt;Cerca de uma hora depois, por volta das 13:00, já tinhamos regateado a refeição e estávamos a disfrutar de um autêntico banquete de peixe e marisco...&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35832225-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35832225-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;...nas barracas da praça...&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35832321-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35832321-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;...junto ao antigo forte português.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35832237-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35832237-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A primeira impressão que tive, ao chegar a Essaouira, foi um enorme sentimento de familiaridade. Apesar da atmosfera turística da cidade, o ambiente é tradicional e pacato. A traça dos edifícios, o modo das gentes, tudo aponta para uma história que não é àrabe... a presença de Portugal ainda se sente fortemente em cada recanto do Mogadouro, como nós lhe chamávamos :)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35832334-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35832334-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Após o repasto, enveredámos pelas ruelas estreitas da medina. Enquanto uns diambulavam em busca de artefactos eu tentava descobrir, em cada recanto, a imagem perfeita que retratasse a minha percepção de Essaouira...&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35242089-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35242089-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Apesar de considerar que essa imagem fortuita me escapava de cada vez que empunhava a camâra, a que talvez mais se aproxime seja esta que tirei de uma das torres, por entre as ameias da fortificação.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35242124-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35242124-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sem esforço, imagino combates navais travados nesta costa rochosa e irregular.&lt;br /&gt;As peças de artilharia, que fintam o horizonte desde a muralha, são quase todas herança da coroa espanhola que ocupou Essaouira após a nossa retirada. Quase, pois resta ainda um exemplar português cuja foto ainda aqui heide publicar.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35242101-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35242101-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Entretanto a dor de garganta, que me incomodou com mais intensidade ao longo de todo o dia, piorou consideravelmente e já não conseguia engolir fosse o que fosse...até do chá me vi privado! Sentia-me, de facto, abatido e com uma forte dor de cabeça. Diagnóstico da nossa enfermeira: anginas...&lt;br /&gt;Fiquei então a saber que há alguns dias que ela estava a curar anginas e, lamentavelmente, deveria ter sido contagiado por ela. Nada de grave :) pois medicação não faltava a bordo!&lt;br /&gt;Devido ao mau estar que sentia, verifiquei que não tinha condições para prosseguir viagem até Marrakesh e a comitiva concordou em passar a noite em Essaouira.&lt;br /&gt;Procurámos então um estalagem para passar a noite e acabámos por escolher uma muito agradável na medina.&lt;br /&gt;"La Maison du Sur", como se chama, é uma estalagem com excelentes condições e muito bem decorada. Construída ao estilo marroquino, em torno de um pátio central, dispõe de quartos agradáveis dispostos em torno do pátio e um ambiente extremamente acolhedor. Agradável surpresa são também os preços que, não estando tabelados, são regateados após uma breve visita pelas instalações! Sem pequeno almoço, acordámos em cerca de 20€ por pessoa. Bastante acessível tendo em conta a localização e as condições da estalagem.&lt;br /&gt;A clarabóia sobre o pátio...&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35242168-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35242168-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;...com os quartos dispostos em redor...&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35242153-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35242153-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;...a sala de refeições e bar no pátio...&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35242188-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35242188-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;e o aspecto do quarto, já desarrumado :)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35832447-O-1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35832447-M-1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Passavam das 20:30 quando tomei o anti-biótico e me deitei ;) O resto do pelotão? Rumou às barracas para mais um banquete de marisco!&lt;br /&gt;Foi uma belíssima noite de sono...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2005/08/dia-7-de-foum-el-hassan-agadir.html"&gt;&lt;&lt; anterior&lt;/a&gt; &lt;a href="http://pequenopontoazul.blogspot.com/2005/09/dia-9-de-essaouira-kenitra.html"&gt;próximo &gt;&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13142850-112584449551273780?l=pequenopontoazul.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/feeds/112584449551273780/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13142850&amp;postID=112584449551273780&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/112584449551273780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13142850/posts/default/112584449551273780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pequenopontoazul.blogspot.com/2005/08/dia-8-de-agadir-essaouira.html' title='Dia 8: De Agadir a Essaouira'/><author><name>Deus</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://bp1.blogger.com/_CVE_erVdYEg/SFqBbXRUgxI/AAAAAAAAAAM/C5ZKgxCgwvQ/S220/deus1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13142850.post-112584447068272389</id><published>2005-08-30T15:33:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T17:35:30.434+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marrocos 2005'/><title type='text'>Dia 7: De Foum-el-Hassan a Agadir</title><content type='html'>Acordámos pouco depois do nascer do sol. Apesar do fraco conforto do alojamento, até posso dizer que descansei bem!&lt;br /&gt;Novamente, o itinerário planeado sofreu alterações e a etapa Tan Tan - Sidi Ifni, talvez das mais belas no "cardápio" (devido ao troço ao longo da praia), foi sacrificada devido à falta de tempo...&lt;br /&gt;Arrumámos o material, agradecemos aos guardas e partimos em direcção a Sidi Ifni - via Guelmime.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35241999-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35241999-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A aproximação à costa era notória. A neblusidade cobria os céus, o odor a maresia galvanizava após as "securas" do deserto e a humidade saturava a atmosfera chegando ao ponto de "molhar" a roupa!&lt;br /&gt;Eis que enfim...o mar!&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35831964-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35831964-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A praia em Sidi Ifni estava concorrida apesar do tempo encoberto e da temperatura baixa. Decidimos subir ao longo da costa em direcção a Agadir, procurando uma aldeia de pescadores onde pudéssemos comprar peixe fresco para grelhar no caminho.&lt;br /&gt;Acabámos por chegar a Aglou-Plage e ao seu mercado à beira mar. Após questionar alguns vendedores de peixe no mercado, um deles indicou-nos a localização do pequeno porto de pesca e disponibilizou as chaves da sua arrecadação junto ao mesmo para que pudéssemos utilizar o seu fogareiro!&lt;br /&gt;Seguindo as instruções desenhadas num pedaço de cartão, seguimos um caminho de areia até chegamos ao local, a cerca de 3Km a Norte de Aglou-Plage. Um paraíso...&lt;br /&gt;No pequeno porto encrustado na falésia, o frenesim da lota era evidente. O peixe que ia chegando era rapidamente rodeado pelos comerciantes e regateado vigorosamente.&lt;br /&gt;Dirigimo-nos a uma pequena arrecadação de apetrechos onde se encontravam dois pescadores a amanhar peixe e, após perceberem o que pretendiamos, imediatamente nos arranjaram duas enormes sardas...&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35242029-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35242029-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt; ...e depois de verificarmos que na arrecadação que nos tinha sido emprestada não havia carvão o Aziz (um dos pescadores) disponibilizou, para que pudéssemos grelhar e saborear o peixe com traquilidade, aquela que viria a ser uma das mais belas maisons que conheci até hoje :)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35832049-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35832049-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Escavada numa falésia junto ao mar, na encosta arenosa, possuia três divisões independentes e ligadas por grandes janelas: uma cozinha, uma sala e um quarto.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35832131-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35832131-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35832209-O-2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35832209-M-2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Possuia ainda uma divisão mais recente: o WC. Este fora construido ao canto do terraço que servia também de corredor, interligando os três espaços.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35832157-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35832157-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A decoração simples, mas de muito bom gosto, produzia um resultado final indiscrítivel... viver ali, em isolamento moderado, acordar com o aroma da maresia, abrir a porta e fintar a imensidão do mar materializava, como nenhuma outra o fez até hoje, a casa dos meus sonhos.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35832191-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35832191-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Será, com certeza, ponto de paragem obrigatório numa próxima viagem por Marrocos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a saborosa refeição preparada pelo mestre Aziz (mas por aqui todos se chamam Aziz?! Não...também há uns quantos Mohamed e Hassan!)...&lt;br /&gt;&lt;a href="http://deus.smugmug.com/photos/35832112-O.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px;" src="http://deus.smugmug.com/photos/35832112-M.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;...seguimos em direcção a Agadir, via Tiznit.&lt;br /&gt;Mas foi pouco d
